Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 270
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 435-437
era proibido, como sendo de molde a encher o sangue de impurezas e abreviar a vida. Mas os fariseus não deixaram essas restrições como Deus as ordenara. Foram a extremos injustificáveis. Entre outras coisas, tinha o povo que coar toda a água de uso, não contivesse ela o mais pequenino inseto, o qual poderia ser classificado entre os animais imundos. Jesus, comparando essas fúteis práticas com a magnitude de seus pecados reais, disse aos fariseus: “Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo”. Mateus 23:24.
“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia”. Mateus 23:27. Como os branqueados sepulcros, belamente ornamentados ocultavam os putrefatos restos no interior, assim a aparente santidade dos sacerdotes e príncipes escondia iniqüidade. Jesus continuou:
“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas”. Mateus 23:29-31. Para mostrar sua estima pelos profetas mortos, os judeus eram muito zelosos em embelezar-lhes os sepulcros; mas não aproveitavam seus ensinos, nem davam ouvidos às suas reprovações.
Nos dias de Cristo nutria-se uma supersticiosa consideração para com os túmulos dos mortos, e prodigalizavam-se grandes somas no adorno dos mesmos. Aos olhos de Deus isso era idolatria. Em sua indevida consideração para com os mortos, os homens mostravam não amar a Deus sobre tudo, e ao próximo como a si mesmos. A mesma idolatria está sendo hoje levada bem longe. Muitos são culpados de negligenciar as viúvas e os órfãos, os doentes e os pobres, a fim de construírem custosos monumentos para os mortos. Tempo, dinheiro e trabalho são abundantemente gastos com esse fim, ao passo que os deveres para com os vivos — deveres positivamente ordenados por Cristo — são deixados por cumprir.
Os fariseus construíam os sepulcros dos profetas, e os adornavam, e diziam uns para os outros: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos a eles para derramar o sangue dos servos de Deus. Ao mesmo tempo estavam planejando tirar a vida de Seu Filho. Isso nos deve servir de lição. Deve-nos abrir os olhos ao poder de Satanás para enganar a mente que se desvia da luz da verdade. Muitos seguem nas pegadas dos fariseus. Reverenciam os que morreram por sua fé. Admiram-se da cegueira dos judeus em rejeitar a Cristo. Houvéssemos vivido em Seu tempo, declaram, e com prazer Lhe receberíamos os ensinos; nunca teríamos tomado parte no crime dos que rejeitaram o Salvador. Mas quando a obediência a Deus requer abnegação e humilhação, essas mesmas pessoas abafam suas
convicções e recusam obediência. Assim manifestam o mesmo espírito que os fariseus a quem Cristo condenou.
Mal avaliavam os judeus a terrível responsabilidade envolvida na rejeição de Cristo. Desde o tempo em que foi derramado o primeiro sangue inocente, quando o justo Abel caiu pela mão de Caim, repetira-se a mesma história com progressiva culpa. Em todos os séculos haviam profetas erguido a voz contra os pecados dos reis, autoridades e povo, dizendo as palavras que Deus lhes dera e obedecendo à Sua vontade com perigo da própria vida. De geração para geração se estivera acumulando uma terrível punição contra os rejeitadores da luz e da verdade. Essa os inimigos de Cristo estavam então atraindo sobre as próprias cabeças. O pecado dos sacerdotes e principais era maior que o de qualquer geração anterior. Por sua rejeição do Salvador, estavam-se tornando responsáveis pelo sangue de todos os justos mortos desde Abel até Cristo. Estavam prestes a fazer transbordar sua taça de iniqüidade. E dentro em pouco lhes seria ela derramada sobre a cabeça em juízo de retribuição. Disso os advertiu Jesus:
“Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a Terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração”. Mateus 23:35, 36.
