Cristo A Igreja

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Atos dos Apóstolos, páginas 35-36

evidências de que os apóstolos estavam falando e agindo sob a divina inspiração, mas eles firmemente resistiram à mensagem da verdade. Cristo não tinha vindo da maneira como esperavam, e embora às vezes tivessem estado convictos de que Ele era o Filho de Deus, fizeram calar a convicção e O crucificaram. Em misericórdia Deus lhes deu novas provas, e agora outra oportunidade era-lhes concedida para voltarem a Ele. Ele enviou os discípulos para dizer-lhes que haviam matado o Príncipe da vida, e nesta terrível acusação deu-lhes outra oportunidade para arrependimento. Mas sentindo-se seguros em sua própria justiça, os ensinadores judeus recusaram-se a admitir que os homens que os acusavam de haverem crucificado a Cristo estivessem falando pela direção do Espírito Santo.

Tendo-se entregue a uma atitude de oposição a Cristo, cada ato de resistência tornava-se para os sacerdotes um adicional incentivo para prosseguirem nesse procedimento. Sua obstinação tornara-se mais e mais determinada. Não que eles não se pudessem render; podiam, mas não o queriam. Não era só porque fossem culpados e merecedores de morte, nem apenas por terem levado à morte o Filho de Deus, que estavam apartados da salvação; mas porque se armaram de oposição contra Deus. Persistentemente rejeitaram a luz, e sufocaram as convicções do Espírito. A influência que controla os filhos da desobediência operava neles, levando-os a maltratar os homens por cujo intermédio Deus estava agindo. A malignidade de sua rebelião era intensificada por todo ato sucessivo de resistência contra Deus e contra a mensagem que Ele mandara transmitir por Seus servos. Cada dia, em sua recusa de se arrepender, os líderes judeus retomavam sua rebelião, preparando-se para ceifar o que estavam semeando.

A ira de Deus não é declarada contra pecadores impenitentes, apenas por causa dos pecados por eles cometidos, mas porque, quando chamados a arrepender-se escolhem continuar em resistência, repetindo os pecados do passado em desafio à luz que lhes era dada. Se os líderes judeus se tivessem submetido ao convincente poder do Espírito Santo, teriam sido perdoados; mas eles estavam determinados a não se render. De igual forma, o pecador, por contínua resistência, coloca-se onde o Espírito Santo não o pode influenciar.

No dia seguinte ao da cura do coxo, Anás e Caifás, com os outros dignitários do templo, reuniram-se para o julgamento, e os prisioneiros foram trazidos perante eles. No mesmo recinto, e diante de alguns dos mesmos homens, Pedro tinha vergonhosamente negado seu Senhor. Isto lhe veio claramente à memória, ao comparecer ele próprio para ser julgado. Agora tinha oportunidade para reparar sua covardia.

Os presentes que se lembravam da parte que Pedro havia desempenhado no julgamento de seu Mestre, lisonjeavam-se de que ele seria intimidado pela ameaça de prisão e morte. Mas o Pedro que negara a Cristo na hora de sua maior necessidade, era impulsivo e cheio de confiança própria, diferindo grandemente do Pedro que fora trazido perante o Sinédrio para ser interrogado. Depois de sua queda ele se havia convertido. Não era mais orgulhoso e jactancioso, mas modesto e sem confiança em si mesmo. Estava cheio do Espírito Santo, e pelo auxílio deste poder estava resolvido a remover a mancha de sua apostasia, honrando o nome que repudiara.

Até ali os sacerdotes tinham evitado mencionar a crucifixão ou ressurreição de Jesus.

Mas agora, em cumprimento de seu propósito, foram obrigados a indagar do acusado como se efetuara a cura do inválido. “Com que poder, ou em nome de quem fizestes isto?” perguntaram. At 4:7.

Com santa ousadia e no poder do Espírito, destemidamente Pedro declarou: “Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, Aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dos mortos, em nome dEsse é que este está são diante de vós. Ele é a Pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4:10-12).

Esta corajosa defesa aterrou os chefes judeus. Haviam suposto que os discípulos seriam vencidos pelo temor e confusão, quando trazidos perante o Sinédrio. Mas em vez disto, aquelas testemunhas falavam como Cristo havia falado, com um poder convincente que silenciava os adversários. Não havia indício de temor na voz de Pedro, quando declarou acerca de Cristo: “Ele é a Pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina” (At 4:11).

Pedro usou aqui uma figura de linguagem familiar aos sacerdotes. Os profetas haviam falado da pedra rejeitada; e o próprio Cristo, falando uma ocasião aos sacerdotes e anciãos, disse: “Nunca lestes nas Escrituras: A Pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça de ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos? Porquanto Eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta Pedra despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó” (Mt 21:42-44).

Ao ouvirem os sacerdotes as destemidas palavras dos apóstolos, “tinham conhecimento que eles haviam estado com Jesus” (At 4:13).

Depois da transfiguração de Cristo, é dito dos discípulos que ao fim da maravilhosa cena, “ninguém viram senão unicamente a Jesus” (Mt 17:8).

Nas palavras “unicamente a Jesus”, está contido o segredo da vida e do poder que marcaram a história da igreja primitiva. Ao ouvirem pela primeira vez as palavras de Cristo, os discípulos sentiram sua necessidade dEle. Eles O buscaram, O acharam e O seguiram. Com Ele estavam no templo, à mesa, na encosta das montanhas ou no campo. Eram como alunos com o professor, dEle recebendo diariamente lições da eterna verdade.

Após a ascensão do Salvador, o senso da divina presença, plena de amor e luz, permanecia ainda com eles. Era uma presença pessoal. Jesus, o Salvador, que tinha andado com eles, com eles falado e orado, que lhes falara de esperança e conforto ao coração, tinha sido tomado deles para o Céu, quando a mensagem de paz ainda estava em Seus lábios. Enquanto o séquito de anjos, O recebia, dEle lhes vieram as palavras: “Eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28:20). Ele havia ascendido ao Céu na forma humana. Sabiam que, diante do trono de Deus, Ele ainda era seu Salvador e Amigo; sabiam que Sua simpatia era imutável; que Ele estaria para sempre identificado com a humanidade sofredora. Sabiam que Ele estava apresentando diante de Deus os méritos de Seu sangue, mostrando Suas mãos e pés feridos, como lembrança do preço que havia pago por Seus redimidos; e este pensamento

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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