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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 59-61

Jerusalém. Os apóstolos então perceberam mais amplamente o sentido das palavras de Cristo: “Ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da Terra” (At 1:8).

Quando Filipe ainda se encontrava em Samaria, foi-lhe determinado por um mensageiro celestial que fosse “para a banda do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza.” “E levantou-se, e foi” (At 8:26, 27). Ele não pôs em dúvida o chamado, nem hesitou em obedecer, pois havia aprendido a lição da conformidade com a vontade de Deus.

“E eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adoração, regressava, e assentado no seu carro, lia o profeta Isaías” (At 8:27, 28). Este etíope era homem de boa posição e grande influência. Deus viu que, quando se convertesse, proporcionaria a outros a luz que recebera, e exerceria forte influência em prol do evangelho. Anjos de Deus estavam auxiliando este inquiridor da luz, e ele estava sendo atraído para o Salvador. Pelo ministério do Espírito Santo, o Senhor o pôs em contato com quem o poderia guiar à luz.

Filipe foi dirigido a ir ter com o etíope e explicar-lhe a profecia que estava lendo. “Chega-te”, disse o Espírito,

“e ajunta-te a esse carro” (At 8:29). Aproximando-se, Filipe perguntou ao eunuco: “Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém me não ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse” (At 8:31). A passagem que ele estava lendo era a profecia de Isaías relativa a Cristo: “Foi levado como a ovelha para o matadouro, e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim não abriu a Sua boca. Na Sua humilhação foi tirado o Seu julgamento; e quem contará a Sua geração? porque a Sua vida é tirada da Terra” (At 8:32, 33).

“De quem diz isto o profeta?” perguntou o eunuco; “de si mesmo ou de algum outro?” Então Filipe lhe patenteou a grande verdade da redenção. Começando com a mesma passagem, “lhe anunciou a Jesus” (At 8:34, 35).

O coração do homem fremia de interesse ao serem-lhe explicadas as Escrituras; e, ao terminar o discípulo, estava pronto para aceitar a luz proporcionada. Ele não fez de sua elevada posição mundana uma desculpa para recusar o evangelho. “Indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou.

“E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho. E Filipe se achou em Azoto, e, indo passando, anunciava o evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia” (At 8:36-40).

Este etíope representa uma grande classe que necessita ser ensinada por missionários como Filipe - homens que ouçam a voz de Deus, e vão aonde Ele manda. Muitos há que estão lendo as Escrituras sem compreender-lhes o verdadeiro significado. Em todo o mundo homens e mulheres olham atentamente para o Céu. De almas anelantes de luz, de graça, do Espírito Santo, sobem orações, lágrimas e indagações. Muitos estão no limiar do reino, esperando somente serem recolhidos.

Um anjo guiou Filipe àquele que procurava a luz, e que estava pronto para receber o evangelho; e hoje anjos guiarão os passos dos obreiros que permitam ao Espírito Santo santificar-lhes a língua, educar e enobrecer-lhes o coração. O anjo enviado a Filipe poderia ter ele próprio feito a obra pelo etíope, mas essa não é a maneira de Deus agir. É Seu plano que os homens trabalhem por seus semelhantes.

Crentes de todos os séculos têm tomado parte na incumbência dada aos primeiros discípulos. Todos os que receberam o evangelho, receberam a sagrada verdade para repartir ao mundo. Os fiéis de Deus têm sido sempre destemidos missionários, consagrando seus recursos para a honra de Seu nome, e sabiamente usando seus talentos em Seu serviço.

A obra altruísta de cristãos do passado deveria ser uma lição objetiva e uma inspiração para nós. Os membros da igreja de Deus devem ser zelosos de boas obras, separando-se de ambições mundanas e seguindo nos passos dAquele que andou fazendo o bem. Com o coração repleto de simpatia e compaixão, devem eles ministrar aos que necessitam de auxílio, levando aos pecadores o conhecimento do amor do Salvador. Tal obra requer laboriosos esforços, mas produz rica recompensa. Os que nela se empenham com sinceridade de propósito verão almas salvas para o Salvador; pois a influência que acompanha a atividade prática da divina missão é irresistível.

Não somente sobre o ministro ordenado repousa a responsabilidade de sair a cumprir esta missão. Todo o que haja recebido a Cristo é chamado a trabalhar pela salvação de seus semelhantes. “O Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem.” O dever de fazer este convite inclui a igreja toda. Todo o que tenha ouvido o convite, deve fazer ecoar a mensagem pelas colinas e vales, dizendo: “Vem” (Ap 22:17).

É erro fatal supor que a obra de salvação de almas depende só do ministério. O humilde e consagrado crente sobre quem o Senhor da vinha colocou o encargo das almas, deve receber encorajamento daqueles a quem o Senhor deu maiores responsabilidades. Os que ocupam lugar de líderes na igreja de Deus devem sentir que a missão do Salvador é dada a todos os que crerem no Seu nome. Deus deseja enviar para a Sua vinha a muitos que não foram consagrados ao ministério pela imposição das mãos.

Centenas, quiçá milhares, que já ouviram a mensagem de salvação estão ainda ociosos na praça, quando podiam estar empenhados em algum setor de trabalho ativo. A esses Cristo está dizendo: “Por que estais ociosos todo o dia?”

E acrescenta: “Ide vós também para a vinha” (Mt 20:6, 7). Por que razão muitos mais não respondem ao chamado? Será porque se imaginam dispensados pelo fato de não ocuparem os púlpitos? Estes devem compreender que há uma vasta obra a ser feita fora do púlpito, por milhares de consagrados membros leigos.

Longamente tem Deus esperado que o espírito de serviço se apodere de toda a igreja, de maneira que cada um trabalhe para Ele segundo sua habilidade. Quando os membros da igreja de Deus fizerem a obra que lhes é indicada nos necessitados campos nacionais e estrangeiros, em cumprimento da comissão evangélica, todo o mundo será logo advertido, e o Senhor Jesus retornará à Terra com poder e grande glória. “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e

então virá o fim” (Mt 24:14).

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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