Cristo A Igreja

Plano Encontro 2 Dia 268

Dia 268 ▾
Aa
Tamanho Fonte Tema

Leitura do livro

O Grande Conflito, páginas 347-350

depois de batizado por João, no Jordão. E “o reino de Deus”, que eles declararam estar próximo, foi estabelecido pela morte de Cristo. Este reino não era, como eles haviam sido ensinados a crer, um domínio terrestre. Tampouco devia ser confundido com o reino futuro, imortal que será estabelecido quando “o reino, o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo” — reino eterno, no qual “todos os domínios O servirão e Lhe obedecerão.” Daniel 7:27. Conforme é usada na Bíblia, a expressão “reino de Deus” designa tanto o reino da graça como o de glória. O primeiro é apresentado por Paulo na epístola aos hebreus. Depois de apontar para Cristo, o compassivo Intercessor que pode “compadecer-Se de nossas fraquezas”, diz o apóstolo: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça.” Hebreus 4:16. O trono da graça representa o reino da graça; pois a existência de um trono implica a de um reino. Em muitas parábolas Cristo usa a expressão “o reino dos Céus”, para designar a obra da graça divina no coração dos homens.

Assim, o trono de glória representa o reino de glória; e a este reino fazem referência as palavras do Salvador: “Quando o Filho do homem vier em Sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então Se assentará no trono de Sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dEle.” Mateus 25:31, 32. Este reino está ainda no futuro. Não será estabelecido antes do segundo advento de Cristo.

O reino da graça foi instituído imediatamente depois da queda do homem, quando fora concebido um plano para a redenção da raça culpada. Existiu ele então no propósito de Deus e pela Sua promessa; e mediante a fé os homens podiam tornar-se súditos seus. Contudo, não foi efetivamente estabelecido antes da morte de Cristo. Mesmo depois de entrar para o Seu ministério terrestre, o Salvador, cansado pela obstinação e ingratidão dos homens, poderia ter-Se recusado ao sacrifício do Calvário. No Getsêmani, a taça de

amarguras tremia-Lhe na mão. Ele poderia naquele momento ter enxugado o suor de sangue da fronte, abandonando a raça criminosa para que perecesse em sua iniqüidade. Houvesse Ele feito isto, e não teria havido redenção para o homem caído. Quando, porém, o Salvador rendeu a vida, e em Seu último alento clamou: “Está consumado”, assegurou-se naquele instante o cumprimento do plano da redenção. Ratificou-se a promessa de libertamento, feita no Éden, ao casal pecador. O reino da graça, que antes existira pela promessa de Deus, foi então estabelecido.

Destarte, a morte de Cristo — o próprio acontecimento que os discípulos encararam como a destruição final de suas esperanças — foi o que as confirmou para sempre. Conquanto lhes houvesse acarretado cruel decepção, foi a prova máxima de que sua crença era correta. O acontecimento que os enchera de pranto e desespero, foi o que abrira a porta da esperança a todo filho de Adão, e no qual se centralizava a vida futura e a felicidade eterna de todos os fiéis de Deus, de todos os séculos.

Estavam a cumprir-se os desígnios da misericórdia infinita, mesmo por meio do desapontamento dos discípulos. Se bem que o coração deles tivesse sido ganho pela graça divina e pelo poder do ensino dAquele que falou como homem algum jamais falara, todavia, de mistura com o ouro puro do amor para com Jesus, achava-se a liga vil do orgulho humano e das ambições egoístas. Mesmo na sala da páscoa, na hora solene em que o Mestre já estava a entrar na sombra do Getsêmani, houve “entre eles contenda, sobre qual deles parecia ser o maior.” Lucas 22:24. Nada mais viam senão o trono, a coroa e a glória, enquanto precisamente diante deles se achavam a ignomínia e agonia do jardim, do tribunal, da cruz do Calvário. O orgulho no coração e a sede de glória mundana é que os levou a apegar-se tão tenazmente ao falso ensino de seu tempo, e deixar despercebidas as palavras do Salvador que mostravam a

