Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 322
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Leitura do livro
O Grande Conflito, páginas 526-530
E este é o objetivo que Satanás procura realizar. Nada há que ele mais deseje do que destruir a confiança em Deus e em Sua Palavra. Satanás está à frente do grande exército dos que duvidam, e trabalha em sua máxima força para aliciar as almas para suas fileiras. Duvidar está-se tornando moda. Há uma classe numerosa pela qual a Palavra de Deus é olhada com desconfiança, pela mesma razão por que o foi o seu Autor: porque ela reprova e condena o pecado. Os que estão indispostos a obedecer-lhe aos preceitos, esforçam-se por subverter a sua autoridade. Lêem a Escritura, ou ouvem os seus ensinos como são apresentados do púlpito sagrado, meramente para encontrar defeito, nela ou no sermão. Não poucos se tornam incrédulos a fim de justificar-se ou desculpar-se da negligência do dever. Outros adotam princípios cépticos por orgulho ou indolência. Demasiado amantes da comodidade para se distinguirem no cumprimento de qualquer coisa digna de honra, que requeira esforço e abnegação, visam conseguir fama de uma sabedoria superior criticando a Bíblia. Há nela muita coisa que a mente finita, não iluminada pela sabedoria divina, é impotente para compreender; e assim encontram ensejo para criticar. Muitos há que parecem entender ser virtude achar-se do lado da descrença, do ceticismo e da incredulidade. Mas, sob aparência de sinceridade, ver-se-á que tais pessoas são movidas pela confiança própria e orgulho. Muitos se deleitam em encontrar nas Escrituras alguma coisa que confunda o espírito de outros. Alguns a princípio criticam e sofismam, por simples amor à controvérsia. Não compreendem que se estão assim enredando nas ciladas do caçador. Tendo, porém, expresso abertamente descrença, entendem que devem manter sua atitude. Assim se unem eles aos ímpios, e fecham para si mesmos as portas do paraíso.
Deus deu em Sua Palavra evidência bastante do caráter divino da mesma. As grandes verdades que dizem respeito à nossa redenção, estão claramente apresentadas. Pelo auxílio do Espírito Santo, que é prometido a todos os que O buscam com sinceridade, cada qual pode compreender por si estas
verdades. Deus concedeu aos homens um firme fundamento sobre que repousar a fé.
Contudo, a mente finita dos homens não está adaptada a compreender completamente os planos e propósitos do Ser infinito. Jamais poderemos por meio de pesquisas encontrar a Deus. Não devemos tentar erguer com mãos presunçosas o véu com o qual Ele vela Sua majestade. O apóstolo exclama: “Quão insondáveis são os Seus juízos, e quão inescrutáveis os Seus caminhos!” Romanos 11:33. Podemos compreender Seu trato para conosco e os motivos que O movem até ao ponto em que nos é possível discernir o amor e a misericórdia ilimitados em união com o poder infinito. Nosso Pai celestial tudo determina em sabedoria e justiça, e não devemos estar descontentes e destituídos de confiança, antes curvar-nos em submissão reverente. De seus propósitos Ele nos revelará tanto quanto é para o nosso bem saber, e, além disto, devemos confiar na Mão que é onipotente, no Coração que está repleto de amor.
Ao mesmo tempo em que Deus deu prova ampla para a fé, nunca removeu toda desculpa para a descrença. Todos os que buscam ganchos em que pendurar suas dúvidas, encontrá-los-ão. E todos os que se recusam a aceitar a Palavra de Deus e lhe obedecer antes que toda objeção tenha sido removida, e não mais haja lugar para a dúvida, jamais virão à luz.
A desconfiança em Deus é produto natural do coração não renovado, que está em inimizade com Ele. A fé, porém, é inspirada pelo Espírito Santo, e unicamente florescerá à medida que for acalentada. Ninguém se pode tornar forte na fé sem esforço decidido. A incredulidade é fortalecida ao ser incentivada; e, se os homens, em vez de se ocuparem com as provas que Deus deu a fim de sustentar sua fé, se permitirem discutir e cavilar, verão que suas dúvidas se tornam constantemente mais acentuadas.
Mas os que duvidam das promessas de Deus e não confiam na segurança de Sua graça, estão a desonrá-Lo; e sua influência, em vez de atrair outros a Cristo, tende a repeli-los dEle.
São árvores infrutíferas, que estendem amplamente seus escuros ramos, excluindo da luz do Sol outras plantas, e fazendo-as atrofiar-se e morrer na fria sombra. O trabalho de tais pessoas aparecerá como uma constante testemunha contra aquelas. Estão a lançar sementes de dúvida e ceticismo, que produzirão infalível colheita.
Apenas um caminho há a seguir, para quantos desejem sinceramente livrar-se das dúvidas. Em vez de questionar e cavilar com relação àquilo que não compreendem, atendam à luz que já resplandece sobre eles, e receberão maior luz. Cumpram todo dever que já se lhes fez claro à compreensão, e estarão aptos a compreender e cumprir aqueles sobre os quais estão agora em dúvida.
