Cristo A Igreja

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Leitura do livro

O Grande Conflito, páginas 414-417

O santuário do Céu, no qual Jesus ministra em nosso favor, é o grande original, de que o santuário construído por Moisés foi uma cópia. Deus pôs Seu Espírito sobre os construtores do santuário terrestre. A habilidade artística patenteada no trabalho era uma manifestação da sabedoria divina. As paredes tinham a aparência de ouro maciço, refletindo em todas as direções a luz das sete lâmpadas do castiçal de ouro. A mesa dos pães da proposição e o altar do incenso fulguravam como ouro polido. A magnífica cortina que formava o teto, bordada de figuras de anjos, nas cores azul, púrpura e escarlata, aumentava a beleza do cenário. E, além do segundo véu, estava o sagrado shekinah, a visível manifestação da glória de Deus, ante a qual ninguém, a não ser o sumo sacerdote, poderia entrar e viver.

O esplendor sem-par do tabernáculo terrestre refletia à vista humana as glórias do templo celestial em que Cristo, nosso Precursor, ministra por nós perante o trono de Deus. A morada do Rei dos reis, em que milhares de milhares O servem, e milhões de milhões estão em pé diante dEle (Daniel 7:10), sim, aquele templo, repleto da glória do trono eterno, onde serafins, seus resplandecentes guardas, velam a face em adoração — não poderia encontrar na estrutura mais magnificente que hajam erigido as mãos humanas, senão pálido reflexo de sua imensidade e glória. Contudo, importantes verdades relativas ao santuário celestial e à grande obra ali levada a efeito pela redenção do homem, eram ensinadas pelo santuário terrestre e seu culto.

Os lugares santos do santuário celeste são representados pelos dois compartimentos do santuário terrestre. Sendo, em visão, concedido ao apóstolo João vislumbrar o templo de Deus nos Céus, contemplou ele, ali, “sete lâmpadas de fogo” que “diante do trono ardiam.” Apocalipse 4:5. Vi um anjo, “tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono.” Apocalipse 8:3. Foi permitido ao profeta contemplar o primeiro compartimento do santuário

celestial; e viu ali as “sete lâmpadas de fogo”, e o “altar de ouro”, representados pelo castiçal de ouro e altar de incenso, do santuário terrestre. De novo, “abriu-se no Céu o templo de Deus” (Apocalipse 11:19), e ele olhou para dentro do véu interior, ao lugar santíssimo. Ali viu “a arca do Seu concerto”, representada pelo receptáculo sagrado, construído por Moisés, para guardar a lei de Deus.

Assim, os que estavam a estudar o assunto encontraram prova indiscutível da existência de um santuário no Céu. Moisés fez o santuário terrestre segundo o modelo que lhe foi mostrado. Paulo ensina que aquele modelo era o verdadeiro santuário que está no Céu. E João dá testemunho de que o viu no Céu.

No templo celestial, morada de Deus, acha-se o Seu trono, estabelecido em justiça e juízo. No lugar santíssimo está a Sua lei, a grande regra da justiça, pela qual a humanidade toda é provada. A arca que encerra as tábuas da lei se encontra coberta pelo propiciatório, diante do qual Cristo, pelo Seu sangue, pleiteia em prol do pecador. Assim se representa a união da justiça com a misericórdia no plano da redenção humana. Somente a sabedoria infinita poderia conceber esta união, e o poder infinito realizá-la; é uma união que enche o Céu todo de admiração e adoração. Os querubins do santuário terrestre, olhando reverentemente para o propiciatório, representam o interesse com que a hoste celestial contempla a obra da redenção. Este é o mistério da misericórdia a que os anjos desejam atentar: que Deus pode ser justo, ao mesmo tempo em que justifica o pecador arrependido e renova Suas relações com a raça decaída; que Cristo pode humilhar-Se para erguer inumeráveis multidões do abismo da ruína e vesti-las com as vestes imaculadas de Sua própria justiça, a fim de se unirem aos anjos que jamais caíram e habitarem para sempre na presença de Deus.

