Cristo O Caminho

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Leitura bíblica

João 3:23-36

João 3:23-36

23 Ora, João estava também batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e para lá concorria o povo e era batizado. 24 Pois João ainda não tinha sido encarcerado. 25 Ora, entre os discípulos de João e um judeu suscitou-se uma contenda com respeito à purificação. 26 E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro. 27 Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada. 28 Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. 29 O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. 30 Convém que ele cresça e que eu diminua. 31 Quem vem das alturas certamente está acima de todos; quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos 32 e testifica o que tem visto e ouvido; contudo, ninguém aceita o seu testemunho. 33 Quem, todavia, lhe aceita o testemunho, por sua vez, certifica que Deus é verdadeiro. 34 Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida. 35 O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos. 36 Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.

Versão Almeida Revista e Atualizada

Leitura do livro

O Desejado de Todas as Nações, páginas 116-117

Capítulo 18 — “É necessário que ele cresça”

Este capítulo é baseado em João 3:22-36.

Durante algum tempo, a influência do Batista sobre a nação fora maior que a de seus principais, sacerdotes e príncipes. Houvesse ele se anunciado como Messias, e fomentado um levante contra Roma, sacerdotes e povo se teriam reunido em torno de seu estandarte. Todas as atenções que falam à ambição dos mundanos conquistadores, Satanás se apressara em dispensar a João Batista. Mas, tendo embora diante de si as provas de seu poder, permanecera firme em recusar o deslumbrante preço do suborno. As atenções nele fixadas, encaminhara para Outro.

Agora, via a onda de popularidade a desviar-se de si para o Salvador. Dia a dia, diminuíam as multidões em torno dele. Quando Jesus foi de Jerusalém à região adjacente ao Jordão, o povo aglomerou-se para O ouvir. Diariamente, crescia-Lhe o número dos discípulos. Muitos iam em busca de batismo, e conquanto o próprio Cristo não batizasse, sancionava a ministração dessa ordenança pelos discípulos. Punha assim o selo sobre a missão do Seu precursor. Os discípulos de João, porém, olhavam com ciúmes a crescente popularidade de Jesus. Estavam prontos a criticar-Lhe a obra, e não tardou muito que se lhes deparasse ocasião. Surgiu entre eles e os judeus uma questão quanto ao batismo, se este servia para purificar do pecado; afirmavam que o batismo de Jesus diferia essencialmente do de João. Em breve, travaram discussão com os discípulos de Cristo acerca das palavras próprias para serem usadas no batismo e, afinal, quanto ao direito deles de batizar.

Os discípulos de João foram ter com ele com suas queixas, dizendo: “Rabi, Aquele que estava contigo além do Jordão, do qual Tu deste testemunho, ei-Lo batizando, e todos vão ter com Ele”. João 3:26. Por meio dessas palavras, tentou Satanás a João. Conquanto a missão deste parecesse prestes a concluir-se, ser-lhe-ia ainda possível prejudicar a obra de Cristo. Houvesse ele se doído por si mesmo, ou expressado desgosto ou decepção, por ser sobrepujado, e estariam lançadas as sementes da dissensão, incitados o ciúme e a inveja, tornando-se sério obstáculo ao progresso do evangelho.

João tinha por natureza as faltas e fraquezas comuns à humanidade, mas o toque do amor divino o transformara. Pairava numa atmosfera

não contaminada pelo egoísmo e a ambição, e muito acima do miasma do ciúme. Não manifestou nenhuma condescendência com o descontentamento de seus discípulos, mas mostrou quão claramente compreendia suas relações com o Messias, e a alegria com que saudava Aquele para quem preparara o caminho.

Disse ele: “O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do Céu. Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dEle. Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo”. João 3:27-29. João apresentou-se como o amigo que serviu de mensageiro entre os noivos, preparando o caminho para o enlace. Quando o esposo houvesse recebido a esposa, estava cumprida a missão do amigo. Ele se regozijaria na felicidade daqueles cuja união promovera. Assim João fora convidado a encaminhar o povo a Jesus, e seu prazer era testemunhar o êxito da obra do Salvador. Disse ele: “Assim pois já este meu gozo está cumprido. É necessário que Ele cresça e que eu diminua.”

Olhando com fé ao Redentor, João erguera-se às alturas da abnegação. Não buscava atrair os homens a si mesmo, mas erguer-lhes o pensamento mais e mais alto, até que repousasse no Cordeiro de Deus. Ele próprio não passara de uma voz, um clamor no deserto. Agora, aceitava com alegria o silêncio e a obscuridade, para que os olhos de todos se pudessem voltar para a Luz da vida.

Os que são fiéis à vocação de mensageiros de Deus, não buscarão honra para si mesmos. O amor do próprio eu será absorvido pelo amor a Cristo. Nenhuma rivalidade manchará a preciosa causa do evangelho. Reconhecerão que sua obra é proclamar, como João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. João 1:29. Exaltarão a Jesus, e com Ele será a humanidade exaltada. “Assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos”. Isaías 57:15.

O coração do profeta, vazio de si mesmo, encheu-se da luz do divino. Ao testificar da glória do Salvador, suas palavras eram quase iguais às do próprio Cristo em Sua entrevista com Nicodemos. João disse: “Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do Céu é sobre todos. [...] Aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não Lhe dá Deus o Espírito por medida”. João 3:31, 34. Cristo pôde dizer: “Não busco a Minha vontade, mas a vontade do Pai que Me enviou”. João 5:30. DEle é dito: “Amaste a justiça e aborreceste a iniqüidade; por isso Deus, o Teu Deus, Te ungiu com óleo de alegria mais do que a Teus companheiros”. Hebreus 1:9. O Pai não Lhe dá “o Espírito por medida”.

O mesmo se dá quanto aos seguidores de Cristo. Só podemos receber

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

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