Cristo O Caminho

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Leitura do livro

O Desejado de Todas as Nações, páginas 326-328

Capítulo 51 — “A luz da vida”

Este capítulo é baseado em João 8:12-59; 9.

Falou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. João 8:12. Ao falar essas palavras, estava Jesus no pátio do templo, especialmente relacionado com as cerimônias religiosas da festa dos tabernáculos. No centro desse pátio erguiam-se dois altos pilares sustentando suportes de lâmpadas, de grandes dimensões. Depois do sacrifício da tarde, acendiam-se todas as lâmpadas, que derramavam luz sobre Jerusalém. Essa cerimônia comemorava a coluna luminosa que guiara Israel no deserto, e era também considerada como apontando para a vinda do Messias. À noitinha, quando se acendiam as lâmpadas, o pátio apresentava uma cena de grande regozijo. Homens de cabelos brancos, os sacerdotes do templo e os príncipes do povo, uniam-se em festivas danças ao som dos instrumentos e dos cantos dos levitas.

Na iluminação de Jerusalém, o povo exprimia sua esperança da vinda do Messias, para espalhar Sua luz sobre Israel. Para Jesus, porém, tinha a cena mais ampla significação. Como as irradiantes lâmpadas do templo iluminavam tudo em derredor, assim Cristo, a fonte da luz espiritual, ilumina as trevas do mundo. Todavia, o símbolo era imperfeito. Aquela grande luz que Sua própria mão pusera no céu era uma representação mais fiel da glória de Sua missão.

Era de manhã; o Sol acabava de erguer-se sobre o Monte das Oliveiras, e seus raios incidiam com ofuscante claridade no mármore dos palácios, fazendo rebrilhar o ouro das paredes do templo, quando Jesus, apontando-o, disse: “Eu sou a luz do mundo”. João 8:12.

Muito posteriormente, foram essas palavras repetidas, por alguém que as ouvira, nesta sublime passagem: “NEle estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.” “Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo”. João 1:4, 5, 9. E muito depois de Cristo haver ascendido ao Céu, Pedro também, escrevendo sob a iluminação do Espírito divino, evocou o símbolo empregado por Cristo: “E temos mui firme a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vossos corações”. 2 Pedro 1:19.

Na manifestação de Deus a Seu povo, a luz fora sempre um símbolo

de Sua presença. À ordem da palavra criadora, no princípio, a luz brilhara das trevas. Estivera velada na coluna de nuvens de dia, e na de fogo à noite, conduzindo os vastos exércitos de Israel. Resplandecera com terrível majestade em volta do Senhor, no Monte Sinai. Repousava sobre o propiciatório no tabernáculo. Enchera o templo de Salomão, ao ser dedicado. Nas colinas de Belém, quando os anjos trouxeram a mensagem de redenção aos pastores de vigia, brilhara a luz.

Deus é luz; e nas palavras: “Eu sou a luz do mundo”, Cristo declarou Sua unidade com Deus e Sua relação para com toda a família humana. Fora Ele que, no princípio, fizera com que “das trevas resplandecesse a luz”. 2 Coríntios 4:6. Ele é a luz do Sol, e da Lua, e das estrelas. Era Ele a luz espiritual que, em símbolo e tipo e profecia, brilhara sobre Israel. Mas não somente para a nação judaica fora dada essa luz. Como os raios solares penetram até aos mais afastados recantos da Terra, assim a luz do Sol da Justiça resplandece sobre todos.

“Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo.” O mundo tem tido seus grandes ensinadores, homens de cérebro gigantesco e dotados de admirável capacidade de investigação, homens cujas declarações têm estimulado o pensamento e aberto à visão vastos campos de conhecimento; e esses homens têm sido honrados como guias e benfeitores de sua raça. Alguém existe, porém, que os supera a todos. “A todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.” “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, Esse O fez conhecer”. João 1:12, 18. Podemos seguir os passos dos grandes homens do mundo até aonde se estende o registro da história humana; a Luz, porém, existia antes deles. Como a Lua e as estrelas de nosso sistema solar brilham pelo reflexo da luz do Sol, assim, no que há de verdadeiro em seus ensinos, refletem os grandes pensadores do mundo os raios do Sol da Justiça. Toda jóia de pensamento, todo lampejo de intelecto, provém da luz do mundo. Ouvimos muito, hoje em dia, acerca da “educação superior”. A verdadeira “educação superior” é a comunicada por Aquele “em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência”. Colossences 2:3. “NEle estava a vida, e a vida era a luz dos homens”. João 1:4. “Quem Me segue não andará em trevas”, disse Jesus, “mas terá a luz da vida.”

Com as palavras “Eu sou a luz do mundo” (João 8:12), Jesus Se declarou o Messias. O velho Simeão, no templo em que Jesus ora ensinava, falara dEle como “Luz para alumiar as nações, e para glória de Teu povo Israel”. Lucas 2:32. Por essas palavras, aplicava a Ele uma profecia familiar a todo o Israel. Por intermédio do profeta Isaías, o Espírito Santo declarara: “Pouco é que sejas o Meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os guardados de Israel; também Te dei para luz dos gentios, para seres a Minha salvação até à extremidade da Terra”. Isaías 49:6. Esta profecia era

geralmente compreendida como se referindo ao Messias, e quando Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo”, o povo não podia deixar de reconhecer que Ele Se declarava o Prometido.

Para os fariseus e principais, essa afirmação afigurava-se arrogante presunção. Que um homem como eles próprios tivesse essas pretensões, não podiam eles tolerar. Aparentando passar por alto Suas palavras, perguntaram: “Quem és Tu?” Intentavam forçá-Lo a declarar-Se o Cristo. Sua aparência e obra estavam em tanto desacordo com a expectativa do povo que, segundo criam Seus astutos inimigos, uma declaração positiva de Sua parte como Messias, daria lugar a que Ele fosse rejeitado como impostor.

Mas à pergunta deles: “Quem és Tu”, Jesus replicou: “Isso mesmo que já desde o princípio vos disse”. João 8:25, 26. O que revelara em Suas palavras, manifestava-se também em Seu caráter. Ele era a personificação das verdades que ensinava. “Nada faço por Mim mesmo; mas falo como o Pai Me ensinou. E Aquele que Me enviou está comigo; o Pai não Me tem deixado só, porque Eu faço sempre o que Lhe agrada”. João 8:28, 29. Ele não tentou provar Sua messianidade, mas mostrou Sua unidade com Deus. Se o espírito deles houvesse estado aberto ao amor divino, teriam recebido a Jesus.

Entre os ouvintes, muitos foram para Ele atraídos com fé, e a estes Jesus disse: “Se vós permanecerdes na Minha palavra, verdadeiramente sereis Meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. João 8:31, 32.

Essas palavras ofenderam os fariseus. Passaram por alto a longa sujeição de seu povo a um jugo estrangeiro, e exclamaram, zangados: “Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes Tu: Sereis livres?” João 8:33. Jesus olhou a esses homens, escravos da malignidade, cujos pensamentos iam após vinganças, e respondeu com tristeza: “Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado”. João 8:34. Eles se achavam na pior espécie de servidão — governados pelo espírito do mal.

Toda pessoa que recusa entregar-se a Deus, acha-se sob o domínio de outro poder. Não pertence a si mesma. Pode falar de liberdade, mas está na mais vil servidão. Não lhe é permitido ver a beleza da verdade, pois sua mente se encontra sob o poder de Satanás. Enquanto se lisonjeia de seguir os ditames de seu próprio discernimento, obedece à vontade do príncipe das trevas. Cristo veio quebrar as algemas da escravidão do pecado para a alma. “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” “A lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus” nos liberta “da lei do pecado e da morte”. Romanos 8:2.

Não há constrangimento na obra da redenção. Não se exerce nenhuma força externa. Sob a influência do Espírito de Deus, o homem é deixado livre para escolher a quem há de servir. Na mudança que

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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