Cristo O Caminho

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Leitura bíblica

Marcos 8:22-26

Marcos 8:22-26

22 Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse. 23 Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? 24 Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando. 25 Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito. 26 E mandou-o Jesus embora para casa, recomendando-lhe: Não entres na aldeia.

Versão Almeida Revista e Atualizada

Leitura do livro

O Desejado de Todas as Nações, páginas 288-289

Capítulo 45 — A previsão da cruz

Este capítulo é baseado em Mateus 16:13-28; Marcos 8:27-38; Lucas 9:18-27.

A obra de Cristo na Terra aproximava-se rapidamente de seu termo. Perante Ele, em vívido contorno, desdobravam-se as cenas para onde tendiam Seus passos. Mesmo antes de Se revestir da humanidade, vira toda a extensão da estrada que devia trilhar, a fim de salvar o que se havia perdido. Toda angústia que Lhe dilacerou o coração, todo insulto atirado a Sua fronte, toda privação que foi chamado a suportar — tudo Lhe foi exposto antes de deixar de lado a coroa e as vestes reais, e descer do trono para revestir Sua divindade com humanidade. A vereda que se estendia da manjedoura ao Calvário, estava toda diante de Seus olhos. Conhecia a angústia que dEle se havia de apoderar. Sabia tudo e, todavia, disse: “Eis aqui venho; no rolo do Livro está escrito de Mim: Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; sim, a Tua lei está dentro do Meu coração”. Salmos 40:7, 8.

Via sempre diante de Si o resultado de Sua missão. Sua vida terrestre, tão cheia de fadiga e sacrifício, era alegrada pela perspectiva de que todo o Seu trabalho não seria em vão. Dando a própria vida pela vida dos homens, reconquistaria o mundo à lealdade para com Deus. Conquanto devesse primeiro receber o batismo de sangue; embora os pecados do mundo Lhe devessem pesar sobre a alma inocente; se bem que a sombra de indizível aflição sobre Ele impendesse; todavia, pelo gozo que Lhe estava proposto, preferiu sofrer a cruz e desprezar a afronta.

Dos escolhidos companheiros de Seu ministério essas cenas, a Ele patenteadas, se achavam ainda ocultas; perto estava, porém, o tempo em que Lhe deviam testemunhar a agonia. Deviam ver Aquele a quem amavam e em quem confiavam, entregue às mãos dos inimigos e pendurado à cruz do Calvário. Em breve os deixaria Ele, para enfrentarem o mundo sem o conforto de Sua presença visível. Jesus sabia quão duramente os perseguiriam o ódio e a incredulidade, e desejava prepará-los para as provações.

Jesus e os discípulos haviam então chegado a uma das cidades nas cercanias de Cesaréia de Filipe. Encontravam-se além dos limites da Galiléia, numa região em que predominava a idolatria. Ali os discípulos foram afastados da dominante influência do judaísmo, sendo postos em mais íntimo contato com o culto pagão. Em torno deles se achavam representadas formas de superstição que existiam em todas as partes do

mundo. Jesus desejava que a visão dessas coisas os levasse a sentir a própria responsabilidade para com os pagãos. Durante Sua estada nessa região, buscou abster-se de ensinar o povo, dedicando-Se mais plenamente aos discípulos.

Estava para lhes dizer os sofrimentos que O aguardavam. Antes disso, porém, afastou-Se sozinho e orou para que seus corações estivessem preparados para receber-Lhe as palavras. Depois de reunir-Se a eles, não lhes comunicou imediatamente aquilo que lhes desejava participar. Antes de fazê-lo, ofereceu-lhes o ensejo de confessar sua fé nEle, a fim de se fortalecerem para a próxima provação. Perguntou-lhes: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?” Mateus 16:13.

Com pesar foram os discípulos forçados a admitir que Israel deixara de reconhecer seu Messias. Alguns, na verdade, ao Lhe verem os milagres, haviam declarado que Ele era o Filho de Davi. As multidões que foram alimentadas em Betsaida, desejaram proclamá-Lo rei de Israel. Muitos estavam dispostos a aceitá-Lo como profeta; não criam, porém, que fosse o Messias.

Jesus formulou agora uma segunda pergunta, com respeito aos próprios discípulos: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Mateus 16:15, 16.

Desde o princípio Pedro crera que Jesus era o Messias. Muitos outros que foram convencidos pela pregação de João Batista, e aceitaram a Cristo, começaram a duvidar da missão de João quando ele foi preso e morto; e agora duvidavam de que Jesus era o Messias, a quem há tanto tinham aguardado. Muitos dos discípulos que haviam esperado ardentemente que Jesus tomasse Seu lugar no trono de Davi, deixaram-nO ao perceber que Ele não tinha essa intenção. Mas Pedro e seus companheiros não se desviaram de sua fidelidade. A vacilante atitude dos que ontem louvavam e hoje condenavam, não destruiu a fé dos verdadeiros seguidores do Salvador. Pedro declarou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Mateus 16:16. Não esperou que honras reais coroassem seu Senhor, mas aceitou-O em Sua humilhação.

Pedro exprimia a fé dos doze. Todavia, os discípulos estavam ainda longe de compreender a missão de Cristo. A oposição e calúnias dos sacerdotes e escribas, se bem que os não pudessem desviar de Cristo, ocasionavam-lhes não obstante grande perplexidade. Não viam claramente seu caminho. A influência da primeira educação, o ensino dos rabis, o poder da tradição, ainda lhes interceptavam a visão da verdade. De tempos em tempos, brilhavam sobre eles preciosos raios de luz emanados do Salvador, todavia estavam muitas vezes como quem tateia em meio de trevas. Nesse dia, porém, antes de se verem frente a frente com a grande prova de sua fé, o Espírito Santo repousou sobre eles com poder. Por algum tempo, desviaram-se-lhes os olhos das “coisas que se vêem” para a

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

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