Cristo A Igreja

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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 268-269

Capítulo 51 — Um Fiel Subpastor

Pouca menção se faz no livro de Atos quanto ao último trabalho do apóstolo Pedro. Durante os ativos anos de ministério que se seguiram ao derramamento do Espírito no dia do Pentecostes, ele se encontrava entre os que se empenhavam incansavelmente para entrar em contato com os judeus que vinham a Jerusalém para adorar por ocasião das festividades anuais.

Aumentando o número de crentes em Jerusalém e outros lugares visitados pelos mensageiros da cruz, os talentos do apóstolo Pedro se provaram de inestimável valor para a primitiva igreja cristã. A influência de seu testemunho referente a Jesus de Nazaré se estendia amplamente. Sobre ele havia sido posta dupla responsabilidade. Dava ele perante os incrédulos positivo testemunho com respeito ao Messias, trabalhando fervorosamente para a conversão deles, fazendo ao mesmo tempo trabalho especial pelos crentes, fortalecendo-os na fé em Cristo.

Foi depois de haver sido levado à renúncia do eu e à inteira confiança no poder divino, que Pedro recebeu o chamado para agir como um subpastor. Cristo havia dito a Pedro, antes de este O haver negado: “Quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22:32). Essas palavras denotavam a ampla e eficiente obra que este apóstolo devia fazer no futuro pelos que viessem para a fé. Para esta obra a própria experiência do pecado, do sofrimento e arrependimento de Pedro o havia preparado. Não antes que tivesse ele reconhecido sua fraqueza, poderia conhecer a necessidade que tem o crente de confiar em Cristo. Em meio à tormenta da tentação ele compreendeu que o homem só pode andar seguramente quando, em absoluta desconfiança própria, confia no Salvador.

Na última reunião de Cristo com Seus discípulos junto ao mar, Pedro, provado pela pergunta três vezes repetida: “Amas-Me?” (Jo 21:15-17) tinha sido reabilitado em seu lugar entre os doze. Sua obra tinha-lhe sido indicada - alimentar o rebanho do Senhor. Agora, convertido e aceito, devia ele não somente buscar salvar os que estavam fora do redil, mas devia ser um pastor do rebanho.

Cristo fez menção a Pedro de uma única condição de serviço - “Amas-Me?” João 21:17. Esta é a qualificação essencial. Mesmo que Pedro possuísse todas as outras, sem o amor de Cristo ele não seria um fiel pastor do rebanho de Deus. Conhecimento, benevolência, eloqüência, zelo - tudo isto é essencial para um bom trabalho; mas sem o amor de Cristo no coração, a obra do ministro cristão é um fracasso.

O amor de Cristo não é um sentimento volúvel, mas um princípio vivo, o qual se manifesta como um poder permanente no coração. Se o caráter e a conduta do pastor são um exemplo da verdade que advoga, o Senhor porá em sua obra o selo de Sua aprovação. O pastor e o rebanho serão um, unidos pela comum esperança em Cristo.

A maneira do Salvador tratar com Pedro tinha uma lição para ele e para seus irmãos.

Conquanto tivesse Pedro negado a seu Senhor, o amor de Jesus por ele jamais vacilara. E ao assumir o apóstolo o encargo de ministrar a outros, devia tratar o transgressor com paciência, simpatia e compassivo amor. Lembrando sua própria fraqueza e queda, devia tratar as ovelhas e cordeiros entregues a seu cuidado com a mesma ternura que Cristo tivera com ele.

Os seres humanos, dados eles próprios ao mal, são inclinados a tratar duramente com os tentados e os que erram. Eles não podem ler o coração; não conhecem suas lutas e pesares. Necessitam aprender a respeito da repreensão que é amor, do golpe que fere para curar, da advertência que fala de esperança.

Durante seu ministério, Pedro vigiou fielmente o rebanho que lhe fora confiado, tornando-se assim digno do encargo e responsabilidades que lhe foram outorgados pelo Salvador. Exaltou sempre a Jesus de Nazaré como a Esperança de Israel, o Salvador da humanidade. Mantinha sua própria vida sob a disciplina do Mestre por excelência. Buscava, por todos os meios ao seu alcance, educar os crentes para o serviço ativo. Seu piedoso exemplo e incansável atividade inspiravam muitos jovens promissores a se entregarem inteiramente à obra do ministério. Com o passar do tempo a influência do apóstolo como educador e líder cresceu; e conquanto jamais perdesse de vista sua preocupação de trabalhar especialmente pelos judeus, levou contudo seu testemunho a muitas terras, e fortaleceu a fé de multidões no evangelho.

Nos últimos anos de seu ministério, Pedro foi inspirado a escrever aos crentes “dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1Pe 1:11). Suas epístolas foram o meio de reavivar o ânimo e fortalecer a fé daqueles que estavam sofrendo provas e aflições, e de renovar as boas obras dos que, assediados por tentações de toda ordem, estavam em perigo de perder seu apego a Deus. Essas cartas levam a impressão de terem sido escritas por alguém em quem os sofrimentos de Cristo, bem como Sua consolação, tinham sido abundantes; alguém cujo ser todo tinha sido transformado pela graça, e cuja esperança de vida eterna era certa e firme.

No início de sua primeira carta, o encanecido servo de Deus rende a seu Senhor tributo de louvor e graças. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”, exclama, “que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos Céus para vós, que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo” (1Pe 1:3-5).

Nesta esperança de uma herança segura na Terra renovada rejubilavam-se os primeiros cristãos, mesmo em tempos de severa prova e aflição. “Em que vós grandemente vos alegrais”, escreveu Pedro, “ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações. Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; ao qual, não O havendo visto, amais; no qual, não O vendo agora... vos alegrais com gozo inefável e glorioso; alcançando o fim da vossa fé, a salvação das almas” (1Pe 1:6-9).

As palavras do apóstolo foram escritas com o objetivo de instruir os crentes de todas

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

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