Cristo A Igreja

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Leitura do livro

O Grande Conflito, páginas 403-405

alegria. O poder enternecedor do Espírito Santo conferiu aos fiéis rica medida de bênçãos, sensibilizando-lhes o coração.

Cuidadosa e solenemente os que receberam a mensagem chegaram ao tempo em que esperavam encontrar-se com o Senhor. Sentiam como primeiro dever, cada manhã, obter a certeza de estar aceitos por Deus. De corações intimamente unidos, oravam muito uns com os outros e uns pelos outros. A fim de ter comunhão com Deus, reuniam-se muitas vezes em lugares isolados, e dos campos ou dos bosques as vozes de intercessão ascendiam ao Céu. A certeza da aprovação do Salvador era-lhes mais indispensável do que o pão cotidiano; e, se alguma nuvem lhes toldava o espírito, não descansavam enquanto não fosse dissipada. Sentindo o testemunho da graça perdoadora, almejavam contemplar Aquele que de sua alma era amado.

Mas, de novo estavam destinados ao desapontamento. O tempo de expectação passou e o Salvador não apareceu. Com inabalável confiança tinham aguardado Sua vinda, e agora experimentavam o mesmo sentimento de Maria quando, indo ao túmulo do Salvador e encontrando-o vazio, exclamou em pranto: “Levaram o meu Senhor, e não sei onde O puseram.” João 20:13.

Um sentimento de terror, o receio de que a mensagem pudesse ser verdadeira, servira algum tempo de restrição ao mundo incrédulo. Passado que foi o tempo, esse sentimento não desapareceu de pronto; a princípio não ousaram exultar sobre os que foram decepcionados; mas, como sinais nenhuns da ira de Deus se vissem, perderam os temores e retomaram a exprobração e o ridículo. Numerosa classe, que tinha professado crer na próxima vinda do Senhor, renunciou à fé. Alguns, que se sentiam muito confiantes, ficaram tão profundamente feridos em seu orgulho, que pareciam estar a fugir do mundo. Como outrora Jonas, queixavam-se de Deus e preferiam a morte à vida. Os que haviam baseado sua fé nas opiniões de outrem, e não na Palavra de Deus, achavam-se agora

particular, e suas esperanças morreram com Jesus. Não puderam, antes de o Senhor triunfar do túmulo, perceber que tudo havia sido predito na profecia, e “que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos.” Atos 17:3.

Quinhentos anos antes, o Senhor declarara pelo profeta Zacarias: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu Rei virá a ti, justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta.” Zacarias 9:9. Não teriam os discípulos cumprido esta profecia, se compreendessem que Cristo Se encaminhava para o julgamento e a morte.

De igual maneira, Miller e seus companheiros cumpriram a profecia e proclamaram a mensagem que a Inspiração predissera, mas não o teriam feito se tivessem compreendido completamente as profecias que indicavam o seu desapontamento e outra mensagem a ser pregada a todas as nações antes que o Senhor viesse. As mensagens do primeiro e segundo anjos foram dadas no tempo devido e cumpriram a obra a que foram por Deus designadas.

O mundo estivera a olhar, na expectativa de que, se o tempo passasse e Cristo não aparecesse, todo o sistema do adventismo seria abandonado. Mas, enquanto muitos, sob forte tentação, deixaram a fé, alguns houve que permaneceram firmes. Os frutos do movimento adventista: o espírito de humildade e exame de coração, de renúncia ao mundo e reforma da vida, acompanharam a obra, testificando que esta era de Deus. Não ousavam os fiéis negar que o poder do Espírito Santo acompanhara a pregação do segundo advento, e não podiam descobrir erro algum na contagem dos períodos proféticos. Os mais hábeis de seus oponentes não conseguiram subverter-lhes o sistema de interpretação profética. Não poderiam consentir, sem prova bíblica, em renunciar posições que tinham sido atingidas por meio de ardoroso e devoto estudo das Escrituras, feito por inteligências iluminadas pelo Espírito de Deus, e corações

O Grande Conflito · Ellen G. White

Passagem bíblica

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