Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 515-516

e mancos, sendo ordenado a Cristo que provasse Suas reivindicações pela operação de um milagre. Afirmam que podes curar os enfermos, disse-Lhe Herodes. Estou ansioso por ver que Tua grande fama não é mentira. Jesus não respondeu, e o rei continuou a insistir: Se podes operar milagres por outros, faze-os agora para Teu próprio bem, e isso Te servirá para um bom desígnio. Outra vez ordenou: Mostra-nos um sinal de que possuis o poder que a fama Te tem atribuído. Mas Cristo era como alguém que não visse nem ouvisse. O Filho de Deus tomara sobre Si a natureza humana. Devia agir como o tem de fazer o homem em idênticas circunstâncias. Portanto, não operaria um milagre para Se poupar à dor e à humilhação que o homem deve sofrer, quando colocado em condições semelhantes.

Herodes prometeu que, se Jesus realizasse algum milagre em sua presença, seria solto. Os acusadores dEle eram testemunhas oculares das poderosas obras feitas por Seu poder. Tinham-nO ouvido ordenar à sepultura que desse os mortos. Viram-nos sair em obediência à Sua voz. Apoderou-se deles o temor, não operasse Jesus agora um milagre. De tudo, o que mais temiam, era uma manifestação de Seu poder. Essa manifestação se demonstraria um golpe mortal para seus planos, e talvez lhes custasse a vida. Outra vez sacerdotes e príncipes, em grande ansiedade, insistiram em suas acusações contra Ele. Elevando a voz, declararam: É um traidor, um blasfemo. Opera milagres por meio do poder que Lhe é dado por Belzebu, o príncipe dos demônios. A sala tornou-se cenário de confusão, uns gritando uma coisa, outros, outra.

A consciência de Herodes estava agora muito menos sensível do que quando tremera de horror ante o pedido de Herodias, para que lhe desse a cabeça de João Batista. Durante algum tempo sentira os agudos espinhos do remorso por seu terrível ato; mas suas percepções morais se tinham rebaixado mais e mais em razão de sua vida licenciosa. Tinha agora tão endurecido o coração, que podia mesmo gabar-se do castigo infligido a João por ousar reprová-lo. E ameaçou então a Jesus, declarando repentinamente que tinha poder para libertá-Lo e para condená-Lo. Nenhum indício da parte de Jesus dava, entretanto, a compreender que Ele ouvisse uma palavra.

Herodes irritou-se por esse silêncio. Parecia indicar completa indiferença por sua autoridade. Para o vão e pomposo rei, teria sido menos ofensiva uma franca censura, do que ser assim passado por alto. De novo ameaçou, irado, a Jesus, que permaneceu impassível e mudo.

A missão de Cristo neste mundo não era satisfazer ociosas curiosidades. Veio para curar os quebrantados de coração. Pudesse Ele ter proferido qualquer palavra para sarar as feridas das almas enfermas de pecado, e não guardaria silêncio. Não tinha, no entanto, palavras para os que não fariam senão pisar a verdade com seus profanos pés.

Cristo poderia ter dirigido a Herodes palavras que penetrariam nos ouvidos do endurecido rei. Podê-lo-ia haver sacudido com temor e tremor pela

exposição de toda a iniqüidade de sua vida, e do horror de seu próximo fim. Mas o silêncio de Cristo era a mais severa repreensão que lhe poderia ter ministrado. Herodes rejeitara a verdade que lhe fora anunciada pelo maior dos profetas, e nenhuma outra mensagem havia de receber. Nem uma palavra tinha para ele a Majestade do Céu. Aqueles ouvidos sempre abertos para os lamentos humanos, não tinham lugar para as ordens de Herodes. Aqueles olhos sempre fixos no pecador arrependido, com um amor cheio de piedade, e de perdão, não tinham nenhum olhar para conceder a Herodes. Aqueles lábios que emitiram a mais impressiva verdade, que em acentos da mais terna súplica pleitearam com o mais pecador e mais degradado, cerraram-se para o soberbo rei que não sentia necessidade de um Salvador.

O rosto de Herodes se ensombrou de paixão. Voltando-se para a turba, acusou, encolerizado, a Jesus de impostor. E depois, para Ele: se não deres prova de Tua pretensão, entregar-Te-ei aos soldados e ao povo. Talvez sejam bem-sucedidos em Te fazer falar. Se és um impostor, a morte por suas mãos é a única coisa que mereces; se és o Filho de Deus, salva-Te a Ti mesmo operando um milagre.

Mal se proferiram essas palavras, e fez-se uma arremetida para Cristo. Como animais ferozes precipitou-se a multidão para sua presa. Jesus foi arrastado de um lado para outro, unindo-se Herodes à turba em buscar humilhar o Filho de Deus. Não se houvessem interposto os soldados romanos, repelindo para trás a massa enfurecida, e o Salvador teria sido feito em pedaços.

“Herodes, com os seus soldados, desprezou-O, e, escarnecendo dEle, vestiu-O de uma roupa resplandecente”. Lucas 23:11. Os soldados romanos juntaram-se nesses ultrajes. Tudo quanto ímpios, corruptos soldados, ajudados por Herodes e os dignitários judeus podiam instigar, foi acumulado sobre o Salvador. Todavia, não perdeu Sua divina paciência.

Os perseguidores de Cristo tentaram medir-Lhe o caráter pelo deles próprios; tinham-nO figurado tão vil como eles. Mas por trás de toda a presente aparência introduziu-se, malgrado seu, outra cena — cena que eles hão de ver um dia em toda a sua glória. Houve alguns que tremeram na presença de Cristo. Enquanto a rude multidão se inclinava diante dEle em zombaria, alguns que se adiantaram para esse fim recuaram, aterrorizados e mudos. Herodes ficou convicto. Os últimos raios de misericordiosa luz incidiam sobre seu coração endurecido pelo pecado. Sentiu que Este não era um homem comum; pois a divindade irradiara através da humanidade. Ao mesmo tempo que Cristo estava cercado de escarnecedores, adúlteros e homicidas, Herodes sentiu estar contemplando, um Deus sobre Seu trono.

Endurecido como estava, não ousou Herodes ratificar a condenação de Cristo. Desejava livrar-se da terrível responsabilidade, e mandou Jesus de volta para o tribunal romano.

Pilatos ficou decepcionado e muito desgostoso. Quando os judeus

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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