Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 368-370

de preparar a refeição, foi ter com Cristo, dizendo: “Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe, pois, que me ajude”. Lucas 10:40. Isto foi por ocasião da primeira visita de Cristo a Betânia. O Salvador e os discípulos haviam feito a pé a fatigante viagem de Jericó até lá. Marta anelava proporcionar-lhes conforto e, em sua ansiedade, esqueceu a gentileza devida ao Hóspede. Jesus lhe respondeu branda e pacientemente: “Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”. Lucas 10:41, 42. Maria estava enriquecendo o espírito com as preciosas palavras caídas dos lábios do Salvador, palavras mais valiosas para ela do que as mais magníficas jóias da Terra.

A “uma só” coisa que Marta necessitava, era espírito calmo, devoto, mais profundo anseio de conhecimento da vida futura, imortal, e as graças necessárias ao progresso espiritual. Precisava de menos ansiedade em torno das coisas que passam, e mais pelas que permanecem para sempre. Jesus quer ensinar Seus filhos a se apoderarem de toda oportunidade de adquirir o conhecimento que os tornará sábios para a salvação. A causa de Cristo requer obreiros cuidadosos e enérgicos. Existe vasto campo para as Martas, com seu zelo no culto ativo. Sentem-se elas primeiro, porém, com Maria aos pés de Jesus. Sejam a diligência, prontidão e energia santificadas pela graça de Cristo; então a vida será uma invencível força para o bem.

A dor penetrou no pacífico lar em que Jesus descansara. Lázaro foi acometido de repentina moléstia, e as irmãs mandaram em busca do Salvador, dizendo: “Senhor, eis que está enfermo aquele que Tu amas”. João 11:3. Viram a violência do mal que atacara o irmão, mas sabiam que Jesus Se demonstrara capaz de curar toda espécie de doenças. Acreditavam que delas Se compadeceria em sua aflição; não puseram, pois, maior empenho em que viesse imediatamente, mas enviaram apenas a confiante mensagem: “Eis que está enfermo aquele que Tu amas.” Julgavam que atenderia imediatamente a esse apelo e Se acharia com elas assim que Lhe fosse possível. Ansiosas, aguardavam uma palavra de Jesus. Enquanto restou em seu irmão uma centelha de vida, oraram, e esperaram pelo Mestre. Mas o mensageiro voltou sem Ele. Trouxe, todavia, o recado: “Esta enfermidade não é para morte” (João 11:4), e elas se apegaram à esperança de que Lázaro viveria. Buscavam com ternura dirigir palavras de esperança e animação ao quase inconsciente enfermo. Quando Lázaro morreu, ficaram cruelmente decepcionadas; sentiam-se, porém, sustidas pela graça de Cristo, e isso as guardou de lançar qualquer censura ao Salvador.

Quando Cristo ouviu a notícia, os discípulos julgaram que a recebera friamente. Não manifestou o pesar que esperavam. Olhando para eles, disse: “Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus; para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.” Por dois dias Se demorou

no lugar em que Se achava. Essa demora era um mistério para os discípulos. Que conforto Sua presença seria para a aflita família! pensavam. Era bem conhecida dos discípulos Sua grande afeição pela família de Betânia, e surpreenderam-se de que Ele não atendesse à triste mensagem: “Eis que está enfermo aquele que Tu amas.”

Durante os dois dias, Cristo parecia haver alijado da mente a notícia; pois não falava em Lázaro. Os discípulos lembraram-se de João Batista, o precursor de Jesus. Haviam-se admirado de que, com o poder de que dispunha para operar milagres maravilhosos, Cristo houvesse permitido que João definhasse no cárcere e morresse de morte violenta. Possuindo tal poder, por que não salvara a vida de João? Essa pergunta fora muitas vezes feita pelos fariseus, que a apresentavam como irrefutável argumento contra a afirmação de Cristo, de ser o Filho de Deus. O Salvador advertira os discípulos de provações, perdas e perseguições. Abandoná-los-ia na provação? Alguns cogitaram se se haviam enganado a respeito de Sua missão. Todos ficaram profundamente perturbados.

Depois de esperar dois dias, disse Jesus aos discípulos: “Vamos outra vez para a Judéia”. João 11:7. Os discípulos reflexionavam por que, se Jesus ia para a Judéia, esperara dois dias? Mas a ansiedade por Cristo e por eles próprios tomou então o primeiro plano no espírito deles. Não podiam ver senão perigos no passo que Ele ia dar. “Rabi”, disseram, “ainda agora os judeus procuravam apedrejar-Te, e tornas para lá? Jesus respondeu: Não há doze horas no dia?” Acho-Me sob a direção de Meu Pai; enquanto fizer Sua vontade, Minha vida está segura. As doze horas do Meu dia ainda não findaram. Entrei em suas últimas horas; mas enquanto restar algumas delas, acho-Me a salvo.

