Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 479-483

força de Cristo, seu vazio à plenitude dEle, sua fragilidade à perdurável resistência do Salvador. Assim ele possui a mente de Cristo. Sua humanidade tocou a nossa e nossa humanidade tocou a divindade. Assim, pela operação do Espírito Santo, o homem torna-se participante da natureza divina. É aceito no Amado.

Uma vez formada, esta união com Cristo deve ser mantida. Disse Cristo: “Estai em Mim, e Eu em vós: como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em Mim”. João 15:4. Isto não é um contato casual, ora sim ora não. O ramo torna-se uma parte da videira viva. A comunicação de vida, força e fertilidade da raiz aos ramos é livre e constante. Separado da videira, o ramo não pode viver. Tampouco, disse Jesus, podeis vós viver separados de Mim. A vida que de Mim recebestes só pode ser conservada por meio de contínua comunhão. Sem Mim não podeis vencer um só pecado, ou resistir a uma única tentação.

“Estai em Mim, e Eu em vós.” Permanecer em Cristo significa receber constantemente de Seu Espírito, uma vida de inteira entrega a Seu serviço. As vias de comunicação entre o homem e seu Deus devem achar-se de contínuo desimpedidas. Como o ramo tira sem cessar a seiva da videira viva, assim nos devemos apegar a Cristo, e dEle receber, pela fé, a força e perfeição de Seu próprio caráter.

A raiz, por meio dos galhos, envia a nutrição aos mais afastados ramos. Assim comunica Jesus a todo crente a corrente do vigor espiritual. Enquanto a alma estiver unida a Cristo, não há perigo de que seque ou se corrompa.

A vida da videira manifestar-se-á em fragrantes frutos nos ramos. “Quem está em Mim”, disse Jesus, “e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer”. João 15;5. Quando vivemos pela fé no Filho de Deus, os frutos do Espírito se manifestarão em nossa vida; nenhum faltará.

“Meu Pai é o Lavrador. Toda a vara em Mim, que não dá fruto, a tira”. João 15:1, 2. Conquanto o enxerto esteja externamente unido à videira, pode não haver nenhuma ligação vital. Então não haverá crescimento ou fertilidade. Assim pode haver uma aparente conexão com Cristo, sem uma real união com Ele pela fé. Uma profissão de religião introduz os homens na igreja, mas o caráter e a conduta mostram se eles se acham em ligação com Cristo. Se não dão frutos, são falsas varas. Sua separação de Cristo envolve uma ruína tão completa como a que é representada pela vara seca. “Se alguém não estiver em Mim”, disse Cristo, “será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem”. João 15:6.

“E limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto”. João 15:2. Dos doze escolhidos que haviam seguido a Jesus, um, como ramo seco, estava para ser tirado; o resto devia passar pelo podão de amarga prova. Com solene ternura, Jesus explicou o desígnio do lavrador. A poda

ocasionará dor, mas é o Pai que aplica o podão. Ele não trabalha com mão impensada nem coração indiferente. Há ramos que se arrastam pelo chão; estes devem ser soltos dos pontos de apoio da terra, a que se apegam as tenras gavinhas. Devem estender-se em direção ao céu, para encontrar em Deus seu sustentáculo. A excessiva folhagem que tira ao fruto a corrente vital, tem de ser podada; cortado, o excesso de ramos, a fim de dar lugar aos saneadores raios do Sol da Justiça. O lavrador corta os rebentos prejudiciais, para que o fruto seja mais rico e abundante.

“Nisto é glorificado Meu Pai”, disse Jesus, “que deis muito fruto”. João 15:8. Deus deseja manifestar por meio de vós a santidade, a beneficência, a compaixão de Seu próprio caráter. Todavia o Salvador não ordena aos discípulos que se atropelem para produzir frutos. Diz-lhes que permaneçam nEle. “Se vós estiverdes em Mim”, diz, “e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”. João 15:7. É por meio da Palavra que Cristo habita em Seus seguidores. Esta é a mesma vital união representada por comer Sua carne e beber Seu sangue. As palavras de Cristo são espírito e vida. Recebendo-as, recebeis a vida da Videira. Viveis “de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Mateus 4:4. A vida de Cristo em vós produz os mesmos frutos que nEle. Vivendo em Cristo, aderindo a Ele, por Ele sustentados, e dEle tirando a nutrição, dareis frutos segundo a Sua semelhança.

