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O Grande Conflito, páginas 539-542

de Absalão: porque já se tinha consolado acerca de Amnom, que era morto.” Tendo-se o pungimento desta dor abrandado pelo tempo, seus pensamentos volveram do filho morto para o vivo, o qual se exilara pelo medo do justo castigo de seu crime. E esta é a prova de que o incestuoso e bêbado Amnom foi à sua morte imediatamente transportado para as bem-aventuradas habitações, a fim de ser ali purificado e preparado para a companhia dos anjos sem pecado! Fábula aprazível, por certo, muito apropriada para satisfazer o coração carnal! Esta é a própria doutrina de Satanás, e ela realiza a sua obra eficazmente. Deveríamos surpreender-nos de que, com tal instrução, prevaleça a impiedade?

O caminho seguido por este falso ensinador ilustra o de muitos outros. Umas poucas palavras das Escrituras são separadas do contexto, o qual, em muitos casos, mostraria ser o seu sentido exatamente o contrário da interpretação a elas dada; e tais passagens desconexas são pervertidas e usadas em prova de doutrinas que não têm fundamento na Palavra de Deus. O testemunho citado como prova de que o bêbado Amnom está no Céu, é uma simples conjectura, contradita terminantemente pela declaração expressa e positiva das Escrituras, de que nenhum bêbado herdará o reino de Deus. 1 Coríntios 6:10. Assim é que os que duvidam, os descrentes, e os cépticos, mudam a verdade em mentira. E multidões têm sido enganadas por seus sofismas, e embaladas para adormecerem no berço da segurança carnal.

Se fosse verdade que a alma passa diretamente para o Céu na hora do falecimento, bem poderíamos então anelar a morte em lugar da vida. Por esta crença, muitos têm sido levados a pôr termo à existência. Quando dominados pelas dificuldades, perplexidades e desapontamento, parece coisa fácil romper o tênue fio da vida e voar além, para as bênçãos do mundo eterno.

Deus deu em Sua Palavra prova decisiva de que punirá os transgressores de Sua lei. Os que se lisonjeiam de que Ele é

muito misericordioso para exercer justiça contra o pecador, apenas têm de olhar para a cruz do Calvário. A morte do imaculado Filho de Deus testifica que “o salário do pecado é a morte”, que toda violação da lei de Deus deve receber sua justa paga. Cristo, que não tinha pecado, Se fez pecado pelo homem. Arrostou a culpa da transgressão, sendo-Lhe ocultado o rosto do Pai, até se Lhe quebrantar o coração e desfazer a vida. Todo esse sacrifício foi feito a fim de os pecadores poderem ser remidos. De nenhum outro modo conseguiria o homem livrar-se da pena do pecado. E toda alma que se recusa a tornar-se participante da expiação provida a tal preço, deve levar em si própria a culpa e o castigo da transgressão.

Consideremos o que a Bíblia ensina ainda concernente aos ímpios e impenitentes, os quais os universalistas colocam no Céu, como anjos santos e felizes.

“A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida.” Apocalipse 21:6. Esta promessa é apenas para os que têm sede. A pessoa alguma, a não ser os que sentem sua necessidade da água da vida, e a procuram, seja qual for o preço, será ela provida. “Quem vencer herdará todas as coisas; e Eu serei seu Deus, e ele será Meu filho.” Apocalipse 21:7. Aqui, também, se especificam condições. A fim de herdar todas as coisas, devemos resistir ao pecado e vencê-lo.

O Senhor declara pelo profeta Isaías: “Dizei aos justos que bem lhes irá.” “Ai do ímpio! mal lhe irá, porque a recompensa das suas mãos se lhe dará.” Isaías 3:10, 11. “Ainda que o pecador faça mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus, aos que temerem diante dEle. Mas ao ímpio não irá bem.” Eclesiastes 8:12, 13. E Paulo testifica que o pecador está entesourando para si “ira ... no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; o qual recompensará cada um segundo suas obras”; “tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que obra o mal.” Romanos 2:5, 6, 9.