“Se alguém andar de dia”, continuou, “não tropeça, porque vê a luz deste mundo.” Aquele que faz a vontade de Deus, que anda no caminho por Ele indicado, não pode tropeçar nem cair. A luz do Espírito de Deus, a guiá-lo, dá-lhe clara percepção de seu dever, conduzindo-o direito até ao fim de sua obra. “Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz.” Aquele que anda em caminho de sua própria escolha, ao qual Deus não o chamou, tropeçará. Para esse o dia se torna em noite, e onde quer que esteja, não se acha seguro.

“Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo dorme, mas vou despertá-lo do sono.” “Lázaro, o nosso amigo, dorme”. João 11:9-11. Que tocantes essas palavras! quão repassadas de simpatia! Ao pensamento do perigo que seu Mestre ia correr indo a Jerusalém, os discípulos quase esqueceram a enlutada família de Betânia. Tal, porém, não se dera com Cristo. Os discípulos sentiram-se repreendidos. Tinham ficado decepcionados por Cristo não atender mais prontamente à mensagem. Foram tentados a pensar que não possuía por Lázaro e suas irmãs a terna afeição que Lhe atribuíam, do contrário Se teria apressado a ir

com o mensageiro. Mas as palavras: “Lázaro, o nosso amigo, dorme”, despertaram-lhes os devidos sentimentos. Convenceram-se de que Jesus não esquecera os amigos em aflição.

“Disseram pois os Seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono”. João 11:12, 13. Cristo apresenta a morte, para Seus filhos crentes, como um sono. Sua vida está escondida com Cristo em Deus, e até que soe a última trombeta, os que morrem dormirão nEle.

Então Jesus lhes disse claramente: “Lázaro está morto; e folgo, por amor de vós de que Eu lá não estivesse, para que acrediteis; mas vamos ter com ele”. João 11:14, 15. Tomé não podia ver senão morte reservada a seu Mestre, caso fosse para a Judéia; mas encheu-se de ânimo, e disse aos outros discípulos: “Vamos nós também, para morrermos com Ele”. João 11:16. Ele conhecia o ódio dos judeus para com Cristo. Era desígnio deles tramar-Lhe a morte, mas não alcançaram esse objetivo, porque Lhe restava ainda algum do tempo que Lhe estava determinado. Durante esse tempo, Jesus tinha a guarda dos anjos celestiais, e mesmo nas regiões da Judéia, onde os rabis estavam tramando a maneira de se apoderar dEle e entregá-Lo à morte, mal algum Lhe poderia sobrevir.

Os discípulos maravilharam-se às palavras de Cristo, quando disse: “Lázaro está morto; e folgo [...] que Eu lá não estivesse”. João 11:14, 15. Esquivar-Se-ia o Salvador, por Sua própria vontade, do lar de Seus amigos em sofrimento? Aparentemente. Maria, Marta e o moribundo Lázaro foram deixados sós. Mas não estavam sós. Cristo testemunhou toda a cena e, depois da morte de Lázaro, Sua graça susteve as desoladas irmãs. Jesus testemunhou a dor de seus despedaçados corações, ao lutar o irmão contra o poderoso inimigo — a morte. Sentiu todo o transe da agonia, quando disse aos discípulos: “Lázaro o nosso amigo, dorme.” Mas Cristo não tinha somente os amados de Betânia em quem pensar; o preparo de Seus discípulos exigia-Lhe a consideração. Deviam ser Seus representantes perante o mundo, para que a bênção do Pai a todos pudesse abranger. Por amor deles permitiu que Lázaro morresse. Houvesse-o Ele restabelecido à saúde, e não se teria realizado o milagre que é a mais positiva prova de Seu caráter divino.

Se Cristo Se achara no quarto do doente, este não teria morrido; pois Satanás nenhum poder sobre ele exerceria. A morte não alvejaria a Lázaro com seu dardo, em presença do Doador da vida. Portanto, Cristo Se conservou distante. Consentiu que o maligno exercesse seu poder, a fim de o fazer recuar como um inimigo vencido. Permitiu que Lázaro passasse pelo poder da morte; e as consternadas irmãs viram seu amado ser deposto no sepulcro. Cristo sabia que ao contemplarem o rosto inanimado do irmão, severa seria a prova de sua fé no Redentor. Mas sabia que, em virtude da luta por que estavam então passando essa

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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