Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 103
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 173-174
suportaram estavam gastando suas forças. “E assim nós, que vivemos”, escreveu, “estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em a nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida” (2Co 4:11, 12). Sofrendo fisicamente através de privações e fadigas, esses ministros de Cristo estavam imitando Sua morte. Mas o que neles estava operando a morte, levava vida e saúde espiritual aos coríntios que, por crerem na verdade, estavam sendo feitos participantes da vida eterna. Em vista disto, os seguidores de Jesus deviam ser cuidadosos para não aumentar, por negligência e desafeição, as cargas e trabalhos dos obreiros.
“E temos portanto o mesmo espírito de fé”, continuou Paulo, “como está escrito: Cri, por isso falei. Nós cremos também, por isso também falamos.” 2Co 4:13. Plenamente convencido da realidade da verdade a ele confiada, nada poderia induzir Paulo a manejar a Palavra de Deus enganosamente, ou a ocultar as convicções de sua alma. Ele não compraria riquezas, honra ou prazeres mediante o conformar-se com as opiniões do mundo. Embora em constante perigo de martírio por causa da fé que havia pregado aos coríntios, não estava intimidado; pois sabia que Aquele que havia morrido e ressuscitado poderia ressuscitá-lo da sepultura, e apresentá-lo ao Pai.
“Porque tudo isso é por amor de vós”, declarou, “para que a graça, multiplicada por meio de muitos, torne abundante a ação de graças, para glória de Deus” (2Co 4:15). Não para o engrandecimento próprio pregavam os apóstolos o evangelho. Era a esperança de salvar almas que os levava a devotar a vida a este trabalho. E era esta esperança que os livrara de cessar seus esforços pelo temor dos perigos que os ameaçavam ou do sofrimento real.
“Por isso”, declarou Paulo, “não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia” (2Co 4:16). Paulo sentia o poder do inimigo; mas embora sua força física estivesse declinando, fiel e inabalavelmente ele declarava o evangelho de Cristo. Revestido de toda armadura de Deus, este herói da cruz prosseguia no conflito. Sua voz animosa proclamava-o triunfante no combate. Olhos fitos na recompensa dos fiéis, ele exclamava em tom de vitória: “A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2Co 4:17, 18).
Muito ardente e tocante é o apelo do apóstolo para que seus irmãos coríntios considerassem de novo o incomparável amor de seu Redentor. “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo”, escreveu, “que, sendo rico, por amor de vós Se fez pobre; para que pela Sua pobreza enriquecêsseis” (2Co 8:9). Conheceis a altura de onde Ele baixou; a profundeza da humilhação a que desceu. Uma vez tendo entrado na senda da renúncia e do
sacrifício, não recuou até que tivesse dado a vida. Não houve repouso para Ele entre o trono e a cruz.
Demoradamente Paulo considerou ponto por ponto, para que todos os que lessem sua epístola pudessem compreender amplamente a maravilhosa condescendência do Salvador em seu benefício. Apresentando a Cristo ao tempo em que Ele estava em igualdade com
Deus e com Ele recebendo homenagem dos anjos, o apóstolo traçou Seu caminho até que Ele alcançou as mais baixas profundezas da humilhação. Paulo estava convencido de que se fossem levados a compreender o estupendo sacrifício feito pela majestade do Céu, todo o egoísmo seria banido da vida deles. Ele mostrou como o Filho de Deus tinha posto de lado Sua glória, submetendo-Se voluntariamente às condições da natureza humana; e então Se humilhara como servo, tornando-Se obediente até a morte, “e morte de cruz” (Fp 2:8), para que pudesse levantar o homem caído, da degradação à esperança, à alegria e ao Céu.
Quando estudamos o caráter divino à luz da cruz, vemos a misericórdia, a compaixão e o perdão, misturados à eqüidade e à justiça. Vemos no trono Alguém tendo nas mãos, nos pés e no lado as marcas do sofrimento suportado para reconciliar o homem com Deus. Vemos um Pai, infinito, habitando na luz inacessível e todavia recebendo-nos para Si através dos méritos de Seu Filho. A nuvem de vingança que ameaçava apenas miséria e desespero, à luz da cruz refletida revela as palavras de Deus: Vive, pecador, vive! Penitente e crente alma, vive! Eu paguei o resgate!
Na contemplação de Cristo demoramo-nos na praia de um amor sem limites. Procuramos falar deste amor, e a linguagem falha. Consideramos Sua vida sobre a Terra, Seu sacrifício por nós, Sua obra no Céu como nosso Advogado e as mansões que Ele está preparando para os que O amam; e não podemos mais que exclamar: Ó altura e profundidade do amor de Cristo! “Nisto está a caridade, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho em propiciação pelos nossos pecados.” I João 4:10. “Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus.” I João 3:1.
Em cada verdadeiro discípulo, este amor, como fogo sagrado, arde no altar do coração. Foi sobre a Terra que o amor de Deus foi revelado por meio de Cristo. É sobre a Terra que Seus filhos devem refletir este amor mediante uma vida irrepreensível. Assim serão os pecadores levados à cruz, a fim de contemplarem o Cordeiro de Deus.
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White