Cristo O Caminho

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Leitura do livro

O Desejado de Todas as Nações, páginas 121-123

A mulher viu que Jesus era judeu. Em sua surpresa, esqueceu-se de satisfazer-Lhe o pedido, mas procurou indagar a razão do mesmo. “Como é”, disse ela, “que sendo Tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?”

Jesus respondeu: “Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz — Dá-Me de beber, tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva”. João 4:9, 10. Tu te admiras de que te pedisse mesmo um tão pequenino favor, como um pouco de água do poço aos nossos pés. Houvesse tu Me pedido a Mim, e Eu te haveria dado de beber da água da vida eterna.

A mulher não compreendera as palavras de Cristo, mas sentiu-lhes a solene importância. Sua atitude leve, gracejadora, começou a mudar. Supondo que Jesus falasse do poço que lhes estava em frente, disse: “Senhor, Tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde pois tens a água viva? És Tu maior que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele?” João 4:11, 12. Ela via diante de si apenas um sedento viajante, exausto e poento. Comparou-O, em seu espírito, com o honrado patriarca Jacó. Alimentava o sentimento, tão natural, de que nenhum outro poço poderia ser igual àquele que fora legado pelos pais. Olhava atrás, aos pais, e ao futuro, à vinda do Messias, ao passo que a Esperança desses antepassados, o próprio Messias, estava ao seu lado, e ela O não conhecia. Quantas pessoas sedentas se acham hoje junto à fonte viva, e olham todavia a distância, em busca das fontes da vida! “Não digas em teu coração: Quem subirá ao Céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo). Ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, tornar a trazer dentre os mortos a Cristo). [...] A Palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração. [...] Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo”. Romanos 10:6-9.

Jesus não respondeu imediatamente à pergunta a Seu respeito, mas com solene seriedade disse: “Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna”. João 4:13, 14.

Aquele que busca matar a sede nas fontes deste mundo, beberá apenas para tornar a ter sede. Por toda parte estão os homens descontentes. Anseiam qualquer coisa que lhes supra a necessidade espiritual. Unicamente Um lhes pode satisfazer essa necessidade. O que o mundo necessita é Cristo, “o Desejado de todas as nações”. A divina graça que só Ele pode comunicar, é uma água viva, purificadora, refrigerante e revigoradora.

Jesus não queria dar a idéia de que um único gole da água da vida bastasse ao que a recebe. O que experimenta o amor de Cristo, anelará continuamente mais; mas não busca nenhuma outra coisa. As riquezas, honras e prazeres do mundo, não o atraem. O contínuo grito de sua

alma, é: “Mais de Ti”. E Aquele que revela à alma suas necessidades, está à espera, para lhe saciar a fome e a sede. Falharão todo recurso e dependência humanos. As cisternas esvaziar-se-ão, os poços se hão de secar; nosso Redentor, porém, é uma fonte inesgotável. Podemos beber, e beber mais, e sempre encontraremos novo abastecimento. Aquele em quem Cristo habita, tem em si mesmo a fonte da bênção — “uma fonte de água que salte para a vida eterna”. João 4:14. Dessa fonte poderá tirar forças e graça suficientes para todas as suas necessidades.

Ao falar Jesus da água viva, a mulher O olhou com atenta curiosidade. Ele lhe despertara o interesse, e incitara o desejo de receber o dom de que falava. Percebia não ser à água do poço de Jacó que Se referia; pois dessa usava ela continuamente, bebendo, e tendo novamente sede. “Senhor”, disse ela, “dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la”. João 4:15.

Jesus mudou então abruptamente a conversa. Antes que essa pessoa pudesse receber o dom que Ele ansiava conceder-lhe, seria preciso que fosse levada a reconhecer seu pecado e seu Salvador. Disse-lhe Ele: “Vai, chama o teu marido, e vem cá”. Ela respondeu: “Não tenho marido”. Assim esperava evitar qualquer interrogação nesse sentido. Mas o Salvador continuou: “Disseste bem: Não tenho marido; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade”. João 4:16-18.

