Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 189
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 308-310
Mas quando os homens se exaltam, sentindo que são uma necessidade para o êxito do grande plano de Deus, o Senhor faz com que sejam postos de lado. Torna-se evidente que o Senhor não depende deles. A obra não se detém por causa de seu afastamento da mesma, mas vai avante com maior poder.
Não bastava aos discípulos de Jesus o serem instruídos quanto à natureza de Seu reino. O que necessitavam era uma mudança de coração que os pusesse em harmonia com seus princípios. Chamando a Si uma criancinha, Jesus a colocou no meio deles; e, envolvendo ternamente o pequenino nos braços, disse: “Em verdade vos digo que, se vos não converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos Céus”. Mateus 18:3. A simplicidade, o esquecimento de si mesma e o confiante amor de uma criancinha, são os atributos estimados pelo Céu. São essas as características da verdadeira grandeza.
Jesus tornou a explicar aos discípulos que Seu reino não se caracteriza por terrena dignidade e ostentação. Junto a Jesus esquecem-se todas estas distinções. O rico e o pobre, o instruído e o ignorante se encontram, sem nenhuma idéia de classe ou mundana preeminência. Todos se aproximam como almas compradas por sangue, igualmente dependentes dAquele que as redimiu para Deus.
A alma sincera e contrita é preciosa diante de Deus. Ele coloca o Seu sinete sobre os homens, não por posição, não por fortuna, não por sua grandeza intelectual, mas pela sua unidade com Cristo. O Senhor da glória fica satisfeito com aqueles que são mansos e humildes de coração. “Também me deste o escudo da Tua salvação: [...] e a Tua mansidão” — como elemento no caráter humano — “me engrandeceu”. Salmos 18:35.
“Qualquer que receber um destes meninos em Meu nome”, disse Jesus, “a Mim Me recebe; e qualquer que a Mim Me receber, recebe, não a Mim, mas ao que Me enviou”. Marcos 9:37. “Assim diz o Senhor: O Céu é o Meu trono, e a Terra o escabelo dos Meus pés:... mas eis para quem olharei: para o pobre e abatido de espírito, e que treme da Minha palavra”. Isaías 66:1, 2.
As palavras do Salvador despertaram nos discípulos um sentimento de desconfiança de si mesmos. Ninguém fora especialmente apontado na resposta; mas João foi levado a duvidar de que em certo caso sua atitude fora correta. Com espírito de criança, expôs a questão a Jesus. “Mestre”, disse ele, “vimos um que em Teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue”. Lucas 9:49.
Tiago e João pensaram que, opondo-se a esse homem, tinham tido em vista a honra de seu Senhor; começaram a ver que tiveram ciúmes da sua própria. Reconheceram seu erro e aceitaram a reprovação de Jesus: “Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagres em Meu nome e possa logo falar mal de Mim”. Marcos 9:39. Pessoa alguma que se mostrasse de algum modo amiga de Cristo, devia ser repelida. Muitos havia que tinham sido profundamente movidos pelo caráter e a obra de Cristo, e cujo coração se estava
abrindo para Ele com fé; e os discípulos, que não podiam ler os motivos, deviam ter cuidado em não desanimar essas almas. Quando Jesus não mais Se achasse pessoalmente com eles, e a obra fosse deixada em suas mãos, não deviam ceder a um espírito estreito, exclusivista, mas manifestar a larga simpatia que tinham visto em seu Mestre.
O fato de uma pessoa não se conformar em tudo com nossas próprias idéias e opiniões, não nos justifica proibir-lhe o trabalhar para Deus. Cristo é o grande Mestre; não nos compete julgar ou ordenar, mas deve cada um sentar-se com humildade aos pés de Jesus e dEle aprender. Toda alma que Deus tornou voluntária, é um instrumento por onde Cristo revelará Seu amor cheio de perdão. Quão cuidadosos devemos ser para não desanimar um dos que transmitem a luz de Deus, interceptando assim os raios que Ele queria fazer brilhar no mundo!
A aspereza e a frieza manifestadas por um discípulo para com uma pessoa a quem Cristo estava atraindo — um ato como o que João praticara ao proibir alguém de operar milagres em nome de Cristo — poderia dar em resultado o encaminhar aquela criatura para a senda do inimigo, ocasionando a ruína de uma alma. De preferência a fazer alguém isso, disse Jesus: “Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha e se submergisse na profundeza do mar.” E acrescentou: “Se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno”. Marcos 9:42-44.
