Cristo A Igreja

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O Grande Conflito, páginas 176-178

ofertas e, conseqüentemente, no salário de Zwínglio, que delas era tirado. Mas isto apenas lhe causava alegria, vendo ele que o poder do fanatismo e superstição estava sendo quebrado.

As autoridades da igreja não tinham os olhos fechados à obra que Zwínglio estava realizando; mas no momento elas se abstiveram de intervir. Esperando ainda consegui-lo para a sua causa, esforçaram-se por ganhá-lo com lisonjas; e, nesse ínterim, a verdade estava a obter posse do coração do povo.

Os trabalhos de Zwínglio em Einsiedeln haviam-no preparado para um campo mais vasto, e neste logo deveria entrar. Depois de três anos ali, foi chamado para o cargo de pregador na catedral de Zurique. Esta era então a cidade mais importante da confederação suíça, e seria amplamente sentida a influência ali exercida. Os eclesiásticos, a cujo convite fora a Zurique, estavam entretanto desejosos de impedir quaisquer inovações, e de acordo com isto se puseram a instruí-lo a respeito de seus deveres.

“Farás todo o esforço”, disseram eles, “para coletar as receitas do capítulo, sem desprezar a menor. Exortarás os fiéis, tanto do púlpito como no confessionário, a pagar seus dízimos e impostos, e a mostrar, por ofertas, sua afeição para com a igreja. Serás diligente em aumentar as rendas que se arrecadam dos doentes, das missas e em geral de toda a ordenança eclesiástica.” “Quanto à administração dos sacramentos, à pregação e ao cuidado do rebanho”, acrescentaram seus instrutores, “são também deveres do capelão. Para estes, porém, podes empregar um substituto, e particularmente no pregar. Não administrarás o sacramento a ninguém, a não ser a pessoas notáveis, e unicamente quando chamado; proíbe-se fazeres isto sem distinção de pessoas.” — D’Aubigné:

Zwínglio ouviu em silêncio esta ordem e, em resposta, depois de exprimir sua gratidão pela honra de um chamado para este importante posto, pôs-se a explicar o método de ação que

se propusera adotar. “A vida de Cristo”, disse ele, “tem por demasiado tempo sido oculta do povo. Pregarei acerca do evangelho todo de Mateus, ... tirando unicamente das fontes das Escrituras, sondando suas profundidades, comparando uma passagem com outra, e buscando compreensão pela prece constante e fervorosa. À glória de Deus, ao louvor de Seu único Filho, à salvação real das almas e à sua edificação na verdadeira fé, é que eu consagrarei meu ministério.” — D’Aubigné. Posto que alguns dos eclesiásticos reprovassem este plano e se esforçassem por dissuadi-lo do mesmo, Zwínglio permaneceu firme. Declarou que não estava para introduzir nenhum método novo, mas o antigo método empregado pela igreja nos primitivos e mais puros tempos.

Já se havia despertado interesse nas verdades que ele ensinava, e o povo afluía em grande número para ouvir sua pregação. Muitos que tinham deixado de assistir ao culto havia muito tempo, achavam-se entre os ouvintes. Iniciou seu ministério abrindo os evangelhos e lendo e explicando aos ouvintes a inspirada narrativa da vida, ensinos e morte de Cristo. Ali, como em Einsiedeln, apresentava a Palavra de Deus como a única autoridade infalível, e a morte de Cristo como o único sacrifício completo. “É a Cristo”, dizia ele, “que eu desejo conduzir-vos; a Cristo, a verdadeira fonte da salvação.” — D’Aubigné. Em redor do pregador acotovelava-se o povo de todas as classes, desde estadistas e eruditos, até os operários e camponeses. Com profundo interesse escutavam suas palavras. Não somente proclamava o oferecimento de uma salvação gratuita, mas destemidamente reprovava os males e corrupções dos tempos. Muitos voltavam da catedral louvando a Deus. “Este homem”, diziam, “é um pregador da verdade. Ele será nosso Moisés, para tirar-nos das trevas egípcias.” — D’Aubigné.

Mas, conquanto a princípio seus trabalhos fossem recebidos com grande entusiasmo, depois de algum tempo surgiu a oposição. Os monges puseram-se a entravar-lhe a obra e condenar-lhe os ensinos. Muitos o assaltavam com zombarias

e escárnios; outros recorriam à insolência e ameaças. Zwínglio, porém, suportou tudo com paciência, dizendo: “Se desejamos ganhar os ímpios para Jesus Cristo, devemos fechar os olhos a muitas coisas.” — D’Aubigné.

Por este tempo um novo fator apareceu para promover a obra da Reforma. Um amigo da fé reformada, de Basiléia, enviou a Zurique certo Luciano com alguns dos escritos de Lutero, sugerindo que a venda desses livros poderia ser extraordinário meio para difundir a luz. “Verificai”, escreveu ele a Zwínglio, “se este homem possui prudência e habilidade suficientes; se assim for, ele que leve de cidade em cidade, de vila em vila, de aldeia em aldeia, e mesmo de casa em casa, entre suíços, as obras de Lutero, e especialmente sua exposição sobre a oração do Senhor, escrita para os leigos. Quanto mais forem conhecidas, tanto mais compradores encontrarão.” — D’Aubigné. Assim teve entrada a luz.

Na ocasião em que Deus Se prepara para quebrar as algemas da ignorância e superstição, então é que Satanás opera com o máximo poder para envolver os homens em trevas e segurar seus grilhões ainda mais firmemente. Estando a surgir nos diferentes países homens a apresentar ao povo o perdão e a justificação pelo sangue de Cristo, Roma prosseguiu com renovada energia a abrir seu mercado por toda a cristandade, oferecendo por dinheiro o perdão.

Todo pecado tinha seu preço, e aos homens se concedia livre permissão para o crime, contanto que o tesouro da igreja se conservasse cheio. Destarte, ambos os movimentos prosseguiram: um oferecendo o perdão do pecado por dinheiro, o outro, mediante Cristo; Roma permitindo o pecado e dele fazendo sua fonte de renda, os reformadores condenando o pecado e apontando para Cristo como a propiciação e o libertador.

Na Alemanha, a venda das indulgências fora confiada aos frades dominicanos, e era dirigida pelo infame Tetzel. Na Suíça, foi a mesma entregue aos franciscanos, sob a direção de Sansão, monge italiano. Sansão prestara já bom serviço à

O Grande Conflito · Ellen G. White

Passagem bíblica

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