Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 327
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Leitura do livro
O Grande Conflito, páginas 547-549
não há ressurreição “os que dormiram em Cristo estão perdidos”? Não seria necessário ressurreição.
O mártir Tyndale, referindo-se ao estado dos mortos, declarou: “Confesso abertamente que não estou persuadido de que eles já estejam na plena glória em que Cristo Se acha, ou em que estão os anjos eleitos de Deus. Tampouco é isto artigo de minha fé; pois, se assim fosse, não vejo nisto senão que o pregar a ressurreição da carne seria coisa vã.” — Prefácio do “Novo Testamento” (edição de 1534), de Guilherme Tyndale.
É fato inegável que a esperança da imortal bem-aventurança ao morrer, tem determinado generalizada negligência da doutrina bíblica da ressurreição. Esta tendência foi notada pelo Dr. Adão Clarke, que disse: “A doutrina da ressurreição parece ter sido julgada de muito maiores conseqüências entre os primeiros cristãos do que o é hoje! Como é isto? Os apóstolos estavam continuamente insistindo nela, e concitando os seguidores de Cristo à diligência, obediência e animação por meio dela. E seus sucessores, na atualidade, raras vezes a mencionam! Pregavam-na os apóstolos, nela criam os primitivos cristãos; pregamo-la nós, e nela crêem nossos ouvintes. Não há doutrina no evangelho a que se dê maior ênfase; e não há doutrina no atual conjunto dos assuntos pregados, que seja tratada com maior negligência!” — Comentário Sobre o Novo Testamento, vol. 2 (acerca de 1 Coríntios 15).
Este estado de coisas tem continuado a ponto de ficar a gloriosa verdade da ressurreição quase totalmente obscurecida, e perdida de vista pelo mundo cristão. Assim o autor do Comentário acima referido explica as palavras de Paulo: “Para todo o fim prático de consolação, a doutrina da bem-aventurada imortalidade dos justos toma para nós o lugar de qualquer doutrina duvidosa acerca da segunda vinda do Senhor. Por ocasião de nossa morte o Senhor vem a nós. É isto que devemos esperar e aguardar. Os mortos já passaram para a glória. Não esperam a trombeta para o seu juízo e bem-aventurança.”
Quando, porém, estava para deixar Seus discípulos, Jesus não lhes disse que logo iriam ter com Ele. “Vou preparar-vos lugar”, disse Ele. “E, se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para Mim mesmo.” João 14:2, 3. E diz-nos Paulo, mais, que “o mesmo Senhor descerá do Céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” E acrescenta: “Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.” 1 Tessalonicenses 4:16-18. Quão grande é o contraste entre essas expressões de conforto e as do ministro universalista citadas acima! O último consolou os que foram despojados da companhia do seu ente querido, com a afirmação de que, por mais pecador que o morto pudesse haver sido, ao expirar aqui, seria recebido entre os anjos. Paulo aponta a seus irmãos a futura vinda do Senhor, quando os grilhões do túmulo serão quebrados, e os “mortos em Cristo” ressuscitarão para a vida eterna.
Antes de qualquer pessoa poder entrar nas mansões dos bem-aventurados, seu caso deverá ser investigado, e seu caráter e ações deverão passar em revista perante Deus. Todos serão julgados de acordo com as coisas escritas nos livros, e recompensados conforme tiverem sido as suas obras. Este juízo não ocorre por ocasião da morte. Notai as palavras de Paulo: “Tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do Varão que destinou: e disto deu certeza a todos, ressuscitando-O dos mortos.” Atos 17:31. Aqui o apóstolo terminantemente declara que um tempo específico, então no futuro, fora fixado para o juízo do mundo.
Judas se refere ao mesmo tempo: “Aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão, e em prisões eternas, até ao juízo daquele grande dia.” E cita ainda as palavras de Enoque: “Eis que é vindo o Senhor com milhares de Seus santos; para fazer
juízo contra todos.” Jud. 6, 14 e 15. João declara ter visto “os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono; e abriram-se os livros; ... e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros.” Apocalipse 20:12.
Se, porém, os mortos já estão gozando a bem-aventurança celestial, ou contorcendo-se nas chamas do inferno, que necessidade há de um juízo futuro? Os ensinos da Palavra de Deus acerca destes importantes pontos, não são obscuros nem contraditórios; podem ser compreendidos pela mente comum. Mas que espírito imparcial pode ver sabedoria ou justiça na teoria corrente? Receberão os justos, depois da investigação de seu caso no juízo, este elogio: “Bem está, servo bom e fiel. ... Entra no gozo do teu Senhor” (Mateus 25:21), quando eles estiveram morando em Sua presença, talvez durante longos séculos? São os ímpios convocados do lugar do tormento, para receberem esta sentença do Juiz de toda a Terra: “Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno”? Mateus 25:41. Oh! sarcasmo solene! vergonhoso obstáculo à sabedoria e justiça de Deus!
A teoria da imortalidade da alma foi uma das falsidades que Roma tomou emprestadas do paganismo, incorporando-a à religião da cristandade. Martinho Lutero classificou-a entre as “monstruosas fábulas que fazem parte do monturo romano dos decretos.” — O Problema da Imortalidade, de E. Petavel. Comentando as palavras de Salomão no Eclesiastes, de que os mortos não sabem coisa nenhuma, diz o reformador: “Outro passo provando que os mortos não têm. ... sentimento. Não há ali”, diz ele, “deveres, ciência, conhecimento, sabedoria. Salomão opinou que os mortos estão a dormir, e nada sentem absolutamente. Pois os mortos ali jazem, não levando em conta nem dias nem anos; mas, quando despertarem, parecer-lhes-á haver dormido apenas um minuto.” — Exposição do Livro de Salomão, Chamado Eclesiastes, de Lutero.
Em parte alguma nas Escrituras Sagradas se encontra a declaração de que é por ocasião da morte que os justos vão para a
O Grande Conflito · Ellen G. White