A ouvinte tremeu. Misteriosa mão estava voltando as páginas de sua vida, apresentando aquilo que esperava manter sempre oculto. Quem era Esse que podia ler-lhe os segredos da vida? Acudiram-lhe pensamentos da eternidade, do juízo futuro, quando tudo que é agora oculto será revelado. A esse clarão, despertou a consciência.

Não podia negar nada; mas buscou escapar a qualquer menção de um assunto tão indesejado. Com profunda reverência, disse: “Senhor, vejo que és profeta”. João 4:19. Então, esperando abafar a convicção, voltou-se para pontos de controvérsia religiosa. Se Este fosse profeta, certamente lhe poderia dar instruções a respeito desses assuntos tão longamente discutidos.

Pacientemente Jesus permitiu que ela dirigisse a conversa à sua vontade. Espreitava, entretanto, o ensejo de fazer penetrar-lhe a verdade no coração. “Nossos pais adoraram neste monte”, disse ela, “e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar”. João 4:20. Achava-se mesmo à vista o monte Gerizim. Seu templo estava demolido, e só o altar restava. O lugar de culto havia sido motivo de rivalidade entre judeus e samaritanos. Alguns dos ancestrais dos últimos pertenceram outrora a Israel; devido a seus pecados, porém, o Senhor permitira que fossem subjugados por uma nação idólatra. Durante muitas gerações haviam estado misturados com adoradores de ídolos, cuja religião lhes contaminara gradualmente a sua. Verdade é

que afirmavam que seus ídolos se destinavam apenas a lembrar-lhes o Deus vivo, o Soberano do Universo; não obstante, o povo era levado a reverenciar as imagens de escultura.

Quando o templo de Jerusalém fora reconstruído, nos dias de Esdras, os samaritanos desejaram unir-se aos judeus nessa ereção. Este privilégio lhes foi negado, e amarga animosidade suscitou-se entre os dois povos. Os samaritanos construíram um templo rival no monte Gerizim. Ali adoravam segundo o ritual mosaico, conquanto não renunciassem inteiramente à idolatria. Mas sobrevieram-lhes desastres, seu templo foi destruído pelos inimigos, e pareciam achar-se sob maldição; apegavam-se, todavia, a suas tradições e formas de culto. Não queriam reconhecer o templo de Jerusalém como a casa de Deus, nem admitir que a religião dos judeus era superior à sua.

Respondendo à mulher, Jesus disse: “Crê-Me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos, porque a salvação vem dos judeus”. João 4:21, 22. Jesus mostrara ser isento do preconceito judaico contra os samaritanos. Agora procurava derribar o mesmo preconceito da parte desta samaritana contra os judeus. Ao mesmo tempo que aludia à corrupção da fé dos samaritanos pela idolatria, declarou que as grandes verdades da redenção haviam sido confiadas aos judeus, e que dentre eles devia aparecer o Messias. Nos Sagrados Escritos tinham clara apresentação do caráter de Deus e dos princípios de Seu governo. Jesus Se colocou juntamente com os judeus, como sendo aqueles a quem o Senhor outorgara conhecimento a Seu respeito.

Era Seu desejo erguer os pensamentos de Sua ouvinte acima de questões de formas, cerimônias e controvérsias. “A hora vem”, disse, “e agora é em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim O adorem. Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade”. João 4:23, 24.

Aí se declara a mesma verdade que Jesus expusera a Nicodemos, quando disse: “Aquele que não nascer de novo [de cima, diz outra versão], não pode ver o reino de Deus”. João 3:3. Não por procurar um monte santo ou um templo sagrado, são os homens postos em comunhão com o Céu. Religião não é limitar-se a formas e cerimônias exteriores. A religião que vem de Deus é a única que leva a Ele. Para O servirmos devidamente, é necessário nascermos do divino Espírito. Isso purificará o coração e renovará a mente, dando-nos nova capacidade para conhecer e amar a Deus. Comunicar-nos-á voluntária obediência a todos os Seus reclamos. Esse é o verdadeiro culto. É o fruto da operação do Espírito Santo. É pelo Espírito que toda prece sincera é ditada, e tal prece é aceitável a Deus. Onde quer que a alma se dilate em busca de Deus, aí é manifesta a

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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