Satanás pode apresentar uma contrafação tão parecida com a verdade, que engane aos que estão dispostos a ser enganados, aos que desejam excluir a abnegação e o sacrifício exigidos pela verdade; impossível lhe é, porém, reter sob o seu poder uma só alma que sinceramente deseje conhecer a verdade, custe o que custar. Cristo é a verdade, e a “luz que alumia a todo o homem que vem ao mundo.” João 1:9. O Espírito da verdade foi enviado para guiar os homens em toda a verdade. E pela autoridade do Filho de Deus se acha declarado: “Buscai, e encontrareis.” “Se alguém quiser fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus.” Mateus 7:7; João 7:17.
Os seguidores de Cristo pouco sabem das tramas que Satanás e suas hostes contra eles estão formando. Aquele, porém, que Se assenta nos Céus, encaminhará todos esses estratagemas para o cumprimento de Seus profundos desígnios. O Senhor permite que Seu povo seja submetido à atroz prova da tentação, não porque tenha prazer em sua aflição e angústia, mas porque tal operação é indispensável à sua vitória final. Ele não poderia, de maneira coerente com Sua própria glória, escudá-los da tentação; pois o objetivo da prova é prepará-los para resistirem a todas as seduções do mal.
Nem homens ímpios nem demônios podem embaraçar a obra de Deus, ou excluir a Sua presença de Seu povo, se este, com coração submisso e contrito, confessar e abandonar seus pecados, e com fé reclamar as promessas divinas. Toda tentação, toda influência adversa, quer manifesta quer secreta, pode com êxito ser vencida, “não por força, nem por violência, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos exércitos.” Zacarias 4:6.
“Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os Seus ouvidos atentos às suas orações. ... E qual é aquele que vos fará mal, se fordes zelosos do bem?” 1 Pedro 3:12, 13. Quando Balaão, seduzido pela promessa das ricas recompensas, praticou encantos contra Israel, e por meio de sacrifícios ao Senhor procurou invocar maldição sobre o Seu povo, o Espírito do Senhor vedou o mal que ele anelava pronunciar, e Balaão foi forçado a dizer: “Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa? e como detestarei quando o Senhor não detesta?” “A minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu.” Quando novamente foi oferecido o sacrifício, declarou o ímpio profeta: “Eis que recebi mandado de abençoar: pois Ele tem abençoado, e eu não o posso revogar. Não viu iniqüidade em Israel nem contemplou maldade em Jacó; o Senhor seu Deus é com ele, e nele, e entre eles se ouve o alarido de um Rei.” “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel. Neste tempo se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus tem obrado!” Números 23:8, 10, 21, 23. Contudo se erigiram altares pela terceira vez, e novamente Balaão tentou pronunciar uma maldição. Mas, mediante os obstinados lábios do profeta, o Espírito de Deus declarou a prosperidade de Seus escolhidos, e repreendeu a loucura e malignidade de seus adversários: “Benditos os que te abençoarem, e malditos os que te amaldiçoarem.” Números 24:9.
O povo de Israel era nesse tempo fiel a Deus; e, enquanto permanecessem em obediência à Sua lei, nenhum poder na Terra ou no inferno poderia prevalecer contra eles. Mas a maldição que a Balaão não foi permitido pronunciar contra o povo
de Deus, conseguiu finalmente trazer sobre eles, seduzindo-os ao pecado. Ao transgredirem os mandamentos de Deus, separam-se então dEle, sendo deixados a sentir o poder do destruidor.
Satanás está bem ciente de que a mais débil alma que permaneça em Cristo é mais que suficiente para competir com as hostes das trevas, e que, caso ele se revelasse abertamente, seria enfrentado e vencido. Portanto, procura retirar das suas potentes fortificações os soldados da cruz, enquanto jaz de emboscada com as suas forças, pronto para destruir todos os que se arriscam a penetrar em seu terreno. Unicamente com humilde confiança em Deus, e obediência a todos os Seus mandamentos, poderemos achar-nos seguros.
Ninguém, sem oração, se encontra livre de perigo durante um dia ou uma hora que seja. Especialmente devemos rogar ao Senhor sabedoria para compreender a Sua Palavra. Ali estão revelados as armadilhas do tentador, e os meios pelos quais se pode a ele resistir com êxito. Satanás é perito em citar as Escrituras, dando sua própria interpretação às passagens pelas quais espera fazer-nos tropeçar. Devemos estudar a Bíblia com humildade de coração, nunca perdendo de vista nossa sujeição a Deus. Ao mesmo tempo em que nos devemos guardar constantemente contra os ardis de Satanás, cumpre com fé orar sempre: “Não nos deixes cair em tentação.”
O Grande Conflito · Ellen G. White