Os escribas e fariseus que escutavam Jesus, sabiam que Suas palavras eram verdadeiras. Sabiam como fora morto o profeta Zacarias. Enquanto as palavras de advertência vindas de Deus se achavam em seus lábios, uma fúria satânica apoderou-se do rei apóstata e, por sua ordem, foi morto o profeta. Seu sangue assinalara as pedras do próprio pátio do templo, e não pôde ser apagado; ali ficou para dar testemunho contra o apóstata Israel. Enquanto o templo existisse, ali estaria a mancha daquele sangue justo, clamando a Deus vingança. Ao referir-Se Jesus a esses terríveis pecados, um arrepio de horror passou pela multidão.
Antevendo o futuro, declarou Jesus que a impenitência dos judeus e sua intolerância para com os servos do Senhor seriam futuramente as mesmas do passado:
“Portanto, eis que Eu vos envio profetas, sábios e escribas; e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade”. Mateus 23:34. Profetas e sábios, cheios de fé e do Espírito Santo — Estêvão, Tiago e muitos outros — seriam condenados e mortos. Com a mão erguida para o Céu e uma luz divina a circundá-Lo, Cristo falou como juiz aos que se achavam diante dEle. Sua voz, tantas vezes ouvida em suavidade e súplica, fazia-se agora ouvir em censura e condenação. Os ouvintes tremeram. Jamais se havia de apagar a impressão produzida por Suas palavras e Seu olhar.
A indignação de Cristo era contra a hipocrisia, os crassos pecados pelos quais os homens estavam destruindo a própria alma, enganando
o povo e desonrando a Deus. No enganador raciocínio dos sacerdotes e principais, distinguia Ele a operação de forças satânicas. Viva e penetrante fora Sua acusação do pecado; mas não proferiu palavras de vingança. Tinha uma santa indignação contra o príncipe das trevas; mas não manifestava nenhuma irritação. Assim o cristão que vive em harmonia com Deus, possuindo os suaves atributos do amor e da misericórdia, experimentará uma justa indignação contra o pecado; mas não se tomará de paixão para injuriar os que injuriam. Mesmo enfrentando os que se acham movidos pelas forças de baixo para manter a falsidade, em Cristo conservará ele ainda a calma e o domínio de si mesmo.
No semblante do Filho de Deus estampava-se divina piedade ao deitar Ele um demorado olhar ao templo, e depois, aos ouvintes. Numa voz agitada por profunda angústia de coração e amargas lágrimas, Ele exclamou: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” Mateus 23:37. É a luta da separação. Na lamentação de Cristo, extravasava o próprio coração de Deus. É o misterioso adeus do longânimo amor da Divindade.
Fariseus e saduceus igualmente emudeceram. Jesus chamou Seus discípulos, e preparou-Se para deixar o templo, não como um vencido e forçado a retirar-se da presença dos adversários, mas como alguém cuja obra está concluída. Retirou-Se do conflito, vencedor.
As gemas de verdade caídas dos lábios de Cristo, naquele dia memorável, foram entesouradas em muitos corações. Para eles começou uma nova corrente de pensamentos, aspirações novas foram despertadas, e teve início uma nova época. Depois da crucifixão e ressurreição de Cristo, estas pessoas foram para a frente, e cumpriram sua divina missão com uma sabedoria e zelo correspondentes à grandeza da obra. Deram uma mensagem que falava aos corações dos homens, enfraquecendo as velhas superstições que haviam por muito tempo feito definhar a vida de milhares. Em face de seu testemunho, as teorias e filosofias humanas tornaram-se quais ociosas fábulas. Poderosos foram os resultados que emanaram das palavras do Salvador àquela turba admirada e cheia de temor, no templo de Jerusalém.
Mas Israel, como nação, divorciara-se de Deus. Os ramos naturais da oliveira foram quebrados. Olhando pela última vez para o interior do templo, Jesus disse em patética lamentação: “Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; porque Eu vos digo que desde agora não Me vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor”. Mateus 23:38, 39. Até então Ele chamara o templo a casa de Seu Pai; mas agora, ao sair o Filho de Deus de entre aquelas paredes, a presença de Deus seria para sempre retirada do templo construído para Sua glória. Daí em diante suas cerimônias seriam destituídas de sentido, uma zombaria seus cultos.
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White