Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 45
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 78-80
Capítulo 13 — A vitória
Este capítulo é baseado em Mateus 4:5-11; Marcos 1:12, 13; Lucas 4:5-13.
Então o diabo O transportou à cidade santa, e colocou-O sobre o pináculo do templo, e disse-Lhe: Se Tu és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo; porque está escrito: Que aos Seus anjos dará ordem a Teu respeito; e tomar-Te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra”. Mateus 4:5, 6.
Julga Satanás haver agora enfrentado Jesus mesmo em Seu terreno. O próprio astuto inimigo apresenta palavras procedentes da boca de Deus. Parece ainda um anjo de luz, e mostra claramente estar familiarizado com as Escrituras, entendendo a significação do que está escrito. Como Jesus usara anteriormente a Palavra de Deus para apoiar Sua fé, o tentador agora a emprega para corroborar seu engano. Pretende ter estado apenas provando a fidelidade de Jesus, louvando-Lhe agora a firmeza. Como o Salvador manifestou confiança em Deus, Satanás insiste com Ele para que dê outro testemunho de Sua fé.
Mas novamente a tentação é introduzida com a insinuação de desconfiança: “Se Tu és o Filho de Deus”. Mateus 4:6. Cristo foi tentado a responder ao “se”; absteve-Se, porém, da mais leve aceitação da dúvida. Não poria em risco Sua vida para dar a Satanás uma prova.
O tentador pensava aproveitar-se da humanidade de Cristo, e incitou-O à presunção. Mas ao passo que pode instigar, não lhe é possível forçar ao pecado. Disse a Jesus: “Lança-Te de aqui abaixo”, sabendo que O não podia lançar; pois Deus Se interporia para livrá-Lo. Tampouco poderia o inimigo forçar Jesus a Se lançar. A menos que Cristo consentisse na tentação, não poderia ser vencido. Nem todo o poder da Terra ou do inferno O poderia forçar no mínimo que fosse a Se apartar da vontade de Seu Pai.
O tentador jamais nos poderá compelir a praticar o mal. Não pode dominar as mentes, a menos que se submetam a seu controle. A vontade tem que consentir, a fé largar sua segurança em Cristo, antes que Satanás possa exercer domínio sobre nós. Mas todo desejo pecaminoso que nutrimos lhe proporciona um palmo de terreno. Todo ponto em que deixamos de satisfazer à norma divina, é uma porta aberta pela qual pode entrar para nos tentar destruir. E todo fracasso ou derrota de nossa parte, dá-lhe ocasião de acusar a Cristo.
Quando Satanás citou a promessa: “Aos Seus anjos dará ordem a Teu respeito” (Mateus 4:6), omitiu as palavras: “para Te guardarem em todos os
Teus caminhos” (Salmos 91:11); isto é, em todos os caminhos da escolha de Deus. Jesus recusou sair da vereda da obediência. Conquanto manifestasse perfeita confiança em Seu Pai, não Se colocaria, sem que isso Lhe fosse ordenado, em situação que tornasse necessária a interposição do Pai para O salvar da morte. Não forçaria a Providência a vir em Seu socorro, deixando assim de dar ao homem um exemplo de confiança e submissão.
Jesus declarou a Satanás: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus”. Mateus 4:7. Essas palavras foram ditas por Moisés aos filhos de Israel, quando tinham sede no deserto, e pediram que Moisés lhes desse água, exclamando: “Está o Senhor no meio de nós, ou não?” Êxodo 17:7. Deus operara maravilhas por eles; todavia, em aflição, dEle duvidaram, e exigiram demonstrações de que estava com eles. Procuraram, em sua incredulidade, pô-Lo à prova. E Satanás estava incitando Cristo a fazer a mesma coisa. Deus já tinha testificado que Cristo era Seu Filho; pedir agora sinal de ser Ele o Filho de Deus, seria pôr à prova a Palavra divina — tentando-O. E dar-se-ia o mesmo quanto a pedir o que Deus não havia prometido. Manifestaria desconfiança, e estaria realmente provando-O ou tentando-O. Não devemos apresentar ao Senhor nossas petições para provar se Ele cumpre Sua palavra, mas porque as cumpre; não para provar que Ele nos ama, mas porque nos ama. “Sem fé é impossível agradar-Lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam”. Hebreus 11:6.
