Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 101
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 170-171
Que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo” (2Co 7:11).
Por algum tempo Paulo estivera levando um peso de alma pelas igrejas - um peso tão grande que ele mal o podia suportar. Falsos ensinadores haviam buscado destruir sua influência entre os crentes, inculcando-lhes suas próprias doutrinas em lugar da verdade evangélica. As perplexidades e desencorajamento de que Paulo se achava rodeado são revelados nestas palavras: “Fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos” (2Co 1:8).
Agora, porém, uma causa de ansiedade estava removida. Ao receber as novas da aceitação de sua carta aos coríntios, Paulo prorrompeu em palavras de júbilo: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo. Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação é, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos; e a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação” (2Co 1:3-7).
Expressando seu júbilo pela reconversão deles e crescimento na graça, Paulo tributa a Deus todo o louvor por esta transformação do coração e da vida. “Graças a
Deus”, exclamou, “que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar o cheiro do Seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem” (2Co 2:14, 15). Era costume da época um general vitorioso numa guerra conduzir em seu retorno um séquito de cativos. Em tais ocasiões eram designados incensadores, e na triunfal marcha de regresso do exército, o suave odor era para os cativos destinados para morrer, um cheiro de morte, o qual indicava estarem eles próximos da execução; mas para os prisioneiros que haviam alcançado o favor de seus captores, e cuja vida devia ser poupada, era um cheiro de vida, pois isto lhes indicava estarem perto da libertação.
Paulo estava agora cheio de fé e esperança. Sentia que Satanás não haveria de triunfar sobre a obra de Deus em Corinto, e em palavras de louvor extravasou a gratidão que lhe ia na alma. Ele e seus colaboradores celebraram sua vitória sobre os inimigos de Cristo e da verdade, saindo com novo zelo para estender o conhecimento do Salvador. À semelhança do incenso, a fragrância do evangelho devia ser difundida através do mundo. Aos que aceitassem a Cristo, a mensagem seria um cheiro de vida para vida; mas, aos que persistissem na incredulidade, um cheiro de morte para morte.
Sentindo a opressora magnitude da obra, Paulo exclamou: “E para estas coisas quem é idôneo” (2Co 2:16). Quem está habilitado a pregar a Cristo de maneira que Seus inimigos não tenham justo motivo para desprezar o mensageiro ou mensagem por ele levada? Paulo desejava impressionar os crentes com a solene responsabilidade do ministério evangélico. A fidelidade em pregar a Palavra, unida a uma vida pura e consistente, só pode tornar os esforços dos pastores aceitáveis a Deus e proveitosos às almas. Os pastores de nossos
dias, que arcam com o peso da grandeza da obra, bem poderiam exclamar com o apóstolo: “Para estas coisas quem é idôneo” (2Co 2:16).
Havia alguns que tinham acusado a Paulo de louvor próprio por haver escrito a carta anterior. A isto se refere agora o apóstolo, quando pergunta aos membros da igreja se assim haviam julgado seus motivos. “Começamos outra vez a louvar-nos a nós mesmos?” indagou; ou necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós, ou de recomendação de vós” (2Co 3:1). Crentes que se mudavam para outro lugar, levavam muitas vezes cartas de recomendação da igreja a que estavam antes unidos; mas os pioneiros da obra, os fundadores dessas igrejas, não tinham necessidade de tal recomendação. Os crentes coríntios, que haviam sido levados do culto dos ídolos para a fé no evangelho, eram eles mesmos toda a recomendação de que Paulo necessitava. O haverem recebido a verdade, e a reforma operada em sua vida, davam eloqüente testemunho da fidelidade de seus trabalhos e de sua autoridade para aconselhar, reprovar e exortar como ministro de Cristo.
Paulo se referiu aos irmãos coríntios como suas testemunhas. “Vós sois a nossa carta”, disse ele, “escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o
Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração” (2Co 3:2, 3).
A conversão dos pecadores e sua santificação por meio da verdade é a mais forte prova, para um pastor, de que Deus o chamou para o ministério. A evidência de seu apostolado está escrita no coração desses conversos, e é testemunhada por sua vida renovada. Cristo, a esperança da glória, é neles formado. Um pastor é grandemente fortalecido por esses sinais de seu ministério.
Hoje os ministros de Cristo deveriam ter o mesmo testemunho que a igreja de Corinto deu dos trabalhos de Paulo. Mas conquanto neste tempo haja muitos pregadores, há grande escassez de pastores santos e capazes - homens cheios do amor que havia no coração de Cristo. O orgulho, a confiança própria, o amor do mundo, o criticismo, o rancor, a inveja são os frutos que apresentam muitos que professam a religião de Cristo. Sua vida, em evidente contraste com a vida do Salvador, não raro dá mau testemunho do caráter da obra ministerial sob a qual se converteram.
Não pode um homem receber maior honra que ser aceito por Deus como hábil ministro do evangelho. Mas os que o Senhor abençoa com poder e êxito em Sua obra não se envaidecem. Reconhecem sua inteira dependência dEle, sentindo que não possuem por si mesmos nenhum poder. Com Paulo eles dizem: “Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual nos fez também capazes de ser ministros dum novo testamento” (2Co 3:5).
Um verdadeiro ministro faz a obra do Mestre.
Reconhece a importância de sua obra, sentindo que mantém para com a igreja é para com o mundo uma relação similar à que manteve Cristo. Trabalha incansavelmente para conduzir pecadores a uma vida mais nobre e mais elevada, a fim de que eles possam obter a recompensa do vencedor. Seus lábios são tocados com a brasa viva do altar, e ele
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White