Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 384-385

a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia”. 2 Timóteo 4:6-8.

Mais perto de Cristo estará aquele que, na Terra, mais profundamente sorveu do espírito de Seu abnegado amor — amor que “não se ensoberbece, [...] não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal” (1 Coríntios 13:4, 5) — amor que move o discípulo, como fazia ao Senhor, a dar tudo, a viver, trabalhar e sacrificar-se, até à própria morte, pela salvação da humanidade. Este espírito foi manifestado na vida de Paulo. Disse ele: “Para mim o viver é Cristo”; pois sua vida revelava Cristo aos homens; “e o morrer é ganho” — ganho para Cristo; a própria morte tornaria patente o poder de Sua graça, e atrairia almas para Ele. “Cristo será [...] engrandecido no meu corpo”, disse ele, “seja pela vida, seja pela morte”. Filipenses 1:21, 20.

Quando os dez ouviram do pedido de Tiago e João, ficaram muito desgostosos. O mais elevado lugar no reino era exatamente o que cada um deles buscava para si mesmo, e zangaram-se porque os dois discípulos lhes houvessem obtido aparente vantagem.

Novamente o conflito acerca de quem deveria ser o maior estava a ponto de se renovar, quando Jesus, chamando-os a Si, disse aos indignados discípulos: “Sabeis que os que julgam ser príncipes das gentes delas se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; mas entre vós não será assim.”

Nos reinos do mundo, a posição implicava em engrandecimento próprio. Supunha-se que o povo existia para benefício das classes dominantes. Influência, fortuna, educação eram outros tantos meios de empolgar as massas para proveito dos dirigentes. As classes mais altas deviam pensar, decidir, gozar e dominar; às mais humildes cumpria obedecer e servir. A religião, como tudo mais, era uma questão de autoridade. Do povo esperava-se que acreditasse e procedesse segundo a direção de seus superiores. O direito do homem como homem — pensar e agir por si mesmo — era inteiramente postergado.

Cristo estava estabelecendo um reino sobre princípios diversos. Chamava os homens, não à autoridade, mas ao serviço, os fortes a sofrer as fraquezas dos fracos. Poder, posição, talento, educação colocavam seus possuidores sob maior dever de servir aos semelhantes. Ainda ao mais humilde dos discípulos de Cristo, é dito: “Tudo isso é por amor de vós”. 2 Coríntios 4:15.

“O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a Sua vida em resgate de muitos”. Mateus 20:28. Entre Seus discípulos, Cristo era em todos os sentidos Aquele sobre quem repousavam os cuidados e responsabilidades. Partilhava da pobreza deles, exercia abnegação em seu benefício, ia adiante deles para lhes aplainar os mais ásperos caminhos e deveria consumar em breve Sua obra terrestre, entregando

a própria vida. O princípio sobre que Ele agia deve atuar nos membros da igreja, que é Seu corpo. O plano e a base da salvação são amor. No reino de Cristo, são maiores os que seguem o exemplo por Ele dado e procedem como pastores de Seu rebanho.

As palavras de Paulo revelam a verdadeira dignidade e honra da vida cristã: “Sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos” (1 Coríntios 9:19), “não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar”. 1 Coríntios 10:33.

Em questões de consciência, a alma deve ser deixada livre. Ninguém deve controlar o espírito de outro, julgar por outro, ou prescrever-lhe o dever. Deus dá a toda alma liberdade de pensar, e seguir suas próprias convicções. “Cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus”. Romanos 14:12. Ninguém tem direito de imergir sua individualidade na de outro. Em tudo quanto envolve princípios, “cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo”. Romanos 14:5. No reino de Cristo não há nenhuma orgulhosa opressão, nenhuma obrigatoriedade de costumes. Os anjos do Céu não vêm à Terra para mandar, e exigir homenagens, mas como mensageiros da misericórdia, a fim de cooperar com os homens em erguer a humanidade.

Os princípios e as próprias palavras do ensino do Salvador permaneceram, em sua divina beleza, na memória do discípulo amado. Até seus últimos dias, a preocupação do testemunho do apóstolo às igrejas, era: “Esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.” “Conhecemos a caridade nisto: que Ele deu a Sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos”. 1 João 3:11, 16.

Era esse o espírito que dominava a igreja primitiva. Depois do derramamento do Espírito Santo, “era um o coração e a alma dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria”. “Nem havia entre eles necessitado algum.” “E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça”. Atos dos Apóstolos 4:32, 34, 33.

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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