A obra de Cristo como intercessor do homem é apresentada na bela profecia de Zacarias, relativa Aquele, “cujo nome é Renovo.” Diz o profeta: “Ele mesmo edificará o templo do

Senhor, e levará a glória, e assentar-Se-á, e dominará no Seu trono, e será sacerdote no Seu trono, e conselho de paz haverá entre Eles ambos.” Zacarias 6:13.

“Ele mesmo edificará o templo do Senhor.” Pelo Seu sacrifício e mediação, Cristo é tanto o fundamento como o edificador da igreja de Deus. O apóstolo Paulo indica-O como “a principal pedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós”, diz ele, “juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.” Efésios 2:20-22.

Ele “levará a glória.” A Cristo pertence a glória da redenção da raça decaída. Através das eras eternas, o cântico dos resgatados será: “Àquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, ... a Ele glória e poder para todo o sempre.” Apocalipse 1:5, 6.

“E assentar-Se-á, e dominará no Seu trono, e será sacerdote no Seu trono.” Agora não está “no trono de Sua glória”; o reino de glória ainda não foi inaugurado. Só depois que termine a Sua obra como mediador, Lhe dará Deus “o trono de Davi, Seu pai”, reino que “não terá fim.” Lucas 1:32, 33. Como sacerdote, Cristo está agora assentado com o Pai em Seu trono. Apocalipse 3:21. No trono, com o Ser eterno e existente por Si mesmo, é Ele o que “tomou sobre Si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre Si”; que “em tudo foi tentado, mas sem pecado”; para que possa “socorrer aos que são tentados.” “Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai.” Isaías 53:4; Hebreus 4:15; 2:18; 1 João 2:1. Sua intercessão é a de um corpo ferido e quebrantado, de uma vida imaculada. As mãos feridas, o lado traspassado, os pés cravejados, pleiteiam pelo homem decaído, cuja redenção foi comprada com tão infinito preço.

“E conselho de paz haverá entre Eles ambos.” O amor do Pai, não menos que o do Filho, é o fundamento da salvação para a raça perdida. Disse Jesus aos discípulos, antes de Se retirar deles: “Não vos digo que Eu rogarei por vós ao Pai; pois o

mesmo Pai vos ama.” João 16:26, 27. “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo.” 2 Coríntios 5:19. E no ministério do santuário, no Céu, “conselho de paz haverá entre Eles ambos.” “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16.

A pergunta — Que é o santuário? — é claramente respondida nas Escrituras. O termo “santuário”, conforme é empregado na Bíblia, refere-se primeiramente, ao tabernáculo construído por Moisés, como figura das coisas celestiais; e, em segundo lugar, ao “verdadeiro tabernáculo”, no Céu, para o qual o santuário terrestre apontava. À morte de Cristo, terminou o serviço típico. O “verdadeiro tabernáculo”, no Céu, é o santuário do novo concerto. E como a profecia de Daniel 8:14 se cumpre nesta dispensação, o santuário a que ela se refere deve ser o santuário do novo concerto. Ao terminarem os 2.300 dias, em 1844, já por muitos séculos não havia santuário sobre a Terra. Destarte, a profecia — “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”, aponta inquestionavelmente para o santuário do Céu.

A questão mais importante, porém, ainda está para ser respondida: Que é a purificação do santuário? Que houve tal cerimônia com referência ao santuário terrestre, acha-se declarado nas Escrituras do Antigo Testamento. Mas poderá no Céu haver alguma coisa a ser purificada? No Capítulo 9 de Hebreus a purificação do santuário terrestre, bem como a do celestial, encontra-se plenamente ensinada. “Quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no Céu assim se purificassem [com sangue de animais]; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes” (Hebreus 9:22, 23), ou seja, com o precioso sangue de Cristo.

A purificação, tanto no serviço típico como no real, deveria executar-se com sangue: no primeiro com sangue de animais,

O Grande Conflito · Ellen G. White

Passagem bíblica

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