Por que essa veemente linguagem, a cujo vigor nenhuma outra pode exceder? Porque “o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido”. Mateus 18:11. Hão de Seus discípulos mostrar menos consideração pela alma de seus semelhantes do que manifestou a Majestade do Céu? Cada alma custou um infinito preço, e quão terrível é o pecado de desviar uma alma de Cristo, de maneira que para ela hajam sido em vão o amor, a humilhação e agonia do Salvador!
“Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos.” O mundo, inspirado por Satanás, há de sem falta opor-se aos seguidores de Cristo e procurar destruir-lhes a fé; mas ai daquele que tomou o nome de Cristo, e é todavia encontrado a fazer essa obra! Nosso Senhor é exposto à injúria pelos que pretendem servi-Lo, mas Lhe representam mal o caráter; e multidões são enganadas e induzidas a falsas veredas.
Qualquer hábito ou prática conducente ao pecado, capaz de trazer desonra sobre Cristo, convém ser posto de lado, seja qual for o sacrifício. Aquilo que desonra a Deus, não pode ser benéfico à alma. A bênção do Céu não pode seguir qualquer homem no violar os eternos princípios do direito. E um pecado alimentado é suficiente para operar a degradação do caráter e desencaminhar a outros. Se o pé ou a mão
seriam cortados, ou mesmo arrancado o olho, para salvar o corpo da morte, quanto mais zelosos deveríamos ser em lançar fora o pecado, que traz a condenação eterna!
No serviço ritual, era adicionado o sal a todo sacrifício. Isto, como a oferta de incenso, significava que unicamente a justiça de Cristo poderia ser aceitável a Deus. Referindo-Se a esse costume, disse Jesus: “Cada sacrifício será salgado com sal.” “Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros”. Marcos 9:50. Todos quantos se quiserem apresentar a si mesmos como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Romanos 12:1), devem receber o sal salvador — a justiça de nosso Redentor. Tornam-se então “o sal da terra” (Mateus 5:13), restringindo o mal entre os homens, como o sal preserva da corrupção. Mas se o sal perdeu o sabor, se existe apenas uma profissão de piedade, sem o amor de Cristo, não há poder para o bem. A vida não pode exercer salvadora influência no mundo. Vossa energia e eficiência em edificar o Meu reino, diz Jesus, dependem de receberdes de Meu Espírito. Deveis ser participantes de Minha graça, a fim de ser um cheiro de vida para vida. Então, não haverá rivalidade, nem interesses egoístas, nem desejo de obter o lugar mais elevado. Haveis de ter aquele amor que não busca o que é propriamente seu, mas o bem de outros.
Que o pecador arrependido fixe os olhos sobre “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29); e, contemplando, é transformado. Seu temor transmuda-se em alegria, suas dúvidas em esperanças. Surge a gratidão. Abranda-se a alma empedernida. Uma onda de amor inunda a alma. Cristo é nele uma fonte que salta para a vida eterna. Quando vemos a Jesus, um Homem de dores e familiarizado com os trabalhos, esforçando-Se por salvar os perdidos, rejeitado, escarnecido, expulso de cidade em cidade, até que se cumprisse Sua missão; quando O contemplamos no Getsêmani, suando grandes gotas de sangue, e na cruz, morrendo em agonia — quando vemos isto, não mais o próprio eu clama por atenções. Olhando a Jesus, envergonhamo-nos de nossa frieza, nossa letargia, nosso espírito interesseiro. Estaremos dispostos a ser qualquer coisa e a não ser nada, contanto que façamos um serviço de amor para o Mestre. Regozijar-nos-emos em levar a cruz após Cristo, suportar a prova, a vergonha ou a perseguição por amor dEle.
“Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos”. Romanos 15:1. Nenhuma pessoa que creia em Cristo, embora seja fraca a sua fé, e seus passos vacilantes como os de uma criancinha, deve ser desconsiderada. Por tudo que nos confere vantagem sobre outros — seja educação e refinamento, seja nobreza de caráter, educação cristã ou experiência religiosa — achamo-nos em dívida para com os menos favorecidos; e, o quanto estiver ao nosso alcance, cumpre-nos ajudá-los. Se somos fortes, devemos sustentar as mãos do fraco. Anjos de glória, que contemplam continuamente a face do Pai no Céu, regozijam-se em servir aos Seus pequeninos. Almas trementes, com
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White