Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 236-237

Ali estava para eles uma obra a realizar — ir para um lar pagão, e contar as bênçãos que haviam recebido de Jesus. Foi-lhes duro separar-se do Salvador. Grandes dificuldades os rodeariam, por certo, no convívio com seus patrícios pagãos. E seu longo isolamento da sociedade parecia torná-los inaptos para a obra que Ele lhes indicara. Mas assim que Jesus lhes apontou o dever, prontificaram-se a cumpri-lo. Não somente à sua casa e aos vizinhos falaram acerca de Jesus; mas foram através de Decápolis, declarando por toda parte Seu poder de salvar, e descrevendo como os libertara dos demônios. Assim fazendo, era maior a bênção que recebiam do que se, para seu próprio benefício apenas houvessem permanecido em Sua presença. É em trabalhar para difundir as boas-novas de salvação, que somos levados para perto do Salvador.

Os dois curados possessos foram os primeiros missionários enviados por Cristo a pregar o evangelho na região de Decápolis. Só por poucos momentos tinham esses homens tido o privilégio de escutar os ensinos de Cristo. Nem um dos sermões de Seus lábios lhes caíra jamais ao ouvido. Não podiam ensinar o povo, como os discípulos, que se achavam diariamente com Cristo, estavam no caso de fazer. Apresentavam, porém, em si mesmos o testemunho de que Jesus era o Messias. Podiam dizer o que sabiam; o que eles próprios tinham visto e ouvido, e experimentado do poder de Cristo. É o que a todo aquele cujo coração foi tocado pela graça de Deus, é dado fazer. João, o discípulo amado, escreveu: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida [...] o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos”. 1 João 1:1-3. Como testemunhas de Cristo, cumpre-nos dizer o que sabemos, o que nós mesmos temos visto e ouvido e sentido. Se estivemos a seguir a Jesus passo a passo, havemos de ter qualquer coisa bem positiva a contar acerca da maneira por que nos tem conduzido. Podemos dizer como Lhe temos provado as promessas e as achado fiéis. Podemos dar testemunho do que temos conhecido da graça de Cristo. É esse o testemunho que nosso Senhor pede de nós, e por falta do qual está o mundo a perecer.

Embora o povo de Gergesa não houvesse recebido a Jesus, Ele não os abandonou às trevas que tinham preferido. Quando lhes pediram que Se afastasse deles, não Lhe tinham ouvido a palavra. Ignoravam o que estavam rejeitando. Portanto, Ele lhes tornou a enviar a luz, e por intermédio daqueles a quem não recusariam ouvir.

Ocasionando a destruição dos porcos, era desígnio de Satanás desviar o povo do Salvador, e impedir a pregação do evangelho naquela região. Esse próprio acontecimento, no entanto, despertou todo o país como nenhuma outra coisa o poderia ter feito, atraindo a atenção para Cristo. Embora o próprio Salvador partisse, permaneceram os homens curados, como testemunhas de Seu poder. Os que haviam sido instrumentos do

príncipe das trevas, tornaram-se condutos de luz, mensageiros do Filho de Deus. Os homens maravilhavam-se ao ouvir as assombrosas novas. Abriu-se naquela região uma porta ao evangelho. Quando Jesus voltou a Decápolis, o povo aglomerou-se ao Seu redor, e durante três dias, não somente os habitantes de uma cidade, mas milhares de toda a região circunvizinha, escutaram a mensagem da salvação. O próprio poder dos demônios está sob o domínio de nosso Salvador, e a operação do mal é sujeitada para o bem.

O encontro com os endemoninhados de Gergesa foi uma lição para os discípulos. Mostrou as profundezas de degradação a que Satanás está procurando arrastar toda a raça humana e a missão de Cristo, de libertar os homens de seu poder. Aqueles míseros seres, habitando entre os sepulcros, possuídos de demônios, escravizados a desenfreadas paixões e repugnantes concupiscências, representam o que se tornaria a humanidade se fosse abandonada à jurisdição de Satanás. A influência de Satanás é constantemente exercida sobre os homens para perturbar os sentidos, dominar a mente para o mal, incitar à violência e ao crime. Enfraquece o corpo, obscurece o intelecto e corrompe a alma. Sempre que os homens rejeitam o convite do Salvador, estão-se entregando a Satanás. Em todos os estados da vida — no lar, nos negócios e mesmo na igreja — há multidões fazendo assim hoje em dia. É por isso que a violência e o crime se têm alastrado na Terra, e a treva moral, como um sudário, envolve a habitação dos homens. Por meio de suas sedutoras tentações, o maligno conduz os homens a males cada vez piores, até que o resultado seja a depravação e a ruína. A única salvaguarda contra seu poder encontra-se na presença de Jesus. Em face dos homens e dos anjos, foi Satanás revelado como inimigo e destruidor da humanidade; Cristo, como seu amigo e libertador. Seu Espírito desenvolverá no homem tudo quanto enobreça o caráter e dignifique a natureza. Ele edificará o homem para a glória de Deus, tanto no corpo, como na alma e no espírito. “Pois Deus não vos deu o espírito de timidez, mas de força, de amor, e de prudência”. 2 Timóteo 1:7. Ele nos chamou para alcançarmos “a glória” — o caráter — “de nosso Senhor Jesus Cristo”; chamou-nos para ser “conformes à imagem de Seu Filho”. 2 Tessalonicenses 2:14; Romanos 8:29.

E pessoas que têm sido degradadas a instrumentos de Satanás, são ainda, mediante o poder de Cristo, transformadas em mensageiras da justiça, e enviadas pelo Filho de Deus a contar quão “grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti”.

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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