Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 268
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 430-432
tradição e sua fé cega num sacerdócio corrompido, achava-se o povo escravizado. Essas cadeias, devia Cristo quebrar. Era preciso expor mais plenamente o caráter dos sacerdotes, principais e fariseus.
“Na cadeira de Moisés”, disse ele, “estão assentados os escribas e fariseus. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam”. Mateus 23:2, 3. Os escribas e fariseus pretendiam achar-se investidos de divina autoridade idêntica à de Moisés. Arrogavam-se seu lugar como expositores da lei e juízes do povo. Como tais, exigiam do mesmo a mais completa deferência e submissão. Jesus mandou que Seus ouvintes fizessem aquilo que os rabis ensinassem de acordo com a lei, mas não lhes seguissem o exemplo. Eles próprios não praticavam o que ensinavam.
E ensinavam muito que era contrário às Escrituras. Disse Jesus: “Atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los”. Mateus 23:4. Os fariseus impunham uma multidão de regulamentos, com base na tradição, os quais restringiam irrazoavelmente a liberdade pessoal. E certas porções da lei explicavam de maneira a impor ao povo observância que eles próprios, secretamente, passavam por alto, e das quais, quando convinha aos seus desígnios, pretendiam na verdade estar isentos.
Fazer ostentação de sua piedade, eis seu constante objetivo. Coisa alguma era considerada demasiado sagrada para servir a esse fim. Deus dissera a Moisés com referência a Suas ordenanças: “Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por testeira entre os teus olhos”. Deuteronômio 6:8. Essas palavras têm profunda significação. À medida que a Palavra de Deus é meditada e posta em prática, o homem todo é enobrecido. Num trato justo e misericordioso, as mãos revelarão, como um selo, os princípios da lei divina. Conservar-se-ão limpas de suborno, e de tudo quanto é corrompido e enganoso. Serão ativas em obras de amor e compaixão. Os olhos, dirigidos para um nobre fito, serão limpos e leais. O semblante expressivo, o eloqüente olhar, testificarão do irrepreensível caráter daquele que ama e honra a Palavra divina. Pelos judeus dos dias de Cristo, porém, todas estas coisas não eram discernidas. O mandamento dado a Moisés fora interpretado no sentido de que os preceitos da Escritura deviam ser usados sobre o corpo. Eram, portanto, escritos em tiras de pergaminho e presos, muito ostensivamente, em torno da cabeça e dos pulsos. Isso, porém, não fazia com que a lei de Deus se firmasse mais na mente e no coração. Esses pergaminhos eram usados meramente como insígnias, para chamar a atenção. Supunha-se que davam aos que os usavam um ar de devoção que imporia reverência ao povo. Jesus desferiu um golpe nessa vã pretensão:
“Fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas de seus vestidos, e amam os primeiros
lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens — Rabi, Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na Terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos Céus. Nem vos chameis mestres, porque só um é o vosso Mestre, que é o Cristo”. Mateus 23:5-10. Em palavras assim positivas revelou o Salvador as ambições egoístas que sempre buscavam lugar e poder, exibindo uma fictícia humildade, enquanto o coração estava cheio de avareza e inveja. Ao serem as pessoas convidadas a um banquete, colocavam-se os convivas segundo sua posição, e aqueles a quem se concedia o mais honroso lugar, eram objeto de maiores atenções e favores especiais. Os fariseus sempre estavam manejando para assegurar-se essas honras. Esse costume Jesus censurou.
Reprovou também a vaidosa ostentação de cobiçar o título de rabi, ou de mestre. Esse título, declarou, não pertencia a homens, mas ao Cristo. Sacerdotes, escribas e príncipes, expositores e ministradores da lei, eram todos irmãos, filhos do mesmo Pai. Jesus ensinou positivamente o povo a não dar a nenhum homem um título de honra que indicasse possuir ele domínio sobre sua consciência ou sua fé.
