Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 511-512

Recordou boatos que ouvira de várias fontes. Decidiu indagar dos judeus quais suas acusações contra o Preso.

Quem é esse Homem, e para que O trouxestes? disse ele. Que acusações trazeis contra Ele? Os judeus ficaram desconcertados. Sabendo que não lhes era possível comprovar as acusações que tinham contra Cristo, não desejavam um interrogatório público. Disseram que era um enganador chamado Jesus de Nazaré.

Novamente perguntou Pilatos: “Que acusações trazeis contra este Homem?” João 18:29. Os sacerdotes não lhe responderam à pergunta, mas, em palavras que manifestavam sua irritação, disseram: “Se Este não fosse malfeitor, não To entregaríamos”. João 18:30. Quando os que compõem o Sinédrio, os primeiros homens da nação, te trazem um homem que julgam digno de morte, haverá necessidade de pedir uma acusação contra ele? Esperavam impressionar Pilatos com o sentimento da importância deles, levando-o assim a concordar ao seu pedido sem muitos preliminares. Estavam ansiosos por ver ratificada a sentença; pois sabiam que o povo que testemunhara as maravilhosas obras de Cristo poderia contar uma história muito diversa da invenção que agora repetiam.

Os sacerdotes pensavam que, com o fraco e vacilante Pilatos, poderiam sem dificuldade executar seus planos. Anteriormente, assinara, precipitado, sentenças de morte, condenando homens que sabiam não serem dignos disso. Em sua estimação, de pouca importância era a vida de um preso; se inocente ou culpado, não era de especial conseqüência. Os sacerdotes esperavam que Pilatos infligisse agora a pena de morte a Jesus, sem O ouvir. Isso pediram como favor por ocasião de sua grande festa nacional.

Havia, porém, no Preso qualquer coisa que inibiu Pilatos de assim proceder. Não ousou fazê-lo. Leu o desígnio dos sacerdotes. Lembrou-se de como, não fazia muito, Jesus ressuscitara a Lázaro, um homem que estivera morto por quatro dias; e decidiu saber, antes de assinar a sentença de condenação, quais eram as acusações contra Ele, e se podiam ser provadas.

Se vosso juízo é suficiente, disse ele, por que trazeis a mim o Preso? “Levai-O vós, e julgai-O segundo a vossa lei”. João 18:31. Assim apertados, os sacerdotes disseram que já haviam sentenciado a Jesus, mas que era preciso a sentença de Pilatos para dar validade a sua condenação. Qual é vossa sentença? perguntou Pilatos. A de morte, responderam, mas não nos é lícito condenar ninguém à morte. Pediram a Pilatos que aceitasse a palavra deles quanto à culpabilidade de Cristo, e cumprisse a sentença que haviam dado. Tomariam a responsabilidade do resultado.

Pilatos não era juiz justo ou consciencioso; mas fraco como era em poder moral, recusou conceder essa petição. Não condenaria Jesus enquanto não fosse apresentada acusação contra Ele.

Os sacerdotes encontravam-se num dilema. Viam que deviam encobrir sua hipocrisia sob o mais espesso véu. Não deviam permitir a impressão

de que Cristo fora preso por motivos religiosos. Fosse isso apresentado como razão, e seu procedimento não teria nenhum valor para com Pilatos. Precisavam fazer parecer que Jesus estava trabalhando contra a lei comum; então poderia ser castigado como ofensor político. Tumultos e insurreições contra o governo romano surgiam de contínuo entre os judeus. Os romanos haviam procedido muito rigorosamente para com essas revoltas, e estavam sempre alerta para reprimir qualquer coisa que pudesse levar a uma insurreição.

Havia poucos dias apenas os fariseus tinham procurado enredar Cristo com a pergunta: “É-nos lícito dar tributo a César ou não?” Mateus 22:17. Mas Cristo lhes revelara a hipocrisia. Os romanos que se achavam presentes assistiram ao fracasso completo dos intrigantes, e seu desconcerto ante a resposta: “Dai pois a César o que é de César”. Lucas 20:22-25.

Agora os sacerdotes pensaram fazer parecer que, nessa ocasião, Cristo ensinara segundo esperavam que Ele ensinasse. Em seu apuro, chamaram falsas testemunhas para os ajudar, “e começaram a acusá-Lo, dizendo: Havemos achado Este, pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo que Ele mesmo é Cristo, o rei”. Três acusações, cada uma destituída de fundamento. Os sacerdotes sabiam isso, mas estavam dispostos a jurar falso, contanto que conseguissem seu objetivo.

Pilatos penetrou-lhes o desígnio. Não acreditou que o Preso houvesse conspirado contra o governo. Seu aspecto manso e humilde estava totalmente em desacordo com essa acusação. Pilatos convenceu-se de que se urdira artificioso trama contra um Inocente que embaraçava o caminho dos dignitários judeus. Volvendo-se para Jesus perguntou: “Tu és o rei dos judeus?” O Salvador respondeu: “Tu o dizes”. Marcos 15:2. E ao falar Ele, Sua fisionomia iluminou-se como se um raio de Sol sobre ela incidisse.

Ao ouvirem-Lhe a resposta, Caifás e os que com ele estavam chamaram Pilatos como testemunha de que Jesus concordara com o crime de que O acusavam. Com ruidosos brados, sacerdotes, escribas e príncipes exigiram que fosse sentenciado à morte. Os gritos foram repetidos pela turba, fazendo-se um barulho ensurdecedor. Pilatos ficou confundido. Vendo que Jesus não dava nenhuma resposta a Seus acusadores, disse-Lhe Pilatos: “Nada respondes? Vê quantas coisas testificam contra Ti. Mas Jesus nada mais respondeu”. Marcos 15:4, 5.

De pé por trás de Pilatos, à vista de todo o pátio, ouvia Cristo os insultos; mas não respondeu nem uma palavra a todas as falsas acusações contra Ele feitas. Toda a Sua atitude dava prova da inocência consciente. Ficou inabalável em face da fúria das ondas que se Lhe quebravam em torno. Era como se os violentos ímpetos da ira, erguendo-se mais e mais alto, como as vagas do clamoroso oceano, se despedaçassem ao Seu redor sem O tocar, no entanto. Ficou mudo, mas eloqüente era o Seu silêncio. Era como se o homem exterior fosse iluminado por uma luz provinda do interior.

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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