verdadeira natureza de Seu reino e apontavam para a Sua agonia e morte. E destes erros resultou a prova — dura mas necessária que fora permitida para corrigi-los. Embora os discípulos houvessem compreendido mal o sentido de Sua mensagem, e vissem frustradas suas esperanças, tinham contudo pregado a advertência a eles dada por Deus, e o Senhor lhes recompensaria a fé e honraria a obediência. A eles fora confiada a obra de anunciar a todas as nações o evangelho glorioso do Senhor ressuscitado. A fim de prepará-los para essa obra, fora permitida a experiência que lhes pareceu tão amarga.

Depois de Sua ressurreição Jesus apareceu a Seus discípulos no caminho para Emaús, e, “começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dEle se achava em todas as Escrituras.” Lucas 24:27. Comoveu-se o coração dos discípulos. Avivou-se-lhes a fé. Foram “de novo gerados para uma viva esperança”, mesmo antes que Jesus Se lhes revelasse. Era propósito de Cristo iluminar-lhes o entendimento, firmando-lhes a fé na “firme palavra da profecia.” Desejava que no espírito deles a verdade criasse sólidas raízes, não meramente porque fosse apoiada por Seu testemunho pessoal, mas por causa da evidência inquestionável apresentada pelos símbolos e sombras da lei típica e pelas profecias do Antigo Testamento. Era necessário aos seguidores de Cristo ter fé inteligente, não só em favor de si próprios, mas para que pudessem levar o conhecimento de Cristo ao mundo. E, como primeiro passo no comunicar este conhecimento, Jesus encaminhou Seus discípulos para “Moisés e os profetas.” Este foi o testemunho dado pelo Salvador ressuscitado quanto ao valor e importância das Escrituras do Antigo Testamento.

Que mudança se operou no coração dos discípulos, ao contemplarem mais uma vez o amado semblante do Mestre! Lucas 24:32. Em sentido mais completo e perfeito do que nunca, haviam “achado Aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas.” A incerteza, a angústia e o desespero deram

lugar a segurança perfeita e esclarecida fé. Não admira que, depois de Sua ascensão, estivessem “sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus.” O povo, sabendo apenas da morte ignominiosa do Salvador, procurava ver no rosto deles a expressão de tristeza, confusão e derrota; viam, porém, ali, alegria e triunfo. Que preparo receberam estes discípulos para a obra que se achava diante deles! Tinham passado pela mais severa prova que lhes era possível experimentar, e visto como a Palavra de Deus se cumprira triunfantemente, quando, segundo a visão humana, tudo se achava perdido. Que poderia, dali em diante, intimidar-lhes a fé ou arrefecer-lhes o ardoroso amor? Na mais aguda tristeza tinham “firme consolação”, e uma esperança que era “como âncora da alma segura e firme.” Hebreus 6:18, 19. Haviam sido testemunhas da sabedoria e poder de Deus e estavam certos “de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura”, seria capaz de os separar “do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” “Em todas estas coisas”, disseram eles, “somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou.” Romanos 8:38, 39, 37. “A Palavra do Senhor permanece para sempre.” 1 Pedro 1:25. E “quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.” Romanos 8:34.

Diz o Senhor: “O Meu povo não será envergonhado para sempre.” Joel 2:26. “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Salmos 30:5. Quando no dia da ressurreição esses discípulos encontraram o Salvador e lhes ardia o coração ao ouvirem Suas palavras; quando olharam para a cabeça, mãos e pés que por amor deles tinham sido feridos; quando, antes de Sua ascensão, Jesus os levou até Betânia, e erguendo as mãos para os abençoar, lhes ordenou: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho”, acrescentando:

O Grande Conflito · Ellen G. White

Passagem bíblica

Abrir em sua própria página