Nessa última reunião de Jesus com Seus discípulos, o grande desejo por Ele manifestado em seu favor, foi de que se amassem uns aos outros como Ele mesmo os amara. Falou-lhes repetidamente a esse respeito. “O Meu mandamento é este”, disse por diversas vezes, “que vos ameis uns aos outros”. João 15:12. Foi mesmo a primeira recomendação que lhes fez ao achar-Se a sós com eles no cenáculo: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis”. João 13:34. Para os discípulos, este foi um novo mandamento; pois eles não haviam amado uns aos outros como Cristo os amara. Ele viu que novas idéias e impulsos os deviam dominar; que novos princípios tinham de ser por eles seguidos; por meio de Sua vida e morte, deviam receber uma nova concepção do amor. O mandamento de se amarem uns aos outros tinha uma nova significação em face de Seu sacrifício. Toda a obra da graça é um contínuo serviço de amor, de abnegação, de esforço com sacrifício. Durante cada hora da peregrinação de Cristo na Terra, o amor de Deus dEle brotava em irreprimíveis correntes. Todos quantos são possuídos de Seu espírito, hão de amar como Ele amou. O mesmo princípio que atuava em Cristo, há de atuar neles em todo o seu trato uns com os outros.

Esse amor é o testemunho de seu discipulado. “Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos”, disse Jesus, “se vos amardes uns aos outros”. João 13:35. Quando os homens se ligam entre si, não pela força do

interesse pessoal, mas pelo amor, mostram a operação de uma influência que é superior a toda influência humana. Onde existe esta unidade, é evidente que a imagem de Deus está sendo restaurada na humanidade, que foi implantada nova vida. Mostra que há na natureza divina poder para deter os sobrenaturais agentes do mal, e que a graça de Deus subjuga o egoísmo inerente ao coração natural.

Esse amor manifestado na igreja, há de por certo incitar a ira de Satanás. Cristo não estabelece para Seus discípulos um caminho fácil. “Se o mundo vos aborrece”, diz Ele, “sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece. Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu Senhor. Se a Mim Me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a Minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do Meu nome; porque não conhecem Aquele que Me enviou”. João 15:18-21. O evangelho deve ser levado avante por ativa luta, em meio de oposição, perigo, prejuízo e sofrimento. Mas os que fazem esta obra estão apenas seguindo os passos do Mestre.

Como Redentor do mundo, Cristo foi constantemente confrontado por aparentes fracassos. Ele, o Mensageiro da misericórdia ao nosso mundo, pouco parecia fazer da obra que anelava realizar em erguer e salvar. Satânicas influências estavam sempre operando para Lhe obstar o caminho. Mas Ele não Se desanimava. Através da profecia de Isaías, declara: “Em vão tenho trabalhado, inútil e vã mente gastei as Minhas forças; todavia o Meu direito está perante o Senhor, e o Meu galardão perante o Meu Deus. [...] Israel se deixou ajuntar; contudo aos olhos do Senhor serei glorificado, e o Meu Deus será a Minha força.” É a Cristo que é feita a promessa: “Assim diz o Senhor, o Redentor de Israel, o Santo, à alma desprezada, ao que as nações abominam. [...] Assim diz o Senhor: [...] Te guardarei, e Te darei por concerto do povo, para restaurares a Terra, e lhes dares em herança as herdades assoladas; para dizeres aos presos: Saí; e aos que estão em trevas: Aparecei. [...] Nunca terão fome nem sede, nem a calma nem o Sol os afligirá; porque o que Se compadece deles os guiará, e os levará mansamente aos mananciais”. Isaías 49:4, 5, 7-10.

Nessa palavra repousava Jesus, e não deu lugar a Satanás. Quando estavam para ser dados os últimos passos na humilhação de Cristo, quando Sua alma estava sendo envolvida pela mais profunda aflição, Ele disse aos discípulos: “... se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em Mim”. João 14:30. “O príncipe deste mundo está julgado”. João 16:11. “Agora será expulso”. João 12:31. Com profética visão, Cristo traçou as cenas a terem lugar em Seu último e grande conflito. Sabia que, quando exclamasse: “Está consumado” (João 19:30), todo o Céu havia de triunfar.