Se Cristo Se encontrasse hoje na Terra, rodeado pelos que usam o título de “Reverendo”, “Reverendíssimo”, não repetiria Suas palavras: “Nem vos chameis, mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo”? Mateus 23:10. A Escritura declara a respeito de Deus: “Santo e tremendo [’reverendo’ dizem outras versões] é o Seu nome”. Salmos 111:9. A que ser humano cabe esse título? Quão pouco revela o homem da sabedoria e da justiça que o mesmo indica! Quantos dos que aceitam esse título estão representando mal o nome e o caráter de Deus! Ai, quantas vezes se têm a ambição mundana, o despotismo e os mais baixos pecados escondido sob as bordadas vestes de um elevado e santo cargo! O Salvador continuou:
“Porém o maior dentre vós será vosso servo. E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado”. Mateus 23:11, 12. Repetidamente ensinara Cristo que a verdadeira grandeza se mede pelo valor moral. Na estimativa celeste, a grandeza de caráter consiste em viver para o bem-estar de nossos semelhantes, em praticar obras de amor e de misericórdia. Cristo, o Rei da Glória, foi servo do homem caído.
“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas!” disse Jesus, “pois que fechais aos homens o reino dos Céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando”. Mateus 23:13. Pervertendo as Escrituras, os sacerdotes e doutores da lei cegavam o espírito dos que, de outro modo, teriam recebido conhecimento do reino de Cristo, e aquela vida interior, divina, essencial à verdadeira santidade.
“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! pois que devorais as casas
das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo”. Mateus 23:14. Os fariseus tinham grande influência sobre o povo, e disso se aproveitavam para servir os próprios interesses. Conquistavam a confiança de piedosas viúvas, e então lhes apresentavam, como seu dever, consagrar sua propriedade a fins religiosos. Havendo conseguido domínio sobre seus bens, os astutos calculistas empregavam-nos para seu próprio benefício. Para encobrir sua desonestidade, faziam longas orações em público, e grande ostentação de piedade. Essa hipocrisia Cristo declarou que lhes traria maior condenação. A mesma repreensão recai hoje sobre muitos que fazem grande profissão de piedade. Sua vida é manchada de avareza e egoísmo, e todavia lançam sobre tudo isso um manto de aparente pureza, e assim por algum tempo enganam os semelhantes. Mas não podem enganar a Deus. Ele lê todo desígnio do coração, e julgará todo homem segundo as suas ações.
Cristo condenou fartamente os abusos, mas teve cuidado de não diminuir a obrigação. Repreendeu o egoísmo que extorquia e dava má aplicação às dádivas da viúva. Ao mesmo tempo louvou a viúva que trouxe sua oferta para o tesouro do Senhor. O abuso que praticava o homem com a dádiva, não podia desviar da doadora a bênção divina.
Jesus estava no pátio onde se achava a arca do tesouro, e observava os que ali iam depositar as ofertas. Muitos dos ricos levavam grandes somas, que apresentavam com grande ostentação. Jesus os contemplava tristemente, mas não fez comentário algum acerca de suas liberais ofertas. Num momento, Sua fisionomia iluminou-se ao ver uma pobre viúva aproximar-se hesitante, como receosa de ser observada. Enquanto os ricos e altivos se apressavam para depor suas dádivas, ela se retraía, como se mal ousasse adiantar-se. Todavia, anelava fazer qualquer coisa, por pequenina que fosse, pela causa que amava. Contemplou a dádiva que tinha na mão. Era demasiado pequena em comparação com as ofertas dos que a rodeavam; ali estava, no entanto, tudo quanto possuía. Espreitando o ensejo, deitou apressadamente suas duas moedinhas, e virou-se para se afastar, ligeira. Ao fazê-lo, porém, encontrou o olhar de Jesus, cravado nela.
O Salvador chamou a Si os discípulos, e convidou-os a notar a pobreza da viúva. Então soaram aos ouvidos dela Suas palavras de louvor: “Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva”. Lucas 21:3. Lágrimas de alegria lhe encheram os olhos, ao ver que seu ato era compreendido e apreciado. Muitos tê-la-iam aconselhado a guardar seu escasso recurso para o próprio uso; dado às mãos dos bem nutridos sacerdotes, perder-se-ia de vista entre os muitos custosos dons levados ao tesouro. Mas Jesus entendeu-lhe o motivo. Ela cria que o serviço do templo era indicado por Deus, e estava ansiosa por fazer tudo que lhe era possível para sua manutenção. Fez o que pôde e sua ação serviria de monumento a sua memória, através dos tempos, e alegria na eternidade.
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White