“Nenhum fornicador, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.” Efésios 5:5. “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12:14. “Bem-aventurados aqueles que guardam os Seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães, e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.” Apocalipse 22:14, 15.

Deus deu aos homens uma revelação de Seu caráter, e de Seu método de tratar com o pecado: “Jeová, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras, e grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniqüidade, e a transgressão, e o pecado; que ao culpado não tem por inocente.” Êxodo 34:6, 7. “Todos os ímpios serão destruídos.” “Quanto aos transgressores, serão à uma destruídos e as relíquias dos ímpios todas perecerão.” Salmos 145:20; 37:38. O poder e autoridade do governo divino serão empregados para abater a rebelião; contudo, todas as manifestações de justiça retribuidora serão perfeitamente coerentes com o caráter de Deus, como um ser misericordioso, longânimo e benévolo.

Deus não força a vontade ou o juízo de ninguém. Não tem prazer na obediência servil. Deseja que as criaturas de Suas mãos O amem porque Ele é digno de amor. Quer que Lhe obedeçam porque reconhecem inteligentemente Sua sabedoria, justiça e benevolência. E todos os que possuem concepção justa destas qualidades, amá-Lo-ão porque são atraídos para Ele e Lhe admiram os atributos.

Os princípios de bondade, misericórdia e amor, ensinados e exemplificados por Jesus Cristo, são um transcrito da vontade e caráter de Deus. Cristo declarou que Ele nada ensinava a não ser o que recebera do Pai. Os princípios do governo divino estão em perfeita harmonia com os preceitos do Salvador: “Amai vossos inimigos.” Deus executa justiça sobre os

ímpios, para o bem do Universo, e mesmo daqueles sobre quem Seus juízos são aplicados. Ele os faria ditosos, se o pudesse fazer de acordo com as leis de Seu governo e a justiça de Seu caráter. Cerca-os de manifestações de Seu amor, confere-lhes conhecimento de Sua lei, acompanhando-os com o oferecimento de Sua misericórdia; eles, porém, Lhe desprezam o amor, anulam a lei e rejeitam a misericórdia. Ao mesmo tempo em que constantemente recebem Seus dons, desonram o Doador; odeiam a Deus porque sabem que Ele aborrece os seus pecados. O Senhor suporta a sua perversidade; mas virá finalmente a hora decisiva, em que se deve decidir o seu destino. Acorrentará Ele então esses rebeldes a Seu lado? Forçá-los-á a fazerem a Sua vontade?

Os que escolheram a Satanás como chefe, e por seu poder têm sido dirigidos, não estão preparados para comparecer à presença de Deus. O orgulho, o engano, a licenciosidade, a crueldade, fixaram-se em seu caráter. Podem eles entrar no Céu, para morar para sempre com aqueles a quem desprezaram e odiaram na Terra? A verdade nunca será agradável ao mentiroso; a humildade não satisfará o conceito de si mesmo e o orgulho; a pureza não é aceitável ao corrupto; o amor abnegado não parece atrativo ao egoísta. Que fonte de gozo poderia oferecer o Céu para os que se acham totalmente absortos nos interesses terrenos e egoístas?

Poderiam aqueles cuja vida foi empregada em rebelião contra Deus, ser subitamente transportados para o Céu, e testemunhar o estado elevado e santo de perfeição que ali sempre existe, estando toda alma cheia de amor, todo rosto irradiando alegria, ecoando em honra de Deus e do Cordeiro uma arrebatadora música em acordes melodiosos, e fluindo da face dAquele que Se assenta sobre o trono uma incessante torrente de luz sobre os remidos; sim, poderiam aqueles cujo coração está cheio de ódio a Deus, à verdade e santidade, unir-se à multidão celestial e participar de seus cânticos de louvor? Poderiam suportar a glória de Deus e do Cordeiro? Não, absolutamente; anos de graça lhes foram concedidos, a fim de que pudessem

O Grande Conflito · Ellen G. White

Passagem bíblica

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