Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 160
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 263-264
Até a quarta vigília da noite, lutaram com os remos. Então, deram-se por perdidos. O mar, tempestuoso, imerso em trevas, fizera-os sentir seu desamparo, e anelavam a presença de seu Senhor.
Jesus não os esquecera. O Vigia vira, da praia, aqueles homens possuídos de temor, em luta com a tempestade. Nem por um momento perdeu de vista aos discípulos. Com a mais profunda solicitude acompanhavam Seus olhos o barco, sacudido pela tempestade, com sua preciosa carga; pois esses homens deviam ser a luz do mundo. Como a mãe amorosa a velar o filho, assim cuidava dos discípulos o compassivo Mestre. Rendidos os corações, acalmadas as ambições profanas, e pedindo eles humildemente auxílio, este lhes foi dado.
No momento em que se julgavam perdidos, o clarão de um relâmpago revela-lhes um misterioso vulto que deles se aproxima, vindo sobre as águas. Não sabem, todavia, que é Jesus. Consideram um inimigo, Aquele que os vinha ajudar. Apodera-se deles o terror. Afrouxam-se as mãos que haviam empunhado o remo com pulso de ferro. O barco ondula ao sabor das ondas; os olhares acham-se voltados para essa visão de um homem a caminhar sobre as alvacentas vagas do mar todo espumejante.
Julgam-nO um fantasma a lhes anunciar a ruína, e gritam atemorizados. Jesus avança como se lhes quisesse passar adiante; reconhecem-nO, porém, e clamam por socorro. Seu amado Mestre volve-Se, Sua voz acalma-lhes os temores: “Tende bom ânimo; sou Eu, não temais.”
Logo que puderam acreditar no assombroso fato, Pedro ficou como fora de si de alegria. Como se ainda mal pudesse crer, exclamou: “Senhor se és Tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E Ele disse: Vem.”
Olhando para Jesus, Pedro caminha firmemente; como satisfeito consigo mesmo, porém, volta-se para os companheiros no barco, desviando os olhos do Salvador. O vento ruge. As ondas encapelam-se, alterosas, e interpõem-se exatamente entre ele e o Mestre; e ele teme. Por um momento, Cristo fica-lhe oculto, e sua fé desfalece. Começa a afundar. Mas ao passo que as ondas prenunciam morte, Pedro ergue os olhos para Jesus e brada: “Senhor, salva-me!” Jesus segura imediatamente a estendida mão, dizendo: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?”
Andando lado a lado, a mão de Pedro na do Mestre, entraram juntos no barco. Mas Pedro estava agora rendido e silencioso. Nenhuma razão tinha de se vangloriar sobre os companheiros, pois por causa da incredulidade e da exaltação quase perdera a vida. Ao desviar de Cristo o olhar, foi-se-lhe o pé, e ei-lo a submergir-se.
Quantas vezes, ao sobrevir-nos aflição, fazemos como Pedro! Olhamos para as ondas, em lugar de manter os olhos fixos no Salvador. Os pés vacilam, e as orgulhosas águas passam por sobre nossa alma. Jesus não disse a Pedro que fosse ter com Ele para que perecesse; não nos chama a segui-Lo, para depois nos abandonar. “Não temas”, diz-nos; “porque Eu te
remi; chamei-te pelo teu nome, tu és Meu. Quando passares pelas águas, estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque Eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador”. Isaías 43:1-3.
Jesus lia o caráter dos discípulos. Sabia quão dolorosamente seria provada a sua fé. Nesse incidente no mar, desejava mostrar a Pedro sua própria fraqueza — que sua segurança dependia constantemente do poder divino. Em meio das tempestades da tentação, só podia andar em segurança, quando, desconfiando inteiramente de si mesmo, descansasse no Salvador. Era no ponto que mais forte se julgava, que Pedro era fraco; e enquanto não discernisse sua fraqueza, não poderia compreender quanto necessitava de confiar em Cristo. Houvesse aprendido a lição que Jesus lhe buscou ensinar naquele incidente no lago, e não teria fracassado quando a grande prova lhe sobreveio.
Dia a dia instrui Deus a Seus filhos. Pelas circunstâncias da vida diária, prepara-os para a parte que têm de desempenhar naquele mais vasto cenário que Sua providência lhes designou. É o resultado de sua diária prova que determina a vitória ou derrota deles na grande crise da vida.
Os que deixam de compreender sua contínua dependência de Deus, serão vencidos pela tentação. Podemos entender agora que nosso pé se acha firme e jamais seremos abalados. Podemos dizer com confiança: “Eu sei em quem tenho crido; coisa alguma pode abalar minha confiança em Deus e Sua Palavra.” Mas Satanás está planejando aproveitar-se de nossos traços de caráter hereditários e cultivados, e cegar-nos os olhos para nossas necessidades e defeitos. Unicamente compreendendo a própria fraqueza e olhando firmemente para Jesus, podemos caminhar com segurança.
Tão depressa tomou Jesus lugar no barco, o vento cessou, “e logo o barco chegou à terra para onde iam”. A noite de horror foi seguida pelo raiar da aurora. Os discípulos e outros que se achavam no barco, inclinaram-se aos pés de Jesus, corações agradecidos, dizendo: “És verdadeiramente o Filho de Deus.”
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White