Mas a fé não é de maneira nenhuma aliada à presunção. Somente o que tem verdadeira fé está garantido contra a presunção. Pois presunção é a falsificação da fé, operada por Satanás. A fé reclama as promessas de Deus, e produz frutos de obediência. A presunção também reclama as promessas, mas serve-se delas como fez Satanás, para desculpar a transgressão. A fé teria levado nossos primeiros pais a confiar no amor de Deus, e obedecer-Lhe aos mandamentos. A presunção os levou a transgredir-Lhe a lei, crendo que Seu grande amor os salvaria da conseqüência de seu pecado. Não é ter fé pretender o favor do Céu, sem cumprir as condições sob as quais é concedida a misericórdia. A fé genuína baseia-se nas promessas e providências das Escrituras.
Muitas vezes quando Satanás falhou em incitar desconfiança, consegue êxito em nos levar à presunção. Se consegue pôr-nos desnecessariamente no caminho da tentação, sabe que tem a vitória. Deus há de guardar todos quantos andam no caminho da obediência; apartar-se dela, porém, é arriscar-se no terreno de Satanás. Aí cairemos por certo. O Salvador nos ordena: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”. Marcos 14:38. A meditação e a oração nos guardariam de nos precipitar, sem ser solicitados, ao encontro do perigo, e seríamos assim salvos de muitas derrotas.
Entretanto, não devemos perder o ânimo quando assaltados pela
tentação. Freqüentemente, quando colocados em situação probante, duvidamos de que tenhamos sido guiados pelo Espírito de Deus. Foi, no entanto, a guia do Espírito que dirigiu Jesus para o deserto, para ser tentado por Satanás. Quando Deus nos leva à provação, tem um desígnio a realizar, para nosso bem. Jesus não presumiu das promessas de Deus, indo sem que Lhe fosse ordenado, ao encontro da tentação, nem Se entregou ao acabrunhamento quando ela Lhe sobreveio. Tampouco o devemos nós fazer. “Fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar”. Ele diz: “Oferece a Deus sacrifício de louvor, e paga ao Altíssimo os teus votos. E invoca-Me no dia da angústia: Eu te livrarei, e tu Me glorificarás”. Salmos 50:14, 15.
Jesus saiu vitorioso da segunda tentação, e então Satanás se manifesta em seu verdadeiro caráter. Não se apresenta, todavia, como aquele horrível monstro de pés de cabra e asas de morcego. Embora decaído, é um poderoso anjo. Declara-se o chefe da rebelião, e o deus deste mundo.
Colocando Jesus sobre uma alta montanha, fez com que todos os reinos do mundo, em toda a sua glória, passassem, em vista panorâmica, diante dEle. A luz do Sol projeta-se sobre cidades cheias de templos, palácios de mármore, campos férteis e vinhas carregadas de frutos. Os vestígios do mal estavam ocultos. Os olhos de Jesus, cercados ultimamente de tanta tristeza e desolação, contemplam agora uma cena de inexcedível beleza e prosperidade. Ouve então a voz do tentador: “Dar-Te-ei a Ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero; portanto, se Tu me adorares, tudo será Teu”. Lucas 4:6, 7.
A missão de Cristo só se podia cumprir através de sofrimento. Achava-se diante dEle uma existência de dores, privações, lutas e morte ignominiosa. Cumpria-Lhe carregar sobre Si os pecados de todo o mundo. Tinha que sofrer a separação do amor do Pai. Ora, o tentador oferecia entregar-Lhe o poder que usurpara. Cristo poderia livrar-Se do terrível futuro mediante o reconhecimento da supremacia de Satanás. Fazer isso, porém, era renunciar à vitória no grande conflito. Fora por buscar exaltar-se acima do Filho de Deus, que Satanás pecara no Céu. Prevalecesse ele agora, e seria isso a vitória da rebelião.
Quando Satanás declarou a Cristo: O reino e a glória do mundo me foram entregues, e dou-os a quem quero, disse o que só em parte era verdade, e disse-o para servir a seu intuito de enganar. O domínio dele, arrebatara-o de Adão, mas este era o representante do Criador. Não era, pois, um governador independente. A Terra pertence a Deus, e Ele confiou ao Filho todas as coisas. Adão devia reinar em sujeição a Cristo. Ao atraiçoar Adão sua soberania, entregando-a às mãos de Satanás, Cristo permaneceu ainda, de direito, o Rei. Assim disse o Senhor ao rei Nabucodonosor: “O Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens;
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White