Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 131
Este plano não foi iniciado. Marque a leitura como lida para iniciá-lo hoje.
Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 222-224
Tinham ouvido a voz do Espírito no próprio coração, declarando ser Ele o Ungido de Israel, e insistindo em que se confessassem Seus discípulos. À luz de Sua presença, haviam compreendido a própria falta de santidade, e anelado uma justiça que não podiam criar. Mas, depois de O haverem rejeitado, seria excessivamente humilhante recebê-Lo como o Messias. Tendo posto o pé na vereda da incredulidade, eram demasiado orgulhosos para confessar seu erro. E para evitar reconhecer a verdade, tentavam com desesperada violência contestar os ensinos do Salvador. A prova de Seu poder e misericórdia os exasperava. Não podiam impedir que o Salvador operasse milagres, não Lhe podiam silenciar os ensinos; fizeram, porém, tudo quanto puderam para O apresentar sob um falso aspecto, e torcer-Lhe as palavras. No entanto, o convincente Espírito de Deus os seguia, e tiveram de construir muitas barreiras para Lhe resistir ao poder. A mais poderosa força que se possa fazer atuar sobre corações humanos, estava lutando com eles mas não se queriam render.
Não é Deus que cega os homens ou lhes endurece o coração. Envia-lhes luz para lhes corrigir os erros e guiá-los por veredas seguras; é pela rejeição dessa luz que os olhos cegam e o coração se endurece. Muitas vezes o processo é gradual e quase imperceptível. A luz chega até à alma por meio da Palavra de Deus, de Seus servos, ou diretamente por Seu Espírito; mas quando um raio de luz é rejeitado, dá-se o parcial entorpecimento das percepções espirituais, e a segunda revelação da luz é menos claramente discernida. Assim aumenta a treva, até que se faz noite na alma. Assim se dera com esses guias judeus. Estavam convencidos de ser Cristo assistido por um poder divino, mas a fim de resistir à verdade, atribuíam a obra do Espírito Santo a Satanás. Procedendo desse modo, escolhiam deliberadamente o engano; renderam-se a Satanás, e daí em diante foram regidos por seu poder.
Intimamente ligada à advertência de Cristo acerca do pecado contra o Espírito Santo, encontra-se a que é dada contra as palavras ociosas e más. As palavras são um indício do que se acha no coração. “Da abundância do seu coração fala a boca.” Mas as palavras são mais que um indício do caráter; têm poder de reagir sobre o caráter. Os homens são influenciados por suas próprias palavras. Muitas vezes, levados por momentâneo impulso, instigados por Satanás, dão expressão ao ciúme ou às más suspeitas, exprimindo aquilo em que não crêem realmente; essa expressão, porém, reage sobre os pensamentos. São enganados pelas próprias palavras, e chegam a crer verdade aquilo que disseram por instigação de Satanás. Uma vez tendo expressado uma opinião ou decisão, são muitas vezes demasiado orgulhosos para a retratar, e tentam provar acharem-se com a razão, até que chegam a crer ser realmente assim. É perigoso emitir uma palavra de dúvida, perigoso questionar e criticar a luz divina. O hábito de descuidosa e irreverente crítica, reage sobre o
caráter, fomentando irreverência e incredulidade. Muito homem condescendente com esse hábito assim tem prosseguido, inconsciente do perigo, até chegar ao ponto de criticar e rejeitar a obra do Espírito Santo. Jesus disse: “De toda palavra ociosa que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras será condenado”. Mateus 12:36, 37.
Dirigiu então uma advertência aos que foram impressionados por Suas palavras, que O ouviram de boa vontade, mas não se entregaram para habitação do Espírito Santo. Não é só pela resistência, mas pela negligência que a alma é destruída. “Quando o espírito imundo tem saído do homem”, disse Jesus, “anda por lugares áridos, buscando repouso, e não encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali”. Mateus 12:44, 45.
Muitos havia nos dias de Cristo, e os há atualmente, sobre quem o domínio de Satanás por algum tempo parecia ter cessado; mediante a graça de Deus, foram libertados dos maus espíritos que exerciam domínio sobre a alma. Regozijavam-se no amor de Deus; mas, como os ouvintes do terreno pedregoso da parábola, não permaneceram em Seu amor. Não se entregaram diariamente a Deus, para que Cristo habitasse no coração; e quando o mau espírito voltou, “com outros sete espíritos piores do que ele”, foram inteiramente dominados pelo poder do mal.
