Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 91
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Leitura bíblica
Lucas 4:31-44
Lucas 4:31-44
31 E desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e os ensinava no sábado. 32 E muito se maravilhavam da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade. 33 Achava-se na sinagoga um homem possesso de um espírito de demônio imundo, e bradou em alta voz: 34 Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus! 35 Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai deste homem. O demônio, depois de o ter lançado por terra no meio de todos, saiu dele sem lhe fazer mal. 36 Todos ficaram grandemente admirados e comentavam entre si, dizendo: Que palavra é esta, pois, com autoridade e poder, ordena aos espíritos imundos, e eles saem? 37 E a sua fama corria por todos os lugares da circunvizinhança. 38 Deixando ele a sinagoga, foi para a casa de Simão. Ora, a sogra de Simão achava-se enferma, com febre muito alta; e rogaram-lhe por ela. 39 Inclinando-se ele para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou; e logo se levantou, passando a servi-los. 40 Ao pôr do sol, todos os que tinham enfermos de diferentes moléstias lhos traziam; e ele os curava, impondo as mãos sobre cada um. 41 Também de muitos saíam demônios, gritando e dizendo: Tu és o Filho de Deus! Ele, porém, os repreendia para que não falassem, pois sabiam ser ele o Cristo. 42 Sendo dia, saiu e foi para um lugar deserto; as multidões o procuravam, e foram até junto dele, e instavam para que não os deixasse. 43 Ele, porém, lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado. 44 E pregava nas sinagogas da Judeia.
Versão Almeida Revista e Atualizada
Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 169-170
Capítulo 26 — Em Cafarnaum
Jesus parava em Cafarnaum entre Suas viagens de um lugar para outro, e ela chegou a ser conhecida por “Sua cidade”. Ficava na praia do Mar da Galiléia, e próximo às bordas da bela planície de Genesaré, se não realmente nela.
A profunda depressão do lago dá à planície que lhe margeia as praias o aprazível clima do Sul. Ali floresciam, nos dias de Cristo, a palmeira e a oliveira, ali havia pomares e vinhas, campos verdejantes e belas flores em rica exuberância, tudo regado por correntes vivas, que brotavam das rochas. As praias do lago, e as colinas que as circundavam a pequena distância, achavam-se pontilhadas de cidades e vilas. O lago era coberto de barcos de pesca. Havia por toda parte a agitação da vida em sua atividade e realizações.
Cafarnaum adaptava-se bem a servir de centro à obra do Salvador. Achando-se na estrada de Damasco a Jerusalém e ao Egito, e ao Mar Mediterrâneo, era uma grande via de comunicação. Gente de muitas terras passava pela cidade, ou ali parava para descansar em seu jornadear para lá e para cá. Aqui podia Jesus encontrar-Se com todas as nações e todas as classes, o rico e o grande, como o pobre e o humilde, e Suas lições seriam levadas a outros países e a muitos lares. Estimular-se-ia assim o exame das profecias, seria atraída a atenção para o Salvador, e Sua missão apresentada ao mundo.
Não obstante a ação do Sinédrio contra Jesus, o povo aguardava ansiosamente o desenvolvimento de Sua missão. Todo o Céu estava palpitante de interesse. Anjos Lhe preparavam caminho ao ministério, movendo o coração dos homens e atraindo-os ao Salvador.
O filho do nobre, a quem Jesus curara, era em Cafarnaum uma testemunha de Seu poder. E o oficial da corte e sua casa testificavam alegremente de sua fé. Ao saber-se que o próprio Mestre Se achava entre eles, toda a cidade se agitou. Multidões eram atraídas à Sua presença. No sábado o povo afluía à sinagoga de tal maneira que grande número tinha de voltar, por não conseguir entrada.
Todos quantos ouviam o Salvador “admiravam a Sua doutrina, porque a Sua palavra era com autoridade”. Lucas 4:32. Ensinava-os “como tendo autoridade; e não como os escribas”. Mateus 7:29. Os ensinos dos escribas e anciãos eram frios e formais, como uma lição aprendida de
cor. Para eles, a Palavra de Deus não possuía nenhum poder vital. Seus ensinos eram substituídos pelas idéias e tradições deles próprios. Na costumada rotina do culto, professavam explicar a lei, mas nenhuma inspiração de Deus lhes comovia o coração ou de seus ouvintes.
Jesus nada tinha que ver com as várias dissensões existentes entre os judeus. Sua obra era apresentar a verdade. Suas palavras derramavam uma torrente de luz sobre os ensinos dos patriarcas e profetas, e as Escrituras chegavam aos homens como uma nova revelação. Nunca antes haviam Seus ouvintes percebido tal profundeza de sentido na Palavra de Deus.
Jesus abordava o povo no mesmo terreno em que se encontrava, como alguém que lhes conhecia de perto as perplexidades. Tornava bela a verdade, apresentando-a da maneira mais positiva e simples. Sua linguagem era pura, refinada e clara como a água de uma fonte. A voz era como música aos ouvidos que haviam escutado o monótono tom dos rabis. Mas se bem que fosse simples o ensino, falava como alguém que tem autoridade. Essa característica punha Seu ensino em contraste com o de todos os outros. Os rabis falavam duvidosos e hesitantes, como se as Escrituras pudessem ser interpretadas significando uma coisa ou exatamente o contrário. Os ouvintes eram diariamente possuídos de uma incerteza cada vez maior. Mas Jesus ensinava as Escrituras como de indubitável autoridade. Fosse qual fosse o assunto, era apresentado com poder, como se Suas Palavras não pudessem sofrer contestação.
Todavia, era mais fervoroso do que veemente. Falava como alguém que tem definido propósito a cumprir. Estava apresentando as realidades do mundo eterno. Em todos os temas, Deus era revelado. Jesus procurava quebrar o encantamento da cega preocupação que mantém os homens absorvidos com o terrestre, colocava as coisas desta vida em sua verdadeira relação, como subordinadas às de interesse eterno; não lhes passava, contudo, por alto a importância. Ensinava que o Céu e a Terra se achavam ligados, e que o conhecimento da divina verdade prepara melhor os homens para o cumprimento dos deveres da vida diária. Falava como uma pessoa familiarizada com o Céu, cônscia de Suas relações com Deus, e todavia reconhecendo Sua unidade com cada membro da família humana.
Suas mensagens de misericórdia variavam, a fim de ajustar-se ao Seu auditório. Sabia “dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado” (Isaías 50:4); pois nos lábios Lhe era derramada a graça, a fim de que transmitisse aos homens, pela mais atrativa maneira, os tesouros da verdade. Possuía tato para Se aproximar do espírito mais cheio de preconceitos, surpreendendo-o com ilustrações que lhe prendiam a atenção. Por intermédio da imaginação, chegava-lhes à mente. Suas ilustrações eram tiradas das coisas da vida diária, e, conquanto simples, encerravam admirável profundeza de sentido. As aves do céu, os lírios do campo, a semente, o pastor e as ovelhas — com essas coisas ilustrava Cristo a verdade
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White