Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 163
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 269-270
tornar um espírito com Ele. É em virtude dessa união que havemos de ressurgir do sepulcro — não somente como manifestação do poder de Cristo, mas porque, mediante a fé, Sua vida se tornou nossa. Os que vêem a Cristo em Seu verdadeiro caráter, e O recebem no coração, têm vida eterna. É por meio do Espírito que Cristo habita em nós; e o Espírito de Deus, recebido no coração pela fé, é o princípio da vida eterna.
O povo chamara a atenção de Cristo para o maná que seus pais comeram no deserto, como se o proporcionar aquele alimento fosse um maior milagre do que o que fora realizado por Jesus; mas Ele mostra-lhes quão insignificante era aquele dom em comparação com as bênçãos que lhes viera conceder. O maná só podia manter a existência terrena; não impedia a aproximação da morte, nem garantia a imortalidade; mas o pão do Céu nutria a alma para a vida eterna. O Salvador disse: “Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do Céu; para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre.” A esta figura acrescenta Cristo outra. Somente morrendo, podia Ele comunicar vida aos homens, e nas palavras que seguem, aponta Sua morte como o meio de salvação. Diz Ele: “E o pão que Eu der é a Minha carne, que Eu darei pela vida do mundo.”
Os judeus estavam para celebrar a páscoa em Jerusalém, em comemoração da noite da libertação de Israel, quando o anjo destruidor feriu os lares egípcios. No cordeiro pascoal Deus desejava que vissem o Cordeiro de Deus, e mediante o símbolo recebessem Aquele que Se deu pela vida do mundo. Mas os judeus tinham chegado a dar toda a importância ao símbolo, enquanto passavam por alto sua significação. Não discerniam o corpo do Senhor. A mesma verdade simbolizada na cerimônia pascoal, foi ensinada nas palavras de Cristo. Mas ficaram ainda por perceber.
Então os rabinos exclamaram, irados: “Como nos pode dar Este a Sua carne a comer?” Fingiram compreender-Lhe as palavras no mesmo sentido literal que lhes dera Nicodemos quando perguntara: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” João 3:4. Compreendiam, até certo ponto, o que Jesus queria dizer, mas não estavam dispostos a reconhecê-Lo. Torcendo-Lhe as palavras, esperavam indispor o povo contra Ele. Cristo não suavizou Sua simbólica representação. Reiterou a verdade em linguagem ainda mais vigorosa: “Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. Porque a Minha carne verdadeiramente é comida, e o Meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele.”
Comer a carne e beber o sangue de Cristo é recebê-Lo como Salvador
pessoal, crendo que Ele perdoa nossos pecados, e nEle estamos completos. É contemplando o Seu amor, detendo-nos sobre ele, sorvendo-o, que nos havemos de tornar participantes de Sua natureza. O que a comida é para o corpo, deve ser Cristo para a alma. O alimento não nos aproveita se o não ingerimos; a menos que se torne parte de nosso corpo. Da mesma maneira Cristo fica sem valor para nós, se O não conhecemos como Salvador pessoal. Um conhecimento teórico não nos fará bem nenhum. Precisamos alimentar-nos dEle, recebê-Lo no coração, de modo que Sua vida se torne nossa vida. Seu amor, Sua graça, devem ser assimilados.
Mesmo essas figuras, porém, deixam de apresentar o privilégio da relação do crente para com Cristo. Jesus disse: “Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, assim, quem de Mim se alimenta, também viverá por Mim.” Como o Filho de Deus vivia pela fé no Pai, assim devemos nós viver pela fé em Cristo. Tão plenamente estava Cristo submetido à vontade de Deus, que unicamente o Pai aparecia em Sua vida. Embora tentado em todos os pontos como nós, manteve-Se diante do mundo imaculado do mal que O rodeava. Assim também nós devemos vencer como Cristo venceu.
Sois seguidor de Cristo? Então tudo quanto se acha escrito a respeito da vida espiritual está escrito para vós, e pode ser alcançado mediante vossa união com Cristo. Esmorece o vosso zelo? Esfria o primeiro amor? Aceitai novamente o oferecido amor de Cristo. Comei-Lhe da carne, bebei-Lhe do sangue e vos tornareis um com o Pai e com o Filho.
Os incrédulos judeus recusaram ver nas palavras do Salvador qualquer significação que não fosse a mais literal. Pela lei cerimonial, eram proibidos de provar sangue, e deram agora à linguagem de Cristo o sentido de um sacrilégio, disputando entre si sobre Suas expressões. Muitos, mesmo dos discípulos, disseram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?”
O Salvador respondeu-lhes: “Isto vos escandaliza? Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que Eu vos disse são Espírito e vida.”
A vida de Cristo, que dá vida ao mundo, acha-se em Sua palavra. Era por Sua palavra que Cristo curava a moléstia e expulsava os demônios; por Sua palavra acalmava o mar, e ressuscitava os mortos; e o povo dava testemunho de que Sua palavra tinha poder. Ele falava a palavra de Deus, como o fizera por intermédio de todos os profetas e instruidores do Antigo Testamento. Toda a Bíblia é uma manifestação de Cristo, e o Salvador desejava fixar a fé de Seus seguidores na palavra. Quando Sua presença visível fosse retirada, a palavra devia ser sua fonte de poder. Como seu Mestre, deviam viver “de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Mateus 4:4.
Como a vida física se mantém pela comida, assim é a espiritual mantida pela Palavra de Deus. E toda alma deve receber, por si própria, vida da Palavra
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White