Quando a pessoa se rende inteiramente a Cristo, novo poder toma posse do coração. Opera-se uma mudança que o homem não pode absolutamente operar por si mesmo. É uma obra sobrenatural introduzindo um sobrenatural elemento na natureza humana. A alma que se rende a Cristo, torna-se Sua fortaleza, mantida por Ele num revoltoso mundo, e é Seu desígnio que nenhuma autoridade seja aí conhecida senão a Sua. Uma alma assim guardada pelos seres celestes, é inexpugnável aos assaltos de Satanás. Mas a menos que nos entreguemos ao domínio de Cristo, seremos governados pelo maligno. Temos inevitavelmente de estar sob o domínio de um ou de outro dos dois grandes poderes em conflito pela supremacia do mundo. Não é necessário que escolhamos deliberadamente o serviço do reino das trevas para cair-lhe sob o poder. Basta negligenciarmos fazer aliança com o reino da luz. Se não cooperarmos com os instrumentos celestes, Satanás tomará posse do coração e torná-lo-á morada sua. A única defesa contra o mal, é Cristo habitar no coração mediante a fé em Sua justiça. A menos que nos unamos vitalmente a Deus, nunca poderemos resistir aos não santificados efeitos do amor-próprio, da condescendência com nós mesmos e da tentação para pecar. Podemos deixar muitos hábitos maus, podemos por tempos separar-nos de Satanás; mas sem uma ligação vital com Deus pela
entrega de nós mesmos a Ele momento a momento, seremos vencidos. Sem conhecimento pessoal com Cristo e constante comunhão ficamos submetidos ao inimigo, e havemos afinal de fazer-lhe a vontade.
“E o último estado desse homem é pior do que o primeiro.” Assim, disse Jesus, “acontecerá também a esta geração má”. Mateus 12:45. Ninguém há tão endurecido, como os que desdenharam o convite da misericórdia, e menosprezaram o Espírito da graça. A mais comum manifestação do pecado contra o Espírito Santo, é o desprezar persistentemente o convite do Céu para se arrepender. Todo passo na rejeição de Cristo é um passo no sentido de rejeitar a salvação, e para o pecado contra o Espírito Santo.
Rejeitando a Cristo, o povo judeu cometeu o pecado imperdoável; e, recusando o convite da misericórdia, podemos cometer o mesmo erro; insultamos o Príncipe da vida, e O expomos à vergonha perante a sinagoga de Satanás e em face do Universo celeste, quando recusamos ouvir-Lhe os mensageiros, dando em vez disso atenção aos instrumentos de Satanás, que querem arrebatar de Cristo a alma. Enquanto uma pessoa fizer isso, não pode achar esperança de perdão, perdendo por fim todo desejo de se reconciliar com Deus.
Enquanto Jesus estava ainda ensinando o povo, os discípulos trouxeram a notícia de que Sua mãe e Seus irmãos estavam fora, e desejavam vê-Lo. Sabia o que lhes ia no coração, e “respondendo, disse ao que Lhe falara: Quem é Minha mãe? e quem são Meus irmãos? E, estendendo a Sua mão para os Seus discípulos, disse: Eis aqui Minha mãe e Meus irmãos; porque qualquer que fizer a vontade de Meu Pai que está nos Céus, este é Meu irmão, e irmã e mãe”. Mateus 12:48-50.
Todos os que recebessem a Cristo pela fé, estar-Lhe-iam ligados por um laço mais íntimo que os de parentesco humano. Tornar-se-iam um com Ele, como Ele era um com o Pai. Crendo em Suas palavras e praticando-as, Sua mãe Lhe estava mais próxima e salvadoramente ligada, do que por meio do parentesco natural. Seus irmãos não receberiam nenhum benefício de sua relação com Ele, a menos que O aceitassem como Salvador pessoal.
Que apoio teria Cristo encontrado em Seus parentes terrestres, houvessem eles crido nEle como enviado do Céu, e com Ele cooperado na obra de Deus! Sua incredulidade lançou uma sombra sobre a vida terrena de Jesus. Foi uma parte da amargura daquele cálice de aflição que esgotou por nós.
A inimizade ateada no coração humano contra o evangelho, experimentou-a vivamente o Filho de Deus, e foi-Lhe mais penosa no próprio lar; pois tinha o coração cheio de bondade e amor, e apreciava a terna consideração nas relações de família. Seus irmãos desejavam que cedesse às idéias deles, quando esse proceder teria estado inteiramente em desarmonia
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White