Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 124
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Leitura bíblica
Mateus 8:5-13
Mateus 8:5-13
5 Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, apresentou-se-lhe um centurião, implorando: 6 Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente. 7 Jesus lhe disse: Eu irei curá-lo. 8 Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. 9 Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. 10 Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta. 11 Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. 12 Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes. 13 Então, disse Jesus ao centurião: Vai-te, e seja feito conforme a tua fé. E, naquela mesma hora, o servo foi curado.
Versão Almeida Revista e Atualizada
Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 217-218
Capítulo 32 — O centurião
Este capítulo é baseado em Mateus 8:5-13; Lucas 7:1-11.
Cristo dissera ao nobre cujo filho curara: “Se não virdes sinais e milagres, não crereis”. João 4:48. Doía-Lhe que Sua própria nação exigisse esses sinais exteriores de Sua messianidade. De quando em quando, maravilhara-Se da incredulidade deles. Igualmente, porém, Se admirou da fé do centurião que foi ter com Ele. O centurião não pôs em dúvida o poder do Salvador. Nem sequer pediu que fosse em pessoa realizar o milagre. “Dize somente uma palavra”, disse ele, “e o meu criado sarará”. Mateus 8:8.
O servo do centurião fora acometido de paralisia, e estava às portas da morte. Entre os romanos, os servos eram escravos, comprados e vendidos nas praças, maltratados e vítimas de crueldades; mas o centurião era ternamente afeiçoado a seu servo, e com ardor desejava seu restabelecimento. Acreditava que Jesus o poderia curar. Nunca vira o Salvador, mas as notícias que lhe chegaram aos ouvidos lhe inspiraram fé. Não obstante o formalismo dos judeus, esse romano estava convencido de que a religião deles era superior a sua. Já rompera as barreiras de preconceitos e ódios nacionais que separavam os conquistadores do povo conquistado. Manifestara respeito pelo serviço divino, e bondade para com os judeus, como Seus adoradores. Nos ensinos de Cristo, segundo lhe haviam sido comunicados, encontrara aquilo que satisfazia às necessidades da alma. Tudo quanto havia de espiritual dentro dele, correspondera às palavras do Salvador. Sentira-se, porém, indigno de chegar à presença de Jesus e apelara para os anciãos dos judeus, a fim de fazerem o pedido quanto à cura do servo. Estavam relacionados com o grande Mestre, e saberiam, pensava, aproximar-se dEle de maneira a Lhe conseguir o favor.
Ao entrar Jesus em Cafarnaum, foi-Lhe ao encontro uma delegação de anciãos, os quais Lhe falaram do desejo do oficial. Insistiram em que era digno de que lhe concedesse isto, porque, diziam: “ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga”. Lucas 7:5.
Jesus partiu imediatamente para a casa do oficial; mas, premido pela multidão, avançava devagar. As novas de Sua vinda O precederam, e o centurião, em sua desconfiança dos próprios méritos, enviou-Lhe a mensagem: “Senhor, não Te incomodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado”. Lucas 7:6. Mas o Salvador continuou andando, e o centurião, ousando afinal aproximar-se dEle, completou a mensagem, dizendo: “Nem ainda me julguei digno de ir ter contigo; dize, porém, uma palavra, e o meu criado sarará. Porque eu também sou homem sujeito à autoridade, e tenho
soldados sob o meu poder, e digo a este: Vai; e ele vai; e a outro: Vem; e ele vem; e ao meu servo: Faze isto; e ele o faz”. Lucas 7:7, 8. Como eu represento o poder de Roma, e meus soldados reconhecem minha autoridade como suprema, assim Tu representas o poder do infinito Deus, e todas as coisas criadas obedecem à Tua palavra. Podes ordenar à doença que saia, e ela Te obedecerá. Podes chamar Teus mensageiros celestiais, e comunicarão virtude vivificadora. Fala tão-somente uma palavra, e o meu criado sarará.
“E, ouvindo isto Jesus, maravilhou-Se dele, e, voltando-Se, disse à multidão que O seguia: Digo-vos que nem ainda em Israel tenho achado tanta fé”. Lucas 7:9. E ao centurião, disse: “Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou”. Mateus 8:13.
Os anciãos judeus que haviam recomendado o centurião a Cristo, tinham mostrado quão longe estavam de possuir o espírito do evangelho. Não reconheciam que nossa grande necessidade é nosso único título à misericórdia divina. Em sua justiça própria, louvaram o centurião por causa do favor que manifestara para com “nossa nação”. Mas o centurião disse de si mesmo: “Não sou digno.” Seu coração fora tocado pela graça de Cristo. Viu a própria indignidade; não temia, no entanto, pedir auxílio. Não confiava na própria bondade; o argumento que apresentava era sua grande necessidade. Sua fé apegou-se a Cristo em Seu verdadeiro caráter. Não cria nEle apenas como operador de milagres, mas como o amigo e salvador da humanidade.
É assim que todo pecador, se deve aproximar de Cristo. “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, nos salvou”. Tito 3:5. Quando Satanás vos diz que sois pecador, e não podeis esperar receber bênçãos de Deus, dizei-lhe que Cristo veio ao mundo para salvar pecadores. Nada temos que nos recomende a Deus; mas a justificação em que podemos insistir agora e sempre, é nossa condição de completo desamparo, o qual torna uma necessidade Seu poder redentor. Renunciando a toda confiança própria, podemos olhar à cruz do Calvário e dizer: “O preço do resgate eu não o tenho; à Tua cruz prostrado me sustenho.”
Os judeus haviam sido instruídos desde a infância, quanto à obra do Messias. Pertenciam-lhes as inspiradas declarações dos patriarcas e profetas, bem como o simbólico ensino do serviço sacrifical. Haviam, porém, desprezado a luz; e agora nada viam em Jesus de desejável. Mas o centurião, nascido no paganismo, educado na idolatria de Roma imperial, instruído como soldado, aparentemente separado da vida espiritual pela educação e o ambiente, e ainda mais excluído pelo fanatismo dos judeus, e pelo desprezo de seus patrícios pelo povo de Israel — esse homem distinguiu a verdade a que eram cegos os filhos de Abraão. Não esperou para ver se os próprios judeus receberiam Aquele que Se dizia o seu Messias. Ao brilhar sobre ele “a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo” (João 1:9), havia, embora afastado, discernido a glória do Filho de Deus.
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White