Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 105
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 177-178
a Mim, vós, toda a nação.” Mal. 3:8, 9.
O espírito de liberalidade é o espírito do Céu. Este espírito encontra sua mais alta manifestação no sacrifício de Cristo sobre a cruz. Em nosso benefício o Pai deu Seu único Filho; e Cristo, tendo renunciado a tudo o que possuía, deu-Se a Si mesmo, para que o homem pudesse ser salvo. A cruz do Calvário deve ser um apelo à beneficência de cada seguidor de Cristo. O princípio aí ilustrado é dar, dar. “Aquele que diz que está nEle, também deve andar como Ele andou.” I João 2:6.
Por outro lado, o espírito de egoísmo é o espírito de Satanás. O princípio ilustrado na vida dos mundanos é receber, receber. Assim esperam eles conseguir felicidade e conforto, mas o fruto do que semeiam é miséria e morte.
Não antes que Deus cesse de abençoar Seus filhos estarão eles livres da obrigação de Lhe devolver a porção que Ele reclama. Não apenas deverão eles devolver ao Senhor o que Lhe pertence, mas também levar ao Seu tesouro, como oferta de gratidão, um donativo liberal. Com o coração jubiloso deve dedicar ao Criador as primícias de sua generosidade - suas mais bem escolhidas posses, seu melhor e mais santo serviço. Assim alcançarão ricas bênçãos. Deus mesmo tornará sua alma como um jardim regado, cujas águas não faltem. E quando a última grande colheita estiver recolhida, os molhos que são habilitados a trazer ao Mestre serão a recompensa do uso abnegado dos talentos a eles entregues.
Os mensageiros escolhidos de Deus, empenhados em árduo trabalho, jamais deveriam ser compelidos a entrar na luta a sua própria custa, sem o compreensivo e cordial auxílio de seus irmãos. É a parte dos membros da igreja repartir liberalmente com os que põem de lado seus afazeres seculares para que se possam dar a si mesmos ao ministério. Quando os ministros de Deus são encorajados, Sua causa avança grandemente. Quando, porém, por causa do egoísmo dos homens, seu justo sustento é retido, suas mãos se enfraquecem, e muitas vezes sua utilidade é seriamente prejudicada.
O desprazer de Deus é despertado contra os que professam ser Seus seguidores, e no entanto permitem que consagrados obreiros padeçam necessidade, enquanto empenhados em ministério ativo. Essas criaturas egoístas serão chamadas a prestar contas, não apenas pelo abuso do dinheiro do seu Senhor, mas também pela depressão e angústia que sua conduta fez pesar sobre Seus fiéis servos. Os que são chamados para a obra do ministério, e ao chamado do dever renunciam a tudo e se empenham no serviço de Deus, devem receber por seus abnegados esforços salários suficientes para se manterem e a suas famílias.
Nos diversos departamentos de atividades seculares, mentais e físicas, trabalhadores fiéis podem ganhar bons salários. Não é a obra de disseminar a verdade e de levar almas a Cristo de mais importância que qualquer atividade ordinária? E não são, os que fielmente se empenham nesta obra, com justiça merecedores de ampla remuneração? Por nossa estimativa do valor relativo de trabalho para o bem físico e o espiritual, mostramos nossa apreciação do celestial em contraste com o terreno.
A fim de que haja fundos na tesouraria para a manutenção do ministério, e para atender aos pedidos de auxílio para empreendimentos missionários, é necessário que o povo de Deus dê alegre e liberalmente. Solene responsabilidade repousa sobre os
pastores, qual seja a de expor perante as igrejas as necessidades da causa de Deus e ensiná-las a ser liberais. Quando isto é negligenciado, e as igrejas deixam de contribuir para as necessidades de outros, não somente a causa do Senhor sofre, mas é retirada a bênção que deveria vir sobre os crentes.
Mesmo o mais pobre deve levar a Deus a sua oferta. Devem eles ser repartidores da graça de Cristo, mediante o negarem-se a si mesmos para ajudar aqueles cujas necessidades são mais prementes que a deles próprios. A dádiva do pobre, fruto da abnegação, sobe perante Deus como suave incenso. E cada ato de abnegado sacrifício fortalece o espírito de beneficência no coração do doador, aliando-o mais intimamente Àquele que era rico, e por amor a nós Se fez pobre, para que por Sua pobreza enriquecêssemos.
O ato da viúva que deitou na arca duas pequenas moedas - tudo quanto possuía - é posto em realce para encorajamento dos que, lutando com a pobreza, ainda desejam com suas dádivas ajudar a causa de Deus. Cristo chamou a atenção dos discípulos para esta mulher, que dera “todo o seu sustento” (Mc 12:44). Ele considerou sua dádiva de maior valor que as grandes ofertas daqueles cujos óbolos não representavam abnegação. Deram de sua abundância uma pequena porção. Para dar a sua oferta a viúva se havia privado mesmo dos gêneros de primeira necessidade, confiando em Deus para o suprimento de suas necessidades para o dia de amanhã. A respeito dela, declarou o Salvador: “Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro” (Mc 12:43). Assim ensinou Ele que o valor da oferta é estimado, não pela quantidade, mas pela proporção em que é dada e pelos motivos que animaram o doador.
O apóstolo Paulo, em seu ministério entre as igrejas, foi incansável em seus esforços para inspirar no coração dos novos conversos o desejo de fazer grandes coisas pela causa de Deus. Muitas vezes ele os exortava à liberalidade. Falando aos anciãos de Éfeso sobre suas anteriores atividades entre eles, disse: “Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20:35). “E digo isto”, escreveu ele aos coríntios, “que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância também ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2Co 9:6, 7).
Quase todos os crentes da Macedônia, eram pobres em bens deste mundo, mas seu coração estava transbordando com o amor a Deus e Sua verdade, e alegremente deram para o sustento do evangelho. Quando as coletas gerais foram tiradas entre as igrejas gentílicas para socorro aos crentes judeus, a liberalidade dos conversos da Macedônia foi exaltada como um exemplo para as outras igrejas. Escrevendo aos crentes coríntios, o apóstolo chamou-lhes a atenção para “a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder... e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente, pedindo-nos com muitos rogos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos” (2Co 8:1-4).
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White