Seu ouvido colheria a distante música e os brados de vitória nas cortes celestes. Sabia que havia de soar então o dobre a finados do império de Satanás, e o nome de Cristo seria anunciado de mundo em mundo por todo o Universo.

Cristo regozijava-Se de poder fazer mais em benefício de Seus seguidores, do que eles seriam capazes de pedir ou pensar. Falava com segurança, sabendo que fora dado, já antes da fundação do mundo, um onipotente decreto. Sabia que a verdade, armada com a onipotência do Espírito Santo, havia de vencer na contenda com o mal; e a ensangüentada bandeira flutuaria triunfalmente sobre Seus seguidores. Sabia que a vida de Seus confiantes discípulos seria como a Sua, uma série de ininterruptas vitórias, que aqui não pareceriam sê-lo, mas reconhecidas como tais no grande porvir.

“Tenho-vos dito isto”, disse, “para que em Mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo”. João 16:33. Cristo não falhou, nem Lhe faleceu o ânimo, e Seus seguidores têm de manifestar uma fé de natureza assim resistente. Cumpre-lhes viver como Ele viveu, e trabalhar como Ele trabalhou, pois nEle confiam como o grande Obreiro-Mestre. Valor, energia e perseverança devem eles possuir. Conquanto aparentes impossibilidades lhes entravem o caminho, por Sua graça hão de ir avante. Em lugar de deplorar as dificuldades, são convidados a transpô-las. Não devem desesperar de coisa alguma, mas esperar tudo. Com a áurea cadeia de Seu incomparável amor, tem-nos Cristo ligado ao trono de Deus. É Seu desígnio que lhes pertença a mais alta influência do Universo, influência que emana da fonte de todo o poder. Têm de ter força para resistir ao mal, força que nem a Terra, nem a morte, nem o inferno podem dominar; força que os habilitará a vencer como Cristo venceu.

É intuito de Cristo que a ordem celeste, o celeste plano de governo e a divina harmonia celeste, sejam representadas em Sua igreja na Terra. Assim é Ele glorificado em Seu povo. Por meio deles, o Sol da Justiça resplandecerá sobre o mundo com não empanado brilho. Cristo deu a Sua igreja amplas faculdades, de modo a poder receber abundantes retribuições de glória da parte de Sua remida, comprada possessão. Concedeu a Seu povo capacidade e bênçãos para que representassem Sua própria suficiência. A igreja, dotada com a justiça de Cristo, é Sua depositária, nela se devendo revelar as riquezas de Sua misericórdia, Sua graça em plena e final manifestação. Cristo considera Seu povo, em sua pureza e perfeição, como a recompensa de Sua humilhação, e o suplemento de Sua glória — sendo Ele mesmo o grande Centro, de quem toda a glória irradia.

Com fortes, esperançosas palavras concluiu o Salvador Suas instruções. Depois vazou a opressão de Sua alma em oração pelos discípulos. Erguendo os olhos ao céu, disse: “Pai, é chegada a hora; glorifica a Teu Filho, para que também o Teu Filho Te glorifique a Ti; assim como Lhe

deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos Lhe deste. E a vida eterna é esta: que Te conheçam, a Ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. João 17:1-3.

Cristo concluíra a obra que Lhe fora dada a fazer. Glorificara a Deus na Terra. Manifestara o nome do Pai. Reunira os que haviam de continuar Sua obra entre os homens. E disse: “E, neles, Eu sou glorificado”. João 17:10. “E Eu já não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste, para que sejam um assim como Nós.” “E não rogo somente por eles, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em Mim; para que todos sejam um, [...] Eu neles, e Tu em Mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim, e que os tens amado a eles como Me tens amado a Mim”. João 17:11, 20, 23.

Assim, na linguagem de quem possui autoridade divina, Cristo entrega Sua igreja eleita nos braços do Pai. Como consagrado sumo sacerdote, intercede por Seu povo. Como fiel pastor, reúne Seu rebanho à sombra do Todo-poderoso, no forte e seguro refúgio. Quanto a Si, aguarda-O a última batalha com Satanás, e Ele sai a